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quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Felicidade eterna do céu - Leitura Espiritual de Agosto

 

“Bem-aventurados, Senhor, os que moram na tua casa; pelos séculos dos séculos te louvarão” (Sl 83, 5)

I. Na terra, a maior pena das almas que amam a Deus e se acham em desolação, é o receio de não O amarem e de não serem por Ele amados:“ O homem não sabe se é digno de amor ou de ódio”. Mas no paraíso a alma está certa de que ama a Deus, e de que é amada por Ele; vê que está felizmente abismada no amor do seu Senhor e que o Senhor a abraça como querida filha; vê, enfim, que os laços de seu amor são para sempre indissolúveis. – Estas venturosas chamas desenvolver-se-ão mais ainda pelo conhecimento mais perfeito, que então adquirirá, do amor que levou Deus a fazer-se homem e a morrer por nós, do amor que o levou a instituir o Santíssimo Sacramento, no qual um Deus se faz alimento de um verme.

Demais; verá distintamente todas as graças que Deus lhe prodigalizou, livrando-a de tantas tentações e perigos de condenação. Compreenderá que essas tribulações, doenças, perseguições, revezes, que chamara desgraças e castigos de Deus, foram, ao contrário, manifestações de amor e lances da divina Providência para a levar ao céu. – Verá especialmente a paciência que Deus teve em aturá-la depois de tantos pecados, e as suas misericórdias em enviar-lhe tantas luzes e tantos convites cheios de amor. Do alto desta feliz montanha, verá tantas almas condenadas ao inferno por menos pecados, e a si mesma se verá salva, na posse de Deus, certa de nunca perder no futuro esse bem supremo durante toda a eternidade.

Sempre, portanto, gozará o bem-aventurado dessa beatitude, que durante toda a eternidade e a cada instante lhe parecerá nova, como se então pela primeira vez entrasse a gozá-la. Sempre desejará a sua felicidade e obtê-la-á sempre: sempre satisfeita e sempre desejosa, sempre ávida e sempre saciada. Numa palavra, assim como os réprobos são vasos cheios de ira, assim os escolhidos são vasos cheios de contentamento, de modo que nunca tem coisa alguma a desejar.  A alma, vendo a descoberto e abraçando com transporte o seu soberano Bem, embriagar-se-á de tal sorte de amor, que se perderá felizmente em Deus, isto é, esquecer-se-á completamente de si, e não pensará desde então senão em amar, louvar e abençoar esse bem infinito, que possui.

II. Quando nos oprimirem as cruzes da vida, animemo-nos a suportá-las com paciência, com a esperança do céu. O abade Zosimo perguntou a Santa Maria Egypciaca, como aguentara viver tantos anos no deserto; ao que a Santa respondeu: Pela esperança do céu. Quando a São Filipe Neri foi oferecida a dignidade cardinalícia, a recusou atirando o barrete ao ar e exclamando: Ó paraíso, ó paraíso!

Assim também nós, quando gemermos ao peso das misérias deste mundo, levantemos os olhos ao céu e consolemo-nos, dizendo: Ó paraíso, ó paraíso! Lembremo-nos de que, se formos fiéis a Deus, acabarão um dia todas as nossas penas, misérias e temores e seremos admitidos nessa feliz pátria, na qual estaremos plenamente felizes, enquanto Deus for Deus. Já nos esperam os santos, espera-nos Maria, e Jesus já tem na mão a coroa para nos coroar reis no seu reino eterno.

Meu querido Salvador, ensinastes-me a rogar: “Venha a nós o vosso reino”. Tal é a oração que Vos dirijo; estabeleça-se vosso reino em minha alma, de maneira que a possuais toda e ela também Vos possua a Vós, que sois o supremo Bem. Ó meu Jesus, nada poupastes para me salvar e para ganhar o meu amor; salvai-me, pois, e consista a minha salvação em Vos amar incessantemente nesta vida e na outra. Tantas vezes Vos tenho ofendido, e não obstante isto, me afiançais que não Vos dedignareis de me conservar unido convosco durante toda a eternidade, se eu me quiser arrepender. Sim, arrependo-me, e quisera morrer de dor. De hoje em diante só quero pensar em Vos ser agradável. Aceito e abraço todas as mortificações e penas que me quiserdes enviar. Basta-me que não me priveis da vossa graça; basta que um dia possa eu ir amar-Vos, louvar-Vos e bendizer-vos no paraíso. – Ó Maria, quando é que me verei aos vossos pés, seguro de não mais poder perder o meu Deus? Socorrei-me, minha Mãe e não consintais que me condene e tenha de viver para sempre apartado de Vós e do vosso divino Filho.  

(Santo Afonso Maria de Ligório)


quinta-feira, 9 de julho de 2026

A primeira virtude do Congregado deve ser a humildade - Leitura Espiritual de Julho

 

A primeira virtude do Congregado deve ser a humildade


Como são raiz e fonte de todos os males: a soberba, a avareza e o amor próprio, são também raiz e princípio da perfeição cristã a humildade, o desinteresse e a abnegação da própria vontade. Por isso, o Congregado Mariano deve ter todo o cuidado e zelo de adquiri-las. A primeira virtude do Congregado Mariano deve, assim, ser a humildade.

Como ensina São Bernardo, A humildade é a virtude que leva o homem a desprezar-se ante veríssimo conhecimento de si mesmo, e aquele que a quer adquirir deve começar por um vivo conhecimento de sua vileza e miséria. Aquele que buscar se conhecer, ainda que pouco, conseguirá perceber sua baixeza, porque o homem nasce filho da ira e cheio de paixões, vive rodeado de poderosos inimigos e sem forças para vencê-los sozinho, porque  nossa capacidade vem de Deus; – Sem mim nada podeis fazer; e mais do que isso, se não souber pedir os socorros de que necessita, cairá nas mãos de um Juíz que lhe pedirá conta estrita de todas as suas calmas, e sabe ainda que estas se multiplicam a cada passo, pois – sete vezes por dia cai o justo.

Não é fácil penetrar bem nestas verdades e vivê-las. Para conseguir, o congregado deve recordar-se delas com frequência, e fará com que sirvam não para estéril conhecimento, mas como regra para as humilhações, com a qual se consegue o fundamento de todas as virtudes, a humildade. As humilhações podem ser enviadas por Deus por meio das criaturas ou tomadas voluntariamente por aquele que aspira a esta virtude, e ambas são necessárias para a perfeita humildade.

Para as humilhações enviadas por Deus, sempre que o congregado se vir desprezado entre os homens, ferido, repreendido, enganado, pensará que ouve da boca de Nosso Senhor– Aceita tudo o que te acontecer. Na dor, permanece firme; na humilhação, tem paciência, e o obedecerá com alegria, ou ao menos com boa vontade, dizendo com sua boca e coração:  seja feita a vossa vontade.

As humilhações voluntárias se ordenarão a moderar os afetos da alma por meio de ações externas. Para isso, o congregado buscará mortificar e rejeitar tudo em seu trato e porte que possa fomentar o orgulho e a soberba, conformando-se com o aviso do Espírito Santo: De nada vale a riqueza no dia da ira divina.

O congregado, assim, se vestirá com o honesto traje comum daqueles de sua própria classe e tempo, fugindo de adornos, posturas e atitudes que causem destaque, chamem a atenção dos outros e fomentem pensamentos de vaidade e orgulho.

O congregado, ainda, terá muito cuidado em não ser gloriado em suas ações, suas forças, seus talentos ou outras características, segundo aquele aviso do Senhor:  não se glorie o sábio em sua sabedoria, nem se orgulhe o forte em sua força, nem o rico de sua riqueza. Considere como se turbou Nossa Senhora ao ouvir as palavras de São Gabriel, e como aos extraordinários elogios com que a felicitava Santa Isabel, não soube responder senão com aquele humilde canto: Magnificat . A sua semelhança, São Luís não apenas não se gloriava em suas coisas, mas fugia como possível de companhias, conversas e lugares em que se fazia alarde de destreza ou habilidades, e retirando-se a algum lugar apartado, encomendava-se a Deus, enquanto outros gastavam seu tempo em diversões e aplausos.

O congregado cederá com gosto e cortesia aos seus iguais, e mesmo aos inferiores, o lugar que ocupa, a honra a que tem direito e as ocasiões que se apresentarem no mundo Amai-vos mu­tuamente com afeição terna e fraternal. Adiantai-vos em honrar uns aos outros. 

Como a soberba, segundo Santo Agostinho, corrompe as boas obras e, por isso, até nas boas obras deve ser temida e evitada, não se contentará o congregado com moderar os afetos que têm por objeto o mal, mas terá, também, muito cuidado  e vigilância sobre as boas obras que faz, para que não as roa o verme da vanglória.

 Excerto da obra de Santo Antônio Maria Claret 

quarta-feira, 10 de junho de 2026

Coração Misericordioso de Jesus - Leitura Espiritual de Junho 2026

 

“A sua misericórdia se estende de geração a geração, sobre os que o temem” (Lc 1, 50)

I. Onde poderíamos achar um coração mais terno e misericordioso do que o Coração de Jesus, um coração que se tenha compadecido mais das nossas misérias? A sua misericórdia fê-lo baixar do céu à terra; fê-lo dizer que era Ele o bom Pastor vindo a dar a vida pelas suas ovelhas. Para nos obter o perdão, a nós, pecadores, não perdoou a si mesmo e quis sacrificar-se sobre a cruz, afim de sofrer Ele mesmo o castigo que nós tínhamos merecido.

É a mesma piedade e compaixão que O faz ainda agora dizer: Ó homens, meus pobres filhos, porque vos quereis condenar, fugindo de mim? Não vedes que afastando-vos de mim correis para a morte eterna? Não vos quero ver condenados; não desanimeis, se quereis voltar a mim, voltai e recuperareis a vida: – A mesma misericórdia O faz ainda dizer que ele é o Pai amoroso que, posto que desprezado pelo filho, não sabe repulsá-lo quando volta arrependido, mas o abraça com ternura e se esquece de todas as injúrias recebidas: – “Não me lembrarei de teus pecados”.

Não é assim que soem fazer os homens. Estes, ainda que perdoem, guardam sempre a lembrança da ofensa recebida e sentem desejos de vingança; e se não se vingam, porque são tementes de Deus, ao menos têm grande repugnância de conversar e tratar com aqueles que os ofenderam. – ah, meu Jesus, Vós perdoais aos pecadores arrependidos e não recusais dar-Vos a eles todo inteiro nesta terra pela santa comunhão e no céu pela luz da glória, sem que mostreis a menor repugnância em conservar unida convosco, por toda a eternidade, à alma que Vos ofendeu. Onde então achar um coração tão amável e misericordioso como o vosso, ó meu amado Salvador?

II. Ó Coração misericordioso de meu Jesus, tende compaixão de mim. Meu dulcíssimo Jesus, tende compaixão de mim. Eu Vo-lo digo agora e dai-me, ó Jesus, a graça de sempre Vos repetir esta súplica: Ó meu dulcíssimo Jesus, tende compaixão de mim. Antes de Vos ofender, ó meu Redentor, não merecia, por certo, nenhuma das muitas graças que me fizestes. Vós me criastes, me comunicastes tantas luzes, sem merecimento da minha parte. Depois, porém, que pequei, não somente não sou digno de favores, mas mereço ser abandonado de Vós e precipitado no inferno. A vossa misericórdia é que Vos fez esperar-me e conservar-me a vida quando me achava na vossa desgraça. A vossa misericórdia é que me esclareceu e me convidou à penitência; ela me deu a dor dos pecados e o desejo de Vos amar e pela vossa misericórdia nutro a confiança de estar em vossa graça.

Ó meu Jesus, não cesseis de exercer misericórdia comigo.  – É esta a misericórdia que Vos peço; iluminai-me e fortalecei-me para não ser mais ingrato para convosco.

quarta-feira, 20 de maio de 2026

NOSSA SENHORA E O VENERÁVEL PADRE RODOLFO KOMOREK, SDB - Leitura Espiritual de Maio

 NOSSA SENHORA E O VENERÁVEL PADRE RODOLFO KOMOREK, SDB

Pe. Rodolfo nutria para com Nossa Senhora uma devoção filial.

Visitava lhe com frequência o altar, aconselhava os outros a rezarem à Mãe de Deus, dela falava carinhosamente nas pregações e conversas.

Ao ser capelão na Primeira Guerra Mundial, numa ocasião no Campo de batalha, teria sido alertado, por Nossa Senhora, sobre um ataque ao local onde os saldados poloneses se encontravam. Conseguiu avisar todos os soldados, os salvando do perigo eminente.

Nunca concluía os sermões sem uma referência a Nossa Senhora.

À hora das Ave-Marias rezava piedosamente o Angelus, mesmo nas viagens, interrompendo a conversa ou o que estivesse a fazer no momento.

Rezava sempre o terço, na Igreja, na rua, nas viagens, no confessionário enquanto aguardava os penitentes.

Quando em Niterói, a estátua de Maria Auxiliadora visitava as famílias da paróquia, ia todas as noites à casa onde ela parava e dava aí alguma lição ou instrução a gente que de hábito não ia à igreja. E edificava a todos com as suas maneiras gentis e com agradável exposição da doutrina.

Internado no Sanatório Vicentina Aranha, visitava diariamente a Gruta de N. Sra. de Lourdes (atrás da Capela do Sagrado Coração de Jesus). Ficava ali diante da imagem cerca de 15 minutos antes de ir celebrar a Missa.

Nos dias que lhe precederam a morte tinha sempre nas mãos o velho terço

já muito gasto, que não quis nunca trocar por outro.

Sua confiança em Maria revela-se nestas palavras repassadas de amor

filial: “Nossa Senhora está aqui conosco, pertinho de nós, junto conosco. Se alguém está triste, não é feliz na vida, é porque não procura Nossa Senhora. Se recorrer a ela encontrará quanto deseja”.

A um compatriota escrevia: “Humildemente peço uma Ave-Maria para bem morrer. Tenho confiança na bondade de Maria”. E Maria o teria levado para o céu, que ele definia: “o céu de Nosso Senhor e de Nossa Senhora”.

Pe. Fausto Santa Catarina, SDB

sexta-feira, 17 de abril de 2026

Normas do Bom Congregado - Leitura Espiritual de Abril 2026



1.         A disciplina faz o bom soldado. A obediência e o res­peito ao Padre Diretor, a diretoria e às Regras da Congregação caracterizam o bom Congregado Mariano.

2.         Aquele que é cumpridor das pequeninas obrigações, também o será das grandes. Assim, a presença nas reuniões, o uso da fita, a saudação mariana: – Salve Maria! – apontam os congregados que o são, e que jamais faltam com seus de­veres de Católico e Mariano fervoroso.

3.         Ninguém é compelido a entrar na congregação, uma vez, porém, nela admitido deverá viver a vida mariana consoante às Regras e conforme promessas espontaneamente feita ao pé do altar.

4.         Foi a eleição do amor à Virgem Imaculada, foi a de­voção a tão terna Mãe, que nos conduziram à Congregação. Sejamos, pois, fiéis e fervorosos nesta reverência, neste amor filial, não Congregados só de nome, mas de fato.

5.         A Congregação reúne almas de boa vontade, de­cididas ao bem e a verdade, propugnando pelo aperfeiçoamento moral de cada membro e a irradiação da santidade na sociedade em que vive. Quem não tiver, por conseguinte, o espírito de sacrifício, não for fervoro­so no cumprimento dos deveres, que a si mesmo se impôs para sua santificação não pode ser Congre­gado Mariano. Ou aprende a cumprir os seus deveres, ou dei­xa o lugar para os que o sabem cumprir. É engano — engano muito grande — aquilatar o valor de uma Congregação pelo número dos seus membros. O progresso quantitativo é bom e até ótimo, quando se tem primeiro o progresso qualitativo. Mais vale a qualidade que a quantidade. O ideal é a divisa de Pio XI: POUCOS E BONS — está bem. MUITOS E BONS — melhor.

6.         Antes de chegar a Congregado, deve o Candidato passar por um estágio, suficientemente longo, afim de “dar provas de que é um elemento aproveitável” . Deve, em “segui­da, ser examinado sobre as Regras da Congregação — se as conhece e se as pratica. Só no caso afirmativo, poderá ser ad­mitido no rol dos Congregados. O mesmo acontece na admissão de um Aspirante a Noviço.

7.         O Congregado, Noviço ou Aspirante que falta no­tavelmente com seus deveres, na Congregação, sem se justifi­car, deve ser avisado caridosamente mas com firmeza. Se con­tinuar a faltar sem motivo, faz-se-lhe ver que assume toda a responsabilidade na sua exclusão da Congregação.

8.         A caridade deve ser a nota distintiva da Congregação. Caridade fraterna entre os Congregados. Caridade de uma Congregação para com outra. Caridade pa­ra com os pobres. Caridade para com os infiéis, trabalhando na propagação da Fé. Caridade, acima de tudo, para com Deus, amando-O so­bre todas as coisas e preferindo antes sofrer tudo que perder sua graça. Cristo disse: — “Os homens vos reconhecerão por meus discípulos, se vos amardes uns aos outros como Eu vos Amei”. Não é, pois, discípulo de Cristo quem não observa a Caridade fraterna. E a condição para haver progresso em uma associação é que haja nela caridade fraterna, sem a qual, Cris­to desconhece essa associação e nega-lhe a graça. Portanto, deve ser radicalmente banido da Congregação todo espírito de crítica, de murmuração, de inveja, de ciúmes, de rivalidades, de querelas. “Quem quiser ser o primeiro, faça-se o último den­tre todos”, disse Nosso Senhor. Toda a rivalidade, pois, deve consistir em procurar o último lugar, em ser cada um o mais humilde.

A vida interior é a base da vida apostólica. Deus agradece o apostolado de uma alma que antes de tudo procura santificar-se. Ninguém dá o que não tem. Não pode, pois, trabalhar, direta ou indiretamente, pela salvação das almas quem não trabalha pela sua salvação. O melhor apostolado, portanto, é o do bom exemplo. Se as pa­lavras comovem, os exemplos arrastam.

Extraído do Anuário da Federação das CCMM do Paraná, em 1940

quinta-feira, 12 de março de 2026

Gloriemo-nos na Cruz de Cristo - Santo Agostinho - Leitura Espiritual


A paixão de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo é um objeto de glória e um ensinamento de paciência. Pois, o que deixará de esperar da graça de Deus o coração dos fiéis, se por eles, o Filho único de Deus, coeterno com o Pai, não se contentou em nascer como um homem entre os homens, mas inclusive quis morrer pela mão daqueles homens que Ele mesmo tinha criado?

Grande é o que o Senhor nos promete para o futuro, mas é muito maior ainda aquilo que celebramos recordando o que já fez por nós. Onde estavam, ou quem eram, aqueles ímpios por quem Cristo morreu? Quem duvidará que possa deixar de dar sua vida aos santos, se Ele mesmo entregou sua morte aos ímpios? Por que ainda vacila a fragilidade humana em acreditar que um dia será realidade que os homens vivam com Deus?

O que já se realizou é muito mais incrível: Deus morreu pelos homens.

Porque quem é Cristo, senão aquele de quem diz a Escritura: No princípio já existia a Palavra, e a Palavra estava junto a Deus, e a Palavra era Deus? Esta Palavra de Deus se fez carne e habitou entre nós. Ele não possuiria o que era necessário para morrer por nós se não tivesse tomado de nós uma carne mortal. Assim o imortal pôde morrer. Assim pôde dar sua vida aos mortais: e fará que mais tarde tenham parte em sua vida aqueles cuja condição Ele primeiro se fez partícipe. Pois nós, por nossa natureza, não tínhamos possibilidade de viver, nem Ele, pela sua, possibilidade de morrer. Ele fez, pois, conosco este admirável intercâmbio, tirou de nossa natureza a condição mortal e nos deu da sua a possibilidade de viver.

Portanto, não só não devemos nos envergonhar da morte de nosso Deus e Senhor, como temos que confiar nela com todas as nossas forças e nos gloriarmos nela por cima de tudo: pois ao tirar de nós a morte, que em nós encontrou, prometeu-nos com toda a sua fidelidade que nos daria em si mesmo a vida que nós não podemos chegar a possuir por nós mesmos. E se aquele que não tem pecado nos amou a tal ponto que por nós, pecadores, sofreu o que tinham merecido nossos pecados, como depois de nos haver justificado, deixará de nos dar o que é justo? Ele, que promete com verdade, como não vai nos dar os prêmios dos santos, se suportou, sem cometer iniqüidade, o castigo que os iníquos lhe infligiram?

Confessemos, portanto, intrepidamente, irmãos, e declaremos bem às claras que Cristo foi crucificado por nós: e façamo-lo não com medo, mas com júbilo, não com vergonha, mas sim com orgulho.

 

O apóstolo Paulo, que se deu conta deste mistério, proclamou-o como um título de glória. E embora pudesse recordar muitos aspectos grandiosos e divinos de Cristo, não disse que se gloriava destas maravilhas –que tivesse criado o mundo, quando, como Deus que era, achava-se junto ao Pai, e que tivesse imperado sobre o mundo, quando era homem como nós–, mas sim disse: Deus me livre de me gloriar a não ser na Cruz de nosso Senhor Jesus Cristo.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Leitura Espiritual: Vantagens das Congregações de Maria Santíssima


Ingredere tu et omnis domus tua in arcam – “Entra na arca tu e toda a tua casa” (Gn 7, 1)

Sumário. As Congregações Marianas são como outras tantas arcas de Noé, onde os seculares acham a salvação no naufrágio comum. Não somente por causa da proteção especial com que Maria cuida dos seus congregados, senão também por causa dos meios de salvação que nelas se encontram. Se quiseres, pois, o mais possível assegurar a salvação de tua alma, deixa-te alistar em alguma destas Congregações. Lembra-te, porém, que para seres congregado, não é bastante que dês teu nome, mister é que guardes também as regras.

I. As Congregações, especialmente as de Nossa Senhora, são como tantas arcas de Noé, em que acham refúgio os pobres seculares no dilúvio das tentações e dos pecados que inundam o mundo. Regularmente falando, encontram-se mais pecados num homem que não frequenta a Congregação do que em vinte que a frequentam. Sim, porque nela adquirem os congregados muitas defesas contra o inferno e praticam, para conservar-se na divina graça, diversos meios, de que fora dela os seculares dificilmente usam.

Em primeiro lugar, um dos meios para salvar-se é pensar nas máximas eternas, como diz o Espírito Santo (1); e muitos se perdem porque não meditam nelas. Ora, aqueles que vão à Congregação, frequentemente pensam nelas em tantas meditações, leituras e sermões que ali se fazem:


Oves meae vocem meam audiunt (2) — “As minhas ovelhas ouvem a minha voz”


— Em segundo lugar, para salvar-se é preciso recomendar-se a Deus: Pedi e recebereis (3). Na Congregação, os irmãos fazem isto continuamente, e Deus os atende mais, pois que Ele mesmo disse que muito voluntariamente concede as suas graças quando as orações são feitas em comum (4); pela razão, como diz Santo Ambrósio, que as orações, de muito fracas cada uma por si, se tornam fortes quando unidas.

— Em terceiro lugar, na Congregação, tanto em virtude das regras como dos exemplos dos outros irmãos, se fazem muitos exercícios de mortificações, de humildade, de caridade para com os irmãos enfermos e pobres. O que mais é, nela se frequentam mais facilmente os sacramentos, que são meios eficacíssimos para a perseverança na divina graça, como declarou o Concílio de Trento (5).

— Finalmente, todos sabem quanto aproveita, para salvar-se, o servir a Mãe de Deus; e que fazem os irmãos senão servi-la na Congregação? Ali se consagram desde o princípio ao serviço dela, elegendo-a de modo especial por sua Senhora e Mãe. Alistam-se no livro dos filhos de Maria: portanto, assim como eles são servos e filhos distintos da Virgem, assim como esta os trata com distinção e protege-os na vida e na morte. De modo que um congregado de Maria pode dizer que com a Congregação recebeu todos os bens: Venerunt mihi omnia bona pariter cum illa (6).

II. Tinha razão São Francisco de Sales quando exortava calorosamente os seculares a entrarem nas Congregações. Que não fez igualmente São Carlos Borromeu para estabelecer e multiplicar as Congregações Marianas? E nos seus Sínodos adverte aos confessores que façam nelas entrar os seus penitentes. — Imagina, pois, leitor meu, que o Senhor te diz o que disse a Noé:

Ingredere tu et omnis domus tua in arcam — “Entra na arca tu e toda a tua casa”

Se quiseres salvar-te, entra tu e toda a tua família nesta arca salutar da Congregação de Maria.

Não te contentes, porém, com a inscrição de teu nome no registro, o que pouco ou nada adianta. Guarda também com exatidão as regras e atende sobretudo a duas cosias: Primeira, ao fim da Congregação, na qual não deves entrar por outro motivo senão para servir a Deus e sua santa Mãe e salvar a própria alma. Segunda, a não perder a Congregação nos dias marcados, por negócios do mundo, pois que ali deves ir para tratar do negócio mais importante que tens neste mundo, que é a salvação eterna. Procura também conduzir quantos puderes à Congregação e especialmente procura fazer voltar a ela os irmãos que a tenham deixado. Oh, com que terríveis castigos o Senhor tem punido àqueles que abandonaram a Congregação de Nossa Senhora! Ao contrário, os Congregados perseverantes são por Maria providos de bens temporais e espirituais: Omnes domestici eius vestiti sunt duplicibus (7).


Ó Virgem bendita e imaculada, nossa Rainha e Mãe, refúgio e consolação de todos os desgraçados, prostrado ante o vosso trono com toda a minha família, vos escolho por minha Soberana, minha Mãe, e Advogada junto de Deus. Consagro-me para sempre ao vosso serviço, com todos os que me pertencem; e peço-vos, ó Mãe de Deus, que nos recebais no número dos vossos servos, tomando-nos sob a vossa proteção, socorrendo-nos durante a nossa vida e mais ainda no momento da nossa morte.

Ó Mãe de misericórdia, eu vos constituo Senhora e Governadora de toda a minha casa, dos meus parentes, dos meus interesses e de todos os meus negócios. Não vos negueis a tomar cuidado deles; de tudo disponde segundo o vosso agrado. Abençoai-me, pois, com toda a minha família, e não permitais que algum de nós ofenda no futuro a vosso divino Filho. Defendei-nos nas tentações, livrai-nos dos perigos, provede às nossas necessidades, aconselhai-nos nas dúvidas, consolai-nos nas aflições e enfermidades, e principalmente nas angústias da morte. Não permitais que o demônio se glorie jamais de nos ter sob a sua escravidão, já que vos somos consagrados, mas fazei com que vamos ao céu para vos agradecer e todos juntos convosco louvar e amar a nosso Redentor Jesus em toda a eternidade. Amém. (8)

Referências:
(1) Eclo 7, 40
(2) Jo 10, 16
(3) Jo 16, 24
(4) Mt 18, 19
(5) Sess. 13, c. 2
(6) Sb 7, 11
(7) Pr 31, 21
(8) Onde não existe uma Congregação Mariana com exercícios comuns, procurem os fiéis ao menos entrar em alguma Confraria de Nossa Senhora, como sejam as do Carmo, da Imaculada Conceição, de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, enriquecidas com muitas indulgências plenárias e parciais. O Papa Leão XIII recomendou particularmente a Ordem Terceira de São Francisco.

(LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo I: Desde o Primeiro Domingo do Advento até a Semana Santa Inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p. 241

sábado, 10 de janeiro de 2026

Porque Jesus quis nascer criança


Parvulus enim natus est nobis, et filius datus est nobis – “Nasceu-nos uma criança; foi-nos dado um filho” (Is 6, 9)

I. Considerai que ao fim de tantos séculos, depois de tantas súplicas e suspiros, o Messias, a quem os santos Patriarcas e Profetas não tinham sido dignos de verem, o Suspirado das gentes, o desejo das colinas eternas, o nosso Salvador, já veio, já nasceu e já se deu todo a nós: O Filho de Deus se fez pequenino, para nos fazer grandes; deu-se a nós, a fim de que nós nos demos a Ele, veio mostrar-nos o seu amor a fim de que nós Lhe respondamos com o nosso. Façamos-Lhe acolhida afetuosa, amemo-Lo e recorramos a Ele em todas as nossas necessidades.

As crianças, diz São Bernardo, gostam de dar o que se lhes pede. Jesus veio como criança para se nos mostrar todo inclinado e propenso a comunicar-nos os seus bens. Se desejamos luz, Ele veio para nos iluminar. Se queremos força para resistirmos aos inimigos, Ele veio exatamente para nos confortar. Se queremos o perdão e a salvação, ei-Lo que veio para nos perdoar e nos salvar. Se queremos, finalmente, o dom supremo do divino amor, Ele veio para abrasar-nos o coração. É sobretudo para este fim que se fez criança. Quis aparecer no meio de nós tanto mais amável, quanto mais pobre e humilde, quis tirar-nos todo o temor e ganhar o nosso amor, como observa São Pedro Crisólogo.

Além disso, Jesus quis vir pequenino para ser de nós amado com amor não somente de apreço, senão também de ternura. Todas as crianças sabem ganhar o afeto de todos aqueles que as vêem; mas quem não amará com toda a ternura a um Deus feito criancinha, necessitado de leite, tiritante de frio, pobre, humilhado, abandonado; a um Deus que chora e está vagindo numa manjedoura sobre a palha? Isso fez o amante São Francisco exclamar: Vinde amar a um Deus feito criança, feito pobre, e tão amável que baixou do céu para se dar todo a vós.

II. Ó meu Jesus, tão amável e de mim tão desprezado, baixastes do céu, a fim de nos remirdes do inferno e Vos dardes todo a nós, e nós, como temos podido desprezar-Vos tantas vezes e virar-Vos as costas? Ó Deus, os homens mostram-se tão agradecidos às criaturas! Se alguém lhes faz qualquer favor, se alguém vem de longe a visitá-los, se se lhes dá alguma demonstração de afeto, não podem esquecê-lo e sentem-se obrigados a retribuí-lo. E depois são tão ingratos para convosco, que sois o seu Deus, que sois tão amável e que por seu amor não recusastes dar o sangue e a vida.

Mas, ai de mim, que tenho sido para convosco pior do que os outros, por ter sido mais amado de Vós e mais ingrato a vosso amor. Ah! Se tivésseis concedido a um herege, a um idólatra as graças que me dispensastes a mim, ele se teria tornado santo, e eu Vos tenho ofendido. Por piedade, esquecei as injúrias que Vos tenho feito. Mas, Vós já dissestes, que quando um pecador se arrepende, não mais Vos lembrais de todos os ultrajes recebidos. Se em outro tempo não Vos amei, para o futuro não quero senão amar-Vos. Vós Vos destes todo a mim e eu Vos dou toda a minha vontade; com esta amo-Vos, amo-Vos, amo-Vos; quero repetí-lo sempre: amo-Vos, amo-Vos. Repetindo isto quero viver, e assim quero morrer, exalando o espírito com estas doces palavras nos lábios: Meu Deus, amo-Vos. Desde o primeiro instante em que entrar na eternidade quero começar a amar-Vos com um amor contínuo, que durará sempre, sem que eu possa ainda deixar de Vos amar.

Entretanto, ó meu Senhor, meu único Bem e meu único Amor, resolvo antepor a vossa vontade a qualquer querer meu. Ainda que me oferecessem o mundo inteiro, não o quero. Não quero mais deixar de amar a quem tanto me tem amado; não quero mais dar desgosto a quem merece da minha parte um amor infinito. Ajudai-me, ó meu Jesus, com a vossa graça, a realizar este desejo. — Maria, minha Rainha, é à vossa intercessão que me reconheço devedor de todas as graças recebidas de Deus; não deixeis de interceder por mim. Vós que sois a Mãe da perseverança, obtende-me a perseverança final.

_ Sto. Afonso Maria de Ligório_

sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

Leitura Espiritual de Dezembro - Sermão sobre o Natal do Senhor - Sto Agostinho

 

A verdade brotou da terra e a justiça olhou do alto do céu

Desperta, ó homem: por tua causa Deus se fez homem. Desperta, tu que dormes, levanta-te dentre os mortos e sobre ti Cristo resplandecerá (Ef 5,14). Por tua causa, repito, Deus se fez homem.

Estarias morto para sempre, se ele não tivesse nascido no tempo. Jamais te libertarias da carne do pecado, se ele não tivesse assumido uma carne semelhante à do pecado. Estarias condenado a uma eterna miséria, se não fosse a sua misericórdia. Não voltarias à vida, se ele não tivesse vindo ao encontro da tua morte. Terias perecido, se ele não te socorresse. Estarias perdido, se ele não viesse salvar-te.

Celebremos com alegria a vinda da nossa salvação e redenção. Celebremos este dia de festa, em que o grande e eterno Dia, gerado pelo Dia grande e eterno, veio a este nosso dia temporal e tão breve.

Ele se tornou para nós justiça, santificação e libertação, para que, como está escrito, “quem se gloria, glorie-se no Senhor” (1Cor 1,30-31).

A verdade brotará da terra (Sl 84,12), o Cristo que disse: eu sou a verdade (Jo 14,6), nasceu da Virgem. E a justiça olhou do alto do céu (cf. Sl 84,12), porque o homem, crendo naquele que nasceu, é justificado não por si mesmo, mas por Deus.

A verdade brotou da terra porque o Verbo se fez carne (Jo 1,14). E a justiça olhou do alto do céu porque todo o dom precioso e toda a dádiva perfeita vêm do alto (Tg 1,17).

A verdade brotou da terra, isto é, da carne de Maria. E a justiça olhou do alto do céu porque o homem não pode receber coisa alguma, se não lhe for dada do céu (Jo 3,27).

Justificados pela fé, estamos em paz com Deus (Rm 5,1) porque a justiça e a paz se beijaram (cf. Sl 84,11) por intermédio de nosso Senhor Jesus Cristo, pois a verdade brotou da terra. Por ele tivemos acesso, pela fé, a esta graça na qual estamos firmes e nos gloriamos, na esperança da glória de Deus (Rm 5,2). Não disse “de nossa glória”, mas da glória de Deus, porque a justiça não procede de nós, mas olha do alto do céu. Portanto, quem se gloria não se glorie em si mesmo, mas no Senhor.

Eis por que, quando o Senhor nasceu da Virgem, os anjos cantaram: Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade (Lc 2,14 Vulgata).

Como veio a paz à terra senão por ter a verdade brotado da terra, isto é, Cristo ter nascido em carne humana? Ele é a nossa paz: de dois povos fez um só (cf. Ef 2,14), para que fôssemos homens de boa vontade, unidos uns aos outros pelo suave vínculo da caridade.

Alegremo-nos com esta graça, para que nossa glória seja o testemunho da nossa consciência, e assim nos gloriaremos, não em nós mesmos, mas no Senhor. Por isso disse o Salmista: Vós sois a minha glória que levanta a minha cabeça (Sl 3,4). Na verdade, que graça maior Deus poderia nos conceder do que, tendo um único Filho, fazê-lo Filho do homem e reciprocamente fazer os filhos dos homens serem filhos de Deus?

Procurai o mérito, procurai a causa, procurai a justiça; e vede se encontrais outra coisa que não seja a graça de Deus.

Dos Sermões de Santo Agostinho, bispo
(Sermão 185: PL 38, 997-999) (Séc. V)

terça-feira, 11 de novembro de 2025

Leitura Espiritual de Novembro: História da Aparição de N. Sra. das Graças

 


Nossa Senhora das Graças

No dia 27 de novembro, na Capela das Irmãs da Caridade de São Vicente de Paulo, em Paris, a Virgem Maria apareceu à noviça Catarina Labouré, revelando ser Nossa Senhora das Graças.

A Santíssima Virgem surgiu sobre um globo, oferecendo-o a Deus em sinal de súplica, pisando em uma serpente e segurando nas mãos um globo menor. Maria disse: “Este globo representa o mundo inteiro e cada pessoa em particular”.

De suas mãos saíam raios brilhantes de luz, formando um quadro oval, que continham as seguintes palavras: “Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós”.

No reverso do quadro havia um “M” sobre uma cruz e por baixo os corações de Nosso Senhor Jesus Cristo e da Virgem Maria.

Nossa Senhora pediu à Catarina que mandasse cunhar uma medalha igual ao modelo apresentado, fazendo-lhe a seguinte promessa: “As pessoas que a usarem com fé e confiança receberão graças especiais”.

E assim foi cunhada, em Paris, e logo se espalhou pelo mundo inteiro, operando graças tão numerosas e extraordinárias, que os fiéis passaram espontaneamente a chamá-la “Medalha Milagrosa”.

A devoção a Nossa Senhora das Graças e a Medalha Milagrosa está presente no mundo inteiro devido à propagação da devoção realizada pelos Padres Lazaristas, pelas Filhas da Caridade e por toda a Família Vicentina.

Desde 1830, a invocação “Ó Maria, concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós” é pronunciada por cristãos no mundo todo.

O Papa Pio IX proclamou o dogma em 8 de dezembro de 1854, da Imaculada Conceição da Virgem Maria, ou seja, que Nossa Senhora foi preservada por Deus, desde o instante da sua concepção, do pecado original.

Vale lembrar que o dogma é uma Verdade de Fé que não pode ser negada por nenhum católico.

Antes de pedir que a medalha fosse cunhada, Nossa Senhora apareceu à Santa Catarina Labouré. Então, na madrugada de 19 de julho de 1830 revelou grandes calamidades e perseguições que aconteceriam na França. Ela alertou que as ideias deixadas pela Revolução Francesa representavam uma realidade satânica, que precisava ser esmagada por Nossa Senhora, a Imaculada Conceição, e por seus filhos.

Concílio de Trento

No Concílio de Trento, em 1563, a Igreja fixou o bom uso de medalhas, imagens, escapulários. Lembrando que quando veneramos as imagens não colocamos nossa fé diretamente nas imagens, mas sim nas pessoas que elas representam.

Devoção

A Medalha Milagrosa, assim como outras, nos ajuda a conservar o amor da Virgem Maria vivo em nosso coração e em nosso espírito. Isso nos estimula a demonstrar nosso reconhecimento através da fé e de um comportamento digno de um filho de Nossa Senhora.

quarta-feira, 8 de outubro de 2025

N. Sra. Aparecida - Leitura Espiritual - Outubro 2025

 

Nossa Senhora da Conceição… Aparecida!

Você conhece Nossa Senhora Aparecida? Já ouviu a história de como ela “apareceu”? Sabe sua provável origem? E sabe quem é Ela?

Descobrimos que muitas pessoas, por diversos motivos, não têm respostas para todas estas questões. Fizemos uma breve pesquisa e apresentamos aqui um primeiro artigo sobre a Padroeira do Brasil!

“Quem é esta?”

A imagem aparecida no rio Paraíba do Sul é uma representação de Nossa Senhora da Conceição, ou Imaculada Conceição: uma das várias invocações de Nossa Senhora, a Virgem Imaculada, Mãe de Jesus e nossa.

Nossa Senhora da Conceição é geralmente representada de mãos postas, como vemos na imagem aparecida, feita de terracota. Análises feitas na imagem determinaram que a argila utilizada para sua confecção é da região de Santana do Parnaíba, na Grande São Paulo.

Também se verificou que originalmente a imagem devia ser colorida, mas devido ao longo período em que esteve submersa nas águas do rio a policromia foi perdida.

À esquerda, a imagem original de Nossa Senhora da Conceição Aparecida (com cordões de adorno) e à direita um quadro da Imaculada Conceição

A imagem original, seguindo o estilo da época, pode ter tido este aspecto (fonte: Facebook):

Possível policromia original da imagem de Nossa Senhora Aparecida, por Wellington Reis

Uma pesca milagrosa

Guaratinguetá preparava uma recepção para o Conde de Assumar, Dom Pedro de Almeida, militar português que governava a Capitania de São Paulo e Minas do Ouro, em 1717.

Com a missão de conseguir muitos peixes para a comitiva do governador, três pescadores – Domingos Garcia, Filipe Pedroso e João Alves – rezaram à Virgem Mãe de Deus, pedindo sua intercessão nesse trabalho.

Três pescadores encontram a imagem (representação)

Tendo lançado as redes repetidas vezes sem sucesso, antes de desistir João Alves lançou-as mais uma vez. Não apanhou peixes, mas o corpo de uma imagem de Nossa Senhora, sem a cabeça. Emocionado, lançou as redes mais uma vez, desta vez trazendo à tona a cabeça da imagem, que se encaixava perfeitamente no corpo.

Lançadas as redes novamente, a pescaria foi abundante! Voltando a Guaratinguetá, os pescadores contaram tudo o que tinha acontecido e a população logo compreendeu a intervenção divina por trás dos fatos. Estes foram os primeiros milagres e o início da devoção a Nossa Senhora Aparecida.

De onde veio?

O fato de que a imagem tenha ido parar no rio Paraíba do Sul não é tão fora do normal: era costume que as imagens sacras de terracota, quando quebradas, fossem jogadas em rios ou então enterradas. O milagre está realmente em que suas partes tenham sido encontradas e reunidas da maneira que aconteceu neste caso.

Monumento a Frei Agostinho, em Santana do Parnaíba

As investigações sobre o estilo da imagem atribuem sua autoria ao Frei beneditino Agostinho de Jesus, que viveu no mosteiro de Santana do Parnaíba de 1645 a 1651. De fato, os mosteiros beneditinos sempre foram grandes propagadores da arte e da cultura, e no Brasil grandes difusores da escola artística de barro cozido, a arte bandeirante. O Frei Agostinho de Jesus  foi um dos precursores da chamada arte barroca colonial, destacando-se na produção de estatuária sacra em terracota. A maior parte de suas obras foi criada para as congregações beneditinas e são encontradas no Estado de São Paulo e no Rio de Janeiro. Acredita-se ainda que sua obra tenha inspirado o trabalho do mestre do barroco brasileiro, Antonio Francisco Lisboa, o Aleijadinho.

A devoção

A imagem encontrada ficou na casa de Filipe Pedroso por 15 anos, onde amigos e vizinhos se encontravam para rezar à Nossa Senhora da Conceição. Graças e mais graças começaram a acontecer e a história se espalhava Brasil afora. Por várias vezes, à noite, ao rezarem junto à imagem, as pessoas viam que as luzes se apagavam e depois acendiam misteriosamente – o chamado “milagre das velas”.

Foi construído um pequeno oratório em Itaguaçu, que em pouco tempo já era pequeno para o grande número de fiéis que para lá acorria. O vigário de Guaratinguetá decidiu então construir uma capela no morro dos Coqueiros, cujas obras terminaram em julho de 1745. O filho de Filipe Pedroso ajudou a construir essa capela.

No dia 20 de abril de 1822, o imperador Dom Pedro I, juntamente com uma grande comitiva, visitou a capela para prestar homenagem a Nossa Senhora Aparecida, como já era conhecida.

Em 1834 foram iniciadas as obras da igreja que é conhecida hoje como Basílica Velha. Ela era bem maior que a capela e foi consagrada no dia 8 de dezembro do ano de 1888.

A coroa e o manto, presentes da Princesa Isabel

A Princesa Isabel com os filhos Luís, Pedro e Antônio

A Princesa Isabel desejava muito ter um filho, porém sofreu vários abortos. A primeira gestação que levou até os nove meses foi de uma menina que, infelizmente, nasceu morta, em um parto longo e doloroso.

Muito devota de Nossa Senhora Aparecida, a Princesa Isabel pedia sua intercessão para ter um filho que herdasse o trono. Em 1868, ofereceu à milagrosa Senhora um manto ricamente adornado. Em 1875 nasceu seu primeiro filho, Pedro. Nasceram depois Luís e Antônio.

Em 6 de novembro de 1884 a Princesa Isabel presenteou a imagem da Virgem Aparecida com uma bela coroa feita de ouro, enfeitada com rubis e diamantes, cumprindo promessa feita a Nossa Senhora na sua primeira peregrinação.

A imagem de Nossa Senhora Aparecida foi coroada em 8 de setembro de 1904, entronizada com a coroa e o manto dados pela Princesa Isabel, símbolos de sua realeza e patrocínio. A celebração solene foi dirigida por D. José Camargo Barros, com a presença do núncio apostólico, muitos bispos, o presidente da República Rodrigues Alves e numeroso povo.

Rainha e Padroeira do Brasil

O Papa Pio XI decretou Nossa Senhora da Conceição Aparecida como Rainha e Padroeira do Brasil no dia 16 de julho de 1930. A nova Basílica, cuja construção foi iniciada em 1955, foi consagrada por São João Paulo II em 1980, em sua primeira viagem ao Brasil.

A Lei Federal nº 6.802 (30/06/1980) decreta oficialmente o dia 12 de outubro como feriado nacional para culto público e oficial de Nossa Senhora Aparecida e a reconhece como sendo a padroeira do Brasil.

Por que 12 de outubro?

A festa de Nossa Senhora Aparecida já foi celebrada em diversas datas: dia da Imaculada Conceição (08/12); 5º domingo após a Páscoa; 1º domingo de maio (mês de Maria); 7 de setembro (Dia da Pátria).

A escolha do dia 12 de outubro foi feita na assembleia geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em 1953. Essa data teria sido escolhida por haver associação com a data do Descobrimento da América (12 de outubro de 1492).

Seja como for, de acordo com informações do Santuário a imagem aparecida foi encontrada em outubro de 1717, dando início a esta devoção tão querida ao povo brasileiro.

Bibliografia:

do site: TotusMariae

A Imagem - O documento da “Criação da Villa de Jacarehy” escrito por Jorge de Souza Pereira, Tabelião do Público Judicial e notas da Villa de Santa Anna das Cruzes de Mogy-Mirim, de 21 de Novembro de 1653, relata o motivo pelo qual Jacareí naquele momento histórico deixou de ser o povoado para se oficializar como “Villa” frente ao poder constituído representativo da “Real Coroa Portuguesa De Sua Magestade que Deos Guarde”.

Uma história muito interessante envolve a antiga Capela de N. Sra. da Conceição de Jacarehy. Segundo relatos dos mais antigos, onde hoje está a Igreja Matriz, do lado de trás havia um enorme brejo que era abastecido pelos rios locais. Nesses rios habitava um monstro que devorava crianças e animais e assustava os habitantes do pequeno povoado. Então, para apaziguar a fera, as pessoas acreditavam que se jogassem a imagem de Nossa Senhora da Conceição, padroeira do povoado, esta espantaria o assombro. Foi aí que um padre da antiga Capela criou coragem e arremessou a imagem da Santa no brejo. 

A Igreja Matriz de Nossa Senhora da Imaculada Conceição de Jacareí, São Paulo. Foi construída por volta de 1654, passou por varias reformas arquitetônicas nos Séculos XVIII e XIX. Conservou essa denominação do Dogma da Imaculada Conceição pelo Papa Pio IX em 1854.

quarta-feira, 23 de julho de 2025

Leitura Espiritual de Julho 2025


Da Saudação Angélica

Ave, gratia plena, Dominus tecum – “Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo” (Lc 1, 28)


Sumário. Entre todas as orações que a Igreja dirige à Santíssima Virgem, a Saudação Angélica, ou a Ave-Maria, é a mais excelente em si mesma, a mais agradável ao coração da divina Mãe e a mais útil para nós. A experiência demonstra que o que saúda a Maria com esta oração é logo retribuído por ela com algum favor especial. Recitemo-la, pois, frequente e devotamente durante o dia, mormente no princípio e no fim de cada ação. Felizes as ações que forem compreendidas entre duas Ave-Marias.

I. Considera que entre todas as orações que a Igreja dirige à Santíssima Virgem, a mais excelente, a mais aceita e a mais útil é a Ave-Maria.

Ela é a mais excelente considerada em si mesma; porque foi composta, por assim dizer, pela Santíssima Trindade e pronunciada a primeira vez pelo Arcanjo São Gabriel e depois por Santa Isabel, então cheia do Espírito Santo. Pelo que o Bem-aventurado Alano afirma que a Saudação Angélica, pela sua excelência, alegra todo o céu, enche a terra de prodígios, faz tremer e põe em fuga o demônio.

Em segundo lugar, ela é a mais aceita ao coração da Virgem, pois, quando dizemos Ave-Maria, parece que se lhe renova o prazer que sentiu quando lhe foi anunciado que havia sido eleita para Mãe de Deus. Mais, pela Ave-Maria mostramos que tomamos parte em sua felicidade, lembrando-lhe as suas grandezas. Disse a mesma divina Mãe a Santa Mechtildes, que nada lhe podia ser mais honroso e mais agradável do que a oferta frequente da saudação do Anjo.

Finalmente, a Ave-Maria é, depois da Oração Dominical, a mais útil para nós, porque, quem saúda Maria, será também por ela saudada. São Bernardo ouviu uma vez distintamente saudar-se por uma imagem da Virgem, que lhe disse: Ave, Bernarde; e a saudação de Maria, diz São Boaventura, consistirá numa graça especial.

“Com efeito, como poderá a divina Mãe negar a graça a quem a invoca com uma oração tão sublime?” Em suma, Maria mesma prometeu a Santa Gertrudes tantos auxílios para a hora da morte, quantas Ave-Marias ela tivesse rezado; e são inúmeros os fatos que o confirmam.

II. A prática do obséquio tão excelente, tão aceito e tão útil, da Ave-Maria, seja: em primeiro lugar, recitar cada dia, pela manhã e à noite, ao levantar e deitar-se na cama, três vezes a Ave-Maria, com o rosto em terra ou ao menos de joelhos, acrescentando a cada Ave esta ejaculatória: Pela tua pura e imaculada conceição, ó Maria, faze puro o meu corpo e casta a minha alma. Depois, pedir a benção a nossa boa Mãe, conforme sempre praticava Santo Estanislau; e em seguida, pôr-se debaixo do manto de Nossa Senhora, pedindo-lhe que nos guarde de cair em pecado, naquele dia, ou noite que se segue. Para este fim, convém ter perto da cama uma bela imagem da Virgem.

Segundo, dizer o Angelus Domini ou o Anjo do Senhor, com as costumadas três Ave-Marias, pela manhã, ao meio dia e à noite. Os Religiosos podem nesses três tempos renovar mentalmente os seus votos, como costumava fazer São Leonardo de Porto Maurício.

Em terceiro lugar, saudar a Mãe de Deus com uma Ave-Maria quando se ouve tocar o relógio, ou cada vez que se passa por diante de uma imagem da Virgem.

Finalmente, dizer sempre uma Ave-Maria, no princípio e no fim de cada ação, quer espiritual, como a oração, a confissão, a comunhão, a leitura espiritual e outras semelhantes; quer temporal, como estudar, dar conselho, trabalhar, ir para a mesa, para a cama, etc. Felizes as ações que ficarem compreendidas entre duas Ave-Marias. – Assim digamos também a mesma oração quando acordamos pela manhã, quando adormecemos, em qualquer tentação, perigo, ímpeto de ira e semelhantes. Amado leitor, pratica isso e verás a suma utilidade que para ti resultará d’aí.

_ Santo Afonso Maria de Ligório -

sábado, 7 de junho de 2025

Leitura Espiritual de Junho 2025


Coração de Maria, imagem fiel do Coração de Jesus

“Sua Mãe conservava todas estas palavras em seu coração” (Lc 2, 51)

Sumário. Todas as qualidades que contemplamos no Coração de Jesus acham-se, com as devidas proporções, também no Coração de Maria, sua Mãe. Durante os trinta anos que a Virgem Santíssima conviveu com Jesus, não fez senão estudar continuamente no livro do Coração do Filho. Se, pois, amamos deveras a Maria e queremos ser seus dignos filhos, estudemos igualmente o Coração de Jesus e aprendamos de Nossa Senhora a praticarmos a humildade e o amor para com Deus e para com o próximo.

I. (...)  Com efeito, que coração há mais amável que o Coração de Maria? Coração todo puro, santo, imaculado, perfeito; Coração, em suma, no qual Deus acha as suas delícias, as suas complacências. – Coração ao mesmo tempo tão amante dos homens, que, se todas as criaturas unissem as suas forças, nem de longe conseguiriam igualar o amor de Maria. Este amor de Maria para com o gênero humano, rivalizando com o do Eterno Pai, levou-a a fazer o sacrifício doloroso, de entregar à morte seu Filho inocente. Leva-a continuamente a compadecer-se com ternura maternal das nossas misérias; a socorrer-nos generosamente em nossas necessidades; a ser-nos reconhecida e recompensar fielmente qualquer obra boa feita por seu amor, qualquer palavra dita para glória sua, cada bom pensamento que lhe agrada.

Como retribuição de todos os benefícios que a divina Mãe nos dispensou e ainda continuamente nos dispensa, não exige senão nosso amor; porquanto seu coração, à semelhança do de Jesus, é um coração desejoso de ser amado. – Vê, portanto, quanta aflição deve sentir vendo-se pago com desprezos. Não sejas tu do número daqueles ingratos que assim afligem a nossa terna Mãe.

II. (...) Se, pois, amas a Maria, deves, à sua imitação, estudar continuamente no livro do Coração de Jesus Cristo, afim de nele aprender todas as virtudes, especialmente as que te sejam mais necessárias como, por exemplo, o desapego da terra, a humildade, a mansidão, a resignação e sobretudo o amor para com Deus e para com o próximo. – Se não tens a coragem de estudar em tão grande livro, pede-a à divina Mãe.

Ó Coração de Maria, Mãe de Deus e Mãe nossa; Coração amabilíssimo, objeto da complacência da adorável Trindade, de toda a veneração e amor dos anjos e dos homens; Coração mais semelhante ao de Jesus, do qual sois imagem perfeita; Coração cheio de bondade e todo compassivo com as nossas misérias: dignai-vos tirar a frieza de nossos corações e fazei que sejam transformados à semelhança do Coração do divino Salvador. Infundi-lhes o amor a vossas virtudes; abrasai-os no fogo feliz, que está continuamente ardendo em vosso Coração.

Abrangei a santa Igreja, guardai-a e sede-lhe sempre doce asilo e torre inexpugnável contra todos os assaltos dos seus inimigos. Sede-nos o caminho para irmos a Jesus e o canal pelo qual nos venham todas as graças necessárias para nossa salvação. Sede nosso socorro nas aflições, nosso conforto nas tentações, nosso refúgio nas perseguições, nosso auxílio em todos os perigos, especialmente nos últimos combates de nossa vida na hora da morte, quando todo o inferno se desencadear contra nós para roubar nossas almas, naquele momento terrível do qual depende a eternidade. Ó Virgem piedosíssima, deixai-nos experimentar então a doçura do vosso coração maternal e a eficácia do vosso poder para com o Coração de Jesus, abrindo-nos nesta fonte mesma da misericórdia um abrigo seguro, no qual possamos um dia chegar a bendizê-lo no paraíso por todos os séculos dos séculos.

Conhecidos, louvados, benditos, amados, servidos e glorificados, sejam sempre e por toda parte o diviníssimo Coração de Jesus e o puríssimo Coração de Maria.

_ Santo Afonso Maria de Ligório - 


 

quinta-feira, 8 de maio de 2025

Leitura Espiritual - Maio 2025



Vida Mariana - O que é um Congregado Mariano:

É um cristão católico que busca o crescimento de sua vida, no seguimento de Jesus Cristo e de uma ardentíssima devoção, reverência e amor filial a Nossa Senhora, assim, está sempre a procura de sua “santidade pessoal” e do “próximo“.

Por que se chama Congregado?

Porque ele “se congrega” a outros animados dos mesmos desejos, sob a direção de um sacerdote, quando houver, ou sob a orientação de um Congregado Mariano já experiente, formando a “Congregação Mariana“.

Isto não é querer ser mais do que os outros?

Não. Apenas quer encontrar a sua identidade de cristão leigo engajado, aprendendo a conviver e conhecer a Jesus Cristo, e através desta experiência íntima, deixando-se amar e amando cada vez mais o Deus da Vida. Quer ser melhor do que seria se vivesse uma vida comum do católico. Mais ainda, o congregado deseja que todos sejam iguais a ele e até melhores. Ser Congregado não é, pois “ser mais do que os outros“; é simplesmente servir mais a Deus e a Maria Santíssima.

Que quer dizer buscar a Santificação?

Santificação é a conservação e aumento da graça de Deus em nós, pelos Sacramentos e pela prática das virtudes cristãs. Santidade não é vida milagrosa, penitências extraordinárias. É sim, o aumento da graça em nós, do jeito que somos e no ambiente em que vivemos, pois os caminhos da santidade são variados e apropriados à vocação de cada um. A santidade é para todo cristão e muito mais para o congregado. Para ser santo, deve ele sempre aumentar a graça da amizade de Deus recebida no batismo, juntamente com os Dons do Espírito Santo e as virtudes teologais (Fé, Esperança e Caridade). Deve procurar adquirir cada vez mais as virtudes morais: justiça, prudência, temperança e fortaleza que são à base de todas as outras virtudes.

Que quer dizer “procurar a salvação e santificação do próximo“?

Sente-se responsável e solidário com seus irmãos, principalmente com os mais necessitados. O congregado deve levar o próximo, primeiro: a praticar a religião e a viver na graça de Deus, porque sem isso não há salvação; segundo: a aperfeiçoar sua vida cristã pela prática, até heróica das virtudes: do perdão, da correção fraterna e do amor.

Fonte: Vida Mariana do Padre Paulo Paulo de Souza,SJ - por Eduardo L. Caridade


***

O cristão bom e fervoroso dá naturalmente o bom e fervoroso Congregado, que, segundo as regras:

 
1. Prepara com uma confissão geral a sua entrada na Congregação e cada ano, ou cada semestre, faz confissão geral desde a última;

2. Comunga frequentemente, ou diariamente;

3. Tem à Ssma Virgem Maria uma devoção muito particular, confiando-lhe tudo, servindo-a com amor filial e generosidade e imitando-lhe as virtudes: humildade, pureza, trabalho, piedade, fortaleza;

4. Não falta sem motivo grave aos atos ordinários e extraordinários da Congregação, mesmo quando isto lhe custe sacrifícios;

5. Obedece, com prontidão, sentimento de vontade e amor, às ordens e conselhos do Diretor, no que respeita à vida da Congregação e tem particular estima e respeito ao Presidente e Oficiais, obedecendo-lhes no que pertence ao cargo de cada um;

6. Ama seus irmãos com amor eficaz, encomenda-os a Nosso Senhor e presta-lhes todos os serviços que a caridade aconselha;

7. Entrega-se de coração e com afinco às obras de caridade, misericórdia, zelo e propaganda, formação, etc, da Congregação;

8. Vota à Congregação um amor sem reservas, procura que os mais a estimem, atrai ao seio da Congregação os que considera capazes e se esforça, quanto em si cabe, para que os Congregados sejam outros tantos apóstolos da glória de Deus e de sua Mãe Santíssima.

9. Um filho predileto de Maria deve prezar-se de ganhar os corações dos companheiros para o amor de tão Santa Mãe, inspirar-lhes a estima da Congregação e edificá-los em tudo e em toda parte. Tais são os filhos que vão, com a graça de Deus e o auxílio de Maria Santíssima, realizar plenamente os ideais apostólicos das CCMM.

10. Além desses deveres, deve o congregado esforçar-se para fazer parte sempre das práticas particulares da congregação.


terça-feira, 8 de abril de 2025

Leitura Espiritual - Abril 2025

 Morte de Jesus




“E inclinando a cabeça, rendeu o espírito” (Jo 19, 30)

Contempla como depois de três horas de agonia, pela veemência das dores, as forças faltam a Jesus; entrega o corpo ao próprio peso, deixa cair a cabeça sobre o peito, abre a boca e expira. Alma cristã, dize-me: não merece porventura todo o nosso amor um Deus que, para nos salvar da morte eterna, quis morrer no meio dos mais atrozes tormentos? Todavia, como são poucos os que amam e muitos os que, em vez de O amarem, Lhe pagam com injúrias e ultrajes.

I. Considera que o nosso amável Redentor é chegado ao fim da sua vida. Amortecem-se-Lhe os olhos, o seu belo rosto empalidece, o coração palpita debilmente, e todo o sagrado corpo é lentamente invadido pela morte. Vinde, anjos do céu, vinde assistir a morte do vosso Deus. Vós, ó Mãe dolorosa, Maria, chegai-vos mais próxima à cruz, levantai os olhos para vosso Filho, e contemplai-O atentamente, porque está prestes a expirar.

Pater, in manus tuas commendo spiritum meum (1) — “Pai em vossas mãos entrego o meu espírito”. É esta a última palavra que Jesus profere com confiança filial e perfeita resignação com a vontade divina. Foi como se dissesse: Meu Pai, não tenho vontade própria; não quero nem viver nem morrer. Se é vossa vontade que eu continue a padecer sobre a cruz, eis-me aqui, estou pronto para obedecer; em vossas mãos entrego o meu espírito; fazei de mim segundo a vossa vontade. — Tomara que nós disséssemos o mesmo, quando temos alguma cruz, deixando-nos guiar pelo Senhor, conforme o seu agrado. Tomara que o repetíssemos especialmente no momento da morte! Mas para bem o fazermos então, devemos praticá-lo muitas vezes em nossa vida.

E eis que finalmente, enquanto treme a terra, se abrem os túmulos e se rasga o véu do templo, eis que pela veemência da dor faltam as forças ao Senhor moribundo, baixa o calor natural, falha a respiração. Jesus abandona o corpo ao próprio peso, deixa cair a cabeça sobre o peito, abre a boca e expira. — Parti, ó bela alma do meu Salvador, parti e ide nos abrir o paraíso, fechado até agora, ide apresentar-Vos à Majestade divina, e alcançai-nos o perdão e a salvação.

II. Morreu! Ó Deus! Quem é que morreu? O Autor da vida, o Unigênito de Deus, o Senhor do mundo. Ó morte, que fizeste pasmar o céu e a natureza! Um Deus morrer pelas suas criaturas! — Vem, minha alma, levanta os olhos e contempla esse Homem crucificado. Contempla o Cordeiro divino já imolado sobre o altar da dor; lembra-te de que Ele é o Filho dileto do pai Eterno, e que morreu pelo amor que te tem dedicado. Vê esses braços abertos para te acolherem; a cabeça inclinada para te dar o ósculo de paz; o lado aberto para te receber. Que dizes? Não merece ser amado um Deus tão bom e tão amoroso? Ouve o que do alto de sua cruz te diz o Senhor: Meu Filho, vê se há alguém no mundo que te tenha amado mais do que eu, teu Deus!

Ah meu Jesus, já que para minha salvação não poupastes a vossa própria pessoa, lançai sobre mim esse olhar afetuoso com que me olhastes um dia, quando estáveis em agonia sobre a cruz; olhai-me, iluminai-me, e perdoai-me. Perdoai-me em particular a ingratidão que tive para convosco no passado, pensando tão pouco na vossa paixão e no amor que nela me haveis mostrado. Dou-Vos graças pela luz que me concedeis de compreender através de vossas chagas e de vossos membros dilacerados, como por entre umas grades, o afeto tão grande e tão terno que ainda guardais para comigo.

Ai de mim, se depois de receber estas luzes deixasse de Vos amar, ou amasse outra coisa que não a Vós. Morra eu, assim Vos direi com São Francisco de Assis, morra eu por amor de vosso amor, ó meu Jesus, que Vos dignastes morrer por amor de meu amor. Ó Coração aberto de meu Redentor, ó morada feliz das almas amantes, não Vos dedigneis receber agora minha misera alma.

Ó Maria, ó Mãe de dores, recomendai-me a vosso Filho, a quem vedes morto sobre a cruz. Vede as suas carnes dilaceradas, vede o seu Sangue divino derramado por mim, e conclui disto quanto lhe agrada que lhe recomendeis a minha salvação. A minha salvação consiste em que eu O ame, e este amor vós mo deveis impetrar, mas um amor grande, um amor eterno.

Sto. Afonso Maria de Ligório


segunda-feira, 17 de março de 2025

Leitura Espiritual de Março

 


Leitura Espiritual

São José – Maior que os Anjos

São José, podemos afirmar com fundamento, se avantaja em dignidade e excelência aos próprios Anjos.

Esta doutrina tem razões sólidas para aboná-la, e não repugna teologicamente. Dizem os melhores teólogos Josefinos que o Santo Esposo de Maria foi predestinado numa ordem e grau mais sublimes que todos os espíritos angélicos.

Os Anjos são ministros, servos do Senhor. São José foi pai adotivo do Senhor, Verbo Encarnado. Os Anjos são os servos, os executores das ordens divinas. São José teve sob o seu governo e tutela e, obediente a ele e Maria, o próprio Deus durante trinta anos.

Et erat subditus illis. E estava sujeito, obediente a eles. Os Anjos obedecem a Deus. E Deus obedeceu a São José.

Os Anjos tiveram íntimas relações com o Verbo Encarnado e exerceram ministérios em ordem do Mistério da Encarnação. O Arcanjo Gabriel anuncia a Zacarias o nascimento do Precursor de Cristo e o mesmo Arcanjo anuncia a Virgem Santíssima o Mistério da Encarnação do Verbo. Os Anjos anunciam aos Pastores o nascimento do Salvador.

Um Anjo aparece a José para salvar o Menino-Deus da perseguição de Herodes. E de novo o avisa, quando morre o perseguidor, a que volte para Nazaré. Os Anjos servem a Jesus no deserto. Um deles conforta-O no Horto, e, na Ressurreição levantam a lousa do sepulcro, aparecem às santas mulheres.

Todos estes ministérios, porém, podem ser maiores que o de São José para com Jesus Cristo?

As afinidades de São José com Cristo são mais íntimas, mais profundas, especiais e diretas. Foi pai de Jesus, Rei dos Anjos, e esposo de Maria, Rainha dos Anjos.

Por mais que meditemos; nas prerrogativas e privilégios e grandezas dos Anjos, estas criaturas mais perfeitas que o Homem, nunca poderemos encontrar razão alguma que os torne superiores ao Santo Patriarca. Não há dúvida: pode chamar-se São José da Celeste Milícia.

Mons. Ascânio Brandão