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sábado, 22 de dezembro de 2018

Meditação para o 4° Domingo do Advento

Pe. João Mendes S.J

       A vinda do Messias à alma é um avanço da graça e uma correspondência do homem. A nossa Vida é um encontro: porque a Promessa não falta, e da nossa parte, trazemos em nós um desejo antigo, a demanda vaga de qualquer bem misterioso que venha saciar a expectativa. Somos um Advento. Temos, pois, que preparar os caminhos do Enviado, indo ao seu encontro, com uma grande pureza: " Preparai o caminho do senhor, endireitai as suas veredas". E isto, não de uma vez para sempre, porque Cristo está sempre a vir, e nós sempre a espera-lo.
     Os Judeus não O receberam, nem mesmo O reconheceram. Que é que os impediu de descobrirem o Messias? O conceito grosseiro que dEle faziam. Também aqui se pode dizer que cada um tem os deuses que desejar e merecer.


1. SE PROCURARMOS UM MESSIAS ESPIRITUAL

     1. OS JUDEUS ESPERAVAM UM MESSIAS TEMPORAL, um reino vitorioso da terra, que lhes traria todas as prosperidades. A pobreza e a humilhação ainda não eram tidos como bem-aventuranças. " Os pobres são evangelizados..." dizia N.S. Jesus Cristo no Evangelho de um dos domingos anteriores; e era esse um dos sinais dos tempos messiânicos. O Antigo Testamento, em relação ao Novo, pode considerar-se como uma espécie de infantilidade moral, em que a alma humana e sua consciência andavam ainda sob o pedagogo que a conduziria à maioridade do Cristianismo.
     E nós embora com fé, continuamos talvez o mesmo erro e ilusão, pretendo harmonizar Cristianismo e vida regalada. Conhecemos o verdadeiro Cristo, naquele continuado Advento, que corresponde à nossa continuada expectativa do Bem verdadeiro? Que são as graças que pedimos e as orações que fazemos, senão a configuração da nossa esperança? E não são elas, as mais das vezes, pedidos de coisas materiais? Qual for a nossa esperança tal será o nosso Messias....
      2. O MEU REINO NÃO É DESTE MUNDO. O motivo por que o Redentor exige o sacrifício não só do material mas, até, muitas vezes, do que é meramente natural, é que a sua mensagem é sobrenatural. Àquele sonho de grandeza e de superação desmedida, que em nós, vagamente dormita, corresponde Ele com o dom inaudito da Filiação Divina. Vem fazer-nos homens espirituais e celestes, que olham ao largo e ao longe. E, o homem material, infiel à sua própria e mais autêntica ambição, não compreende o homem espiritual. Foi por isso que os judeus não compreenderam a grandeza de Cristo, ao colocar o segredo da vida para além da morte. No centro do cristianismo viria a estará cruz, como ponto de perspectiva. Como poderiam receber um messias crucificado aqueles que amavam os frutos da terra e os rebanhos, e que mediam por eles as predileções de Deus? É a tendência arraigada em nós, pelo nosso comodismo egoísta, de transformarmos e medirmos o favor de Deus, em termos de prosperidade tranquila: o Senhor é nosso amigo se tudo correr bem ...

2. SE PROCURARMOS UM MESSIAS HUMILDE

      1. O SALVADOR DE ISRAEL... O Messias era, também, para os judeus, o libertador político, o restaurador das honras perdidas, alguém que viria a consagrar-lhes as posições ocupadas. Para os sacerdotes e fariseus seria uma espécie de apoio político da influência religiosa.
     Nós, também, não desejaremos, secretamente, um Cristianismo honrado e honroso, lucrar em honra e proveito com o nome de cristãos? A defesa da civilização cristã não será, muitas vezes, um disfarce de egoísmo?
     2. MONTES E OUTREIROS SERÃO ARRASADOS...ora Cristo vem trazer a guerra, não aos romanos, o que seria muito pouco, mas ao nosso egoísmo; vem desalojar-nos das posições cômodas e adquiridas. Como Deus é a única realidade, onde estiver Deus não pode estar o eu. Que será a humildade senão a capacidade de Deus?
     As predileções de Cristo não são, assim, muito lisonjeiras para o nosso amor próprio: " Hão de perseguir-vos e arrastar-vos, por sinagogas e cadeias, levando-vos à presença de reis e governantes, por causa do meu nome". As perseguições que estamos a presenciar são, pois, o normal, e outra coisa é que seria para estranhar. Ai de nós, que o mundo contemporizar com a Igreja...

CONCLUSÕES

     1.VEREMOS A SALVAÇÃO DE DEUS...A pureza da esperança é um modo de abnegação, porque é a fidelidade à nossa mais legítima grandeza. A sensualidade, egoísmo do corpo, e a soberba, egoísmo da alma, é que enredam os labirintos da nossa vontade, são o que nos tira a disponibilidade. Quem se despojar será receptivo, porque simples, honrado, bem intencionado, sem a rede oculta dos interesses criados, que tem medo de Deus. Foram eles que não deixaram os fariseus reconhecer o Messias, nascido no despojamento e na humildade do presépio.
     2. A TORRE DE BABEL. As doutrinas e sistemas que separam os homens, sobretudo atualmente, a destruição das idéias de bem e de mal e de virtude, a apologia da violência e do extermínio - que é tudo isso senão o ídolo excogitado e esculpido pelas ambições de cada um? Teremos o Messias que merecermos. A preparação para o Enviado, ou o noviciado da esperança, é tudo na alma do homem, porque ele é o princípio da felicidade ou da perdição. Ainda antes de sabermos que ele virá, o instinto moral já nos advertiu que " Aquele que há de vir " há de ser alguma coisa de sacrossanto e de muito alto; e que , para O acolhermos, devemos ser leais e puros conosco mesmos. A pregação de São João Batista é, pois, a voz da nossa própria consciência: " Preparai o caminho do Senhor, endireitai suas Veredas ....""

sábado, 15 de dezembro de 2018

Meditação para o 3° Domingo do Advento

Pe. João Mendes S.J

     No Evangelho do Domingo de hoje, os Sacerdotes interrogam o Batista acerca da sua Pessoa e missão. Ele nega as honras que lhe atribuem, e faz o elogio de Cristo.
     Todo o cristão é, ou deve ser, também o precursor de Cristo, seu advento e manifestação, nos tempos em que viver. Temos a Verdade e a Vida a Anunciar. "Somos testemunhas" dizem continuamente os Apóstolos, depois de Cristo subir ao céu; e não podemos deixar de testemunhar aquilo que vimos e ouvimos. O mesmo podemos todos nós afirmar; foi-nos entregue o tesouro inaudito da luz de Deus, porque o Senhor depois de se manifestar, uma vez, quer revelar-se aos homens através dos homens.
     Cumpramos, pois, o que é próprio de toda a testemunha: ter conhecimento do que atesta, e atestá-lo com desinteresse e coragem.

1. INFORMAÇÃO DO DEPOIMENTO

     1.EM TEORIA. É preciso estar informado do que se atesta, pois ninguém pode testemunhar o que ignora. O Batista conhecia a Cristo sobrenaturalmente, desde o ventre de sua mãe; e mais tarde cuidou de se informar melhor.
     E nós? Conheceremos o Mestre melhor do que tantas bagatelas com que ocupamos a curiosidade? A minha cultura cristã será, pelo menos, proporcional à minha cultura profana? No campo da minha profissão e das minhas relações habituais, possuo os conhecimentos suficientes para dar testemunho de Cristo?
     2.NA VIDA. Nas sociedades modernas paganizadas, talvez a luz de Cristo não chegue a muitos homens mais do que através  do nosso proceder. Donde vem a necessidade premente da Ação Católica senão de que Cristo só aparece a muitas almas nos informes que Dele dão a vida dos cristãos? Ora, se algum pagão tivesse de julgar do Cristianismo e de Cristo, somente pelo reflexo da luz de Deus em mim, somente pelo meu testemunho vivido, que ideia faria ele de um e de outro? Se todo cristão é o Cristo do seu tempo, serei eu um autêntico? Ou, pelo contrário, escureço e atraiçoo a Verdade, deixando corromper, nas minhas ações, a Luz e a Vida?

2. DESINTERESSE E CORAGEM NA AFIRMAÇÃO

     1.DESINTERESSE. À testemunha nada mais interessa do que dizer a verdade; é essa a sua razão de ser e a sua glória. "Eu não sou o Cristo" dizia o Batista; " não sou digno de lhe desatar as sandálias" São João não quer as honras de Cristo, pois não é mais do que testemunha que desaparece diante do que atesta: " sou a voz que clama no deserto".
     O nosso caráter de testemunhas procede de que, verdadeiramente, só há uma realidade: Deus e seu Cristo. Por isso " somos servos inúteis, não fazemos mais do que o nosso dever". Na medida em que apagamos os traços do nosso egoísmo, e vivermos a semelhança e a vida de Deus, nessa medida revelamos a face divina, nessa medida seremos perseguidos pelo mal, mas também amados pelos bons.
     Mas não me darei eu, muitas vezes, como Messias? Não usurpo a sua glória, servindo-me do meu caráter de testemunha? Vaidades, aplausos, despiques, - quantas coisas pequeninas e miseráveis se intrometem nesta grande causa, onde os interesses são divinos e se jogam destinos eternos!
     2. CORAGEM. O Batista pagou, com a prisão e a morte, a sua pregação destemida. Os Apóstolos, nos tribunais judeus e romanos, não calavam o que sabiam. Os Mártires de todos os tempos disseram, com o sangue, que Cristo é o Filho de Deus.
     Estamos, de novo, numa época de martírios. Preparamo-nos para os afrontar? Vencemos, ao menos, o respeito humano, que é o martírio em ponto pequeno? Aos mártires suprime-os o mundo como importunos, do mesmo modo que suprimiu a Cristo: " fora!, fora!". A nós, com a troça ou o desdém, pretende que também nos calemos, ou não nos mostremos como cristãos. Temos nós a coragem de arrostar este pequeno esboço de martírio?

CONCLUSÕES

     1. SOMOS SINAL DE DEUS, sua imagem e seus filhos, membros de Cristo total, prolongando-se nos nossos tempos. O cristianismo é a permanência ininterrompida de muitas testemunhas a favor do Messias, que vão chegando com a sua luz e a sua vida, para O revelarem e O manterem atual. Apóstolos, Mártires, Virgens, Confessores, todos devem transmitir o mesmo depósito Sagrado, a "tradição", ou a "entrega" duma herança preciosa, que é a imagem de Cristo, numa presença vivida.
     2. E GUARDAS DUM TESOURO. Guardemo-lo com desinteresse, porque só Deus é grande, e nós não passamos de servos inúteis. Na medida em que usurpássemos a glória de Deus, nessa medida nos diminuiríamos. E com coragem! Soldados de Cristo que, na Confirmação, recebem o Sacramento que dá força aos Mártires e Confessores, não deixemos quebrar-se, em nós esse elo de verdade e vida; e transmitamos, ao futuro, um Cristo mais amado e conhecido, uma imagem mais perfeita da vida cristã. "Guarda o que te foi confiado".

Novena de Natal

Começa hoje a Novena de Natal, convidamos a todos os nossos leitores a rezar conosco nestes dias a Novena composta por Santo Afonso Maria de Ligório. Durante a Novena não teremos o terço ao vivo nas quartas-feiras, em breve disponibilizamos as fotos da novena que será realizada nas casas dos nossos congregados. Disponibilizamos abaixo o link para o livreto da novena de Natal.

https://onedrive.live.com/view.aspx?resid=C66F182E3FF9E7AA!182&cid=c66f182e3ff9e7aa&app=WordPdf


SALVE MARIA AUXILIADORA!!!

sábado, 8 de dezembro de 2018

Meditação para o 2° domingo do Advento

Pe. João Mendes S.J

          O Batista, preso por Herodes, envia a Cristo alguns dos seus discípulos para que tomem contato com a Verdade. Depois de eles se despedirem, o mesmo Cristo faz a apologia da austeridade da vida de seu Precursor.
          A história evangélica deste domingo consta, pois, de um reconhecimento do Messias, e do elogio que depois faz o mesmo Messias do Profeta que O anunciou. Ora todos nós temos de conhecer a Cristo e de O anunciar: - conhecer porque ele é tudo para nós, é o Enviado do Pai, sua imagem e nosso caminho, a Verdade e a Vida; se Ele passar perto de nós e O não virmos e amarmos, perdemos tudo, e mais valia não ter nascido;  - anunciar, porque quem o viu possui o segredo da vida e da eternidade que não pode guardar só para si; recebeu a luz da vida íntima de Deus, e terá de refleti-la para as trevas, ser " luz no Senhor" e "bom odor de Cristo", ser precursor.

1. PARA CONHECER A CRISTO

     1. VEJAMOS AS OBRAS ADMIRÁVEIS, os milagres que praticava:- " os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são limpos, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam....". A natureza obedece docilmente ao Enviado de Deus, e o milagre é o estremecimento do mundo diante do poder sobrenatural que o visita. " Quem é este a quem os ventos e os mares obedecem?."
      É o Verbo por quem todas as coisas foram feitas, que veio ao " seu próprio domínio", e que dele dispõe como lhe apraz. Mais que este ou aquele milagre, a grande maravilha da vida de Cristo é a naturalidade com que, sem ostentação nem esforço, se move dentro de um campo em que é senhor absoluto.
     2. REDENÇÃO DA POBREZA E DA HUMILDADE.- É um dos sinais maravilhosos que Cristo aponta, logo a seguir ao da ressurreição dos mortos, como se só a Onipotência pudesse transfigurar a humildade. E assim é. Quem sabe o menosprezo em que era tida a pobreza na antiguidade, e até entre os mesmos judeus, bem pode supor como era necessário um poder divino para a levantar da abjeção. Os humildes eram homens, sim, mas para contrabalançar o apreço das riquezas na mente do vulgo, era necessário que o interesse de Deus viesse busca-los e valorizá-los na sua humildade. A grande, a fundamental redenção dos pobres, o que os muda em sua essência, não são os salários mais baixos ou mais altos, é a predileção e o apreço que Deus tem por eles. Em sentido paralelo, podíamos dizer com um escritor moderno: " Era fácil morrer pela bondade ou pela beleza , pela Pátria ou pelos filhos ou por uma civilização, mas só um Deus podia morrer pelos maus e pelos corruptos".

2. ANUNCIAR A CRISTO

     1. REQUERE-SE AUSTERIDADE DE VIDA.- É o que se depreende do elogio do Batista, feito por Cristo : " Quem fostes ver no deserto? Uma cana agitada pelo vento? ..." Só um precursor penitente podia preparar o caminho à pregação de penitência do Messias. S. Pedro, S. André, S. João, se com tanta facilidade seguiram a Cristo, foi porque antes tinham sido preparados pelo Batista.
     Quem quiser anunciar um Mestre crucificado, não pode levar vida cômoda; quem for arauto do sobrenatural, não pode viver ao foro do mundo. Trazer a Boa Nova de Cristo é alguma coisa de tão puro e sagrado, que só a santidade o poderá fazer sem traição. A penitência é pois, uma maneira de delicadeza e respeito, o apagamento do eu diante do Senhor e da Verdade que se anunciam.
     2. REQUERE-SE O PODER POLOGÉTICO DO EXEMPLO.-  A santidade é uma espécie de milagre, porque é uma vitória sobre o mundo, domínio sobre atrativos que costumam seduzir a maioria dos homens. "Ide contar ...o que vistes e ouvistes.."... Que admirável coisa não é a harmonia de palavras e obras, de doutrina e ação; a virtude é a verdade traduzida em vida, uma prova de que a verdade "serve" ao homem, que é a boa e lhe fica à medida e lhe traz a felicidade.
     E pelo contrário, o mau exemplo é o mesmo que dizer que a verdade não é desejável, que não acreditamos, portanto, no que dizemos. Sendo toda a ação um pensamento realizado, quem não for coerente com suas idéias nega por  um lado o que afirma por outro. Implicitamente, confessa que as doutrinas que segue as defende por honra da firma, mas não por uma exigência de paz e alegria.

CONCLUSÕES

     1. BEM AVENTURADO AQUELE QUE SE NAO ESCANDALIZAR COMIGO.- A vida de Cristo causa escândalo, porque Ele vem mudar o que estava antes. É um divino desmancha prazeres que vem refazer a criação, desarrumando o estabelecido. De maneira que será objeto de contradição entre o mundo velho e a cidade nova, ocasião de ruina para muitos. Perturba as leis físicas com seu poder de taumaturgo, e perturba as ideias feitas com a novidade da sua doutrina. Destrona o que é grande e reabilita o que é pobre.
     Quanto custava ao poeta Claudel, recém- convertido, a lembrança de que iria pertencer ao "pusillus grex" das humildes velhinhas, a rezarem pelos cantos das igrejas!...Nós para quem iremos? Para o grupo dos escandalizados, ao lado dos escribas e fariseus, ou para junto dos que desejam a novidade de vida e de Coração?
     2. SE A REDENÇÃO DOS POBRES É UM DOS SINAIS da divindade do Messias, reciprocamente, onde houver vida cristã a sério, haverá também amor e solicitude pelos que sofrem. Que faço eu pelos humildes? Em que apreço os tenho? Entro, de qualquer modo, no movimento da caridade, que, dentro da Igreja, há muitos séculos e em tantas obras de beneficência, leva uma corrente de simpatia afetiva, do coração doa que possuem para o coração dos que nada tem? Pertenço, ao menos, a alguma dessas sociedades? Procuro que o meu amor de Deus se meça pelo meu amor ao próximo?
   

sábado, 1 de dezembro de 2018

Meditação para o 1° Domingo do Advento

Pe João Mendes S.J

          O ano litúrgico começa com a visão terrível do Juízo Final. Parece que a Igreja nos quer advertir que a nossa vida de cristãos é coisa séria, empresa dramática que tem seu desfecho no meio de uma catástrofe. Qual será o programa do universo? E por onde se qualificarão os destinos humanos?
          O que dará sentido ao homem será o ter recebido ou não ter recebido a Cristo. E se Cristo é inevitável, e nos espera a todos à saída do tempo, é porque Ele é não só o verbo por quem todas as coisas foram feitas, como o novo Adão de quem vive a humanidade regenerada. É Nele que tudo assenta e se firma, é por Ele que tudo recebe essência e valor, é por Ele que tudo se há de aquilatar. "Jesus Cristo ontem e hoje, Jesus Cristo para todo sempre" ( 1 Hebr. 13,8) . Cristo é inevitável, porque é o princípio e o fim; porque a vida cristã consiste no mistério insondável de sermos inseridos na vida trinitária, reproduzindo, em nós, o ciclo da vida divina. E tudo isto por meio de Cristo: imitando-o e vivendo a sua vida.

1. CRISTO É O PRINCÍPIO

         1. O PLANO DE DEUS -  No interior da sua vida íntima, Deus é família. O Pai gera o Filho, seu Conceito exaustivo; e contemplando o seu Verbo ou a sua imagem, do amor mútuo de ambos, procede a Terceira Pessoa, o Espírito Santo. O nosso destino é um convite a tomarmos parte nessa visão e a sermos envolvidos nesse amor. Veremos a Deus com a mesma luz, recôndita e misteriosa, com que Ele se contempla a si mesmo; e amá-lo-emos com o mesmo Amor, que faz a dita profundíssima da sua intimidade trinitária. Mas como se realizará esta maravilha, se Deus é para nós inacessível?
         2. O MEDIADOR ÚNICO - O Pai, que é o Princípio e a Origem de todas as coisas, decreta a nossa justificação sobrenatural, e envia ao mundo a sua imagem, a sua Palavra. Assim, Cristo, o Verbo Encarnado, vem contar-nos o que viu no seio do Pai. ( Jo 18) E é por isso, que quem vê a Ele também vê o Pai . ( Jo 14,9 ) e tem nele o caminho, a verdade e a vida ( Jo 14,6 ), a única verdade e a única vida que verdadeiramente interessam. É Ele o princípio e a cabeça da nova criação. Imitando-o, alcançaremos o ar da família Divina, assemelhando-nos  a Deus Pai. Unindo-nos a Ele pelo batismo e pela Graça, seremos de fato filhos de Deus.

2. CRISTO É O FIM

         1. CRESCIMENTO DO CORPO MÍSTICO - Cristo veio dar-nos a filiação divina, estendendo a nós a Paternidade de seu Pai, " de quem toda a paternidade, nos céus e na terra, toma o nome" ( Ef 3,15); encorporou-nos no seu corpo, mediante a comunicação da sua vida divina. Depois da Ascenção, o Pai e o Filho enviam-nos o Espírito Santo, o Dom, o Amor Santificante, que é o alento, a alma, e a vida sobrenatural da Igreja, depois do Pentecostes. E fica o Cristo místico a desenvolver-se, até que o universo chegue à plenitude dos tempos, até a medida da idade do Cristo total, que é o corpo dos predestinados.
         2. VOLTA CRISTO, PELA SEGUNDA VEZ - A levar consigo, definitivamente, os eleitos, rejeitando os que não quiseram ouvir a Boa Nova. Deus toma nas mãos o eixo do mundo, e sacode os ímpios. ( Job 38,13), os que não se enxertaram na árvore da vida, e que, como frutos pecos, se precipitarão na morte eterna. Quem não estiver unido a Cristo, desprender-se-á no grande estremecimento, porque Nele é que tudo se firmava e tudo vivia. A Igreja era a alma sobrenatural da humanidade, com poder divino e assimilador; quem a desprezou em vida, enganou-se e morreu para sempre.

CONCLUSÕES

          1. A VIDA É UMA OPÇÃO TERRÍVELMENTE SÉRIA- Porque tudo o que era natural ou pecador voltará ao nada ou cairá na morte eterna. E a vida humana que tiver sido elevada à ordem divina, será reassumida, definitivamente, pelo Infinito e Pela Eternidade; dar-se-á uma mudança radical no cenário do mundo, e nessa passagem, um grande sobressalto cósmico. A ordem natural, tudo o que era passageiro e preparatório, cai pelos espaços, como se fossem os andaimes da Cidade Permanente. E fica só a Ordem Divina, tudo novo e luminoso, a Jerusalém Celeste, a Cidade Santa dos eleitos, cuja luz é o Cordeiro. A criação, divinizada em Cristo, regressa ao seio de Deus, deixando as cinzas de tudo o que é terreno e pecaminoso, no rescaldo do grande juízo.
           2. A ESCATOLOGIA E A CRUZ- Há, pois, uma tragédia inevitável na vida humana, sinal da sua grandeza e do seu destino heroico. Entre os antigos gregos, a grandeza trazia consigo a ameaça oculta de um desfecho trágico. Mas aqui, não é nenhuma crise irreparável; somente a mudança dum cenário universal, onde passa a figura do mundo aparente e fica o definitivo.
          Entretanto, nós podemos prevenir essa tragédia latente do desencontro de dois mundos; é a aceitação do mistério da Cruz. Pela renúncia e pela mortificação do pecado e da sensualidade, podemos antecipar-nos a terribilidade do juízo. Não temeremos a destruição do universo, se primeiro destruirmos, em nós, o mundo com seus falsos prestígios. A mortificação corresponde, na nossa vida, ao fim do mundo; como a agonia do fim do mundo significa a mortificação universal do amor da terra, perante a Graça. Tudo o que há nos indivíduos de repugnâncias, de contradição e revolta, em face das exigências de Cristo, projeta-se, em grande, na convulsão do universo, e no seu aniquilamento perante o sobrenatural que impera definitivamente. Nós, quebrando as rebeldias da natureza, digamos desde já, ao Senhor: " VINDE SENHOR JESUS!" ( Apoc. 22,20 )

domingo, 27 de novembro de 2016

O céu que o Salvador nos trará

Os primeiros grandes escritores cristãos insistiam em falar do Céu como visão de Deus. Para eles, a Vida eterna consiste, em ver a Deus; e esta visão dá ao homem a vida do próprio Deus, aquela Vida plena, total e feliz. É esta visão de Deus, comunhão com ele, que dará ao homem a imortalidade. Vejamos bem: o homem não é primeiramente imortal e depois vê a Deus; é o contrário: seremos imortais precisamente porque veremos a Deus! É esta visão de Deus que é fonte de imortalidade, de vida plena! Assim dizia Santo Irineu, no século II: “Todos aqueles que vêem a Luz estão na Luz. Quem vê a Deus percebe a sua Glória: o que dá a Vida é a Glória de Deus. Deus dá a Vida a quem o contempla e o vê”.
Outra idéia que aparece entre os primeiros escritores cristãos é a do louvor e do gáudio, da alegria. Santo Agostinho dizia, no século V: “A exultação da nossa Vida eterna será o louvor de Deus, para o qual ninguém estará preparado se não se exercitar desde agora”; “Lá veremos a Deus e louvaremos! Nem toda a alegria entrará em nós, mas nós entraremos totalmente na alegria!” O céu, portanto, será louvor e alegria, plenitude completa: estaremos completamente imersos na alegria! Por isso, Santo Hilário, no século V, afirmava: “Não haverá nada o que desejar porque não faltará nada!”
São Tomás de Aquino, o grande teólogo medieval, explicava que o homem, com suas forças, não poderia chegar a Deus, jamais poderia contemplá-lo. O homem não pode nem merece ver a Deus; somente pela graça de Cristo é que chega ao Pai. E ver a Deus é a realização plena do homem, é ser ele mesmo, é ser feliz! Lembre-se, meu Leitor, que “ver a Deus” significa estar na comunhão com ele, como quem vê a luz está dentro da luz, cercado, envolvido pela luz!
Mas, como poderemos ver a Deus, o Pai? Veremos a Deus porque estamos enxertados em Cristo ressuscitado, estamos unidos, inseridos no seu Corpo ressuscitado por obra do Espírito Santo. Não dá nem para imaginar como será isso, mas que será, será! Então, pelo Cristo, plenos do Espírito, veremos a Deus Pai! Vejamos o que dizem alguns dos antigos escritores cristãos: “Deus será visto no reino dos céus... E o Filho conduzirá ao Pai” (Santo Irineu); “Na pátria celeste estão todos os justos e santos, que desfrutam do Verbo de Deus” (Santo Agostinho). Que beleza a afirmação de Agostinho! Nossa felicidade é desfrutar do Verbo, do Filho de Deus: estar com ele é o paraíso, como ele disse ao ladrão. Também S. João Damasceno explicava que o resplendor da glória é estar com Cristo: “Os que fizeram o bem, resplandecerão como o sol... com Nosso Senhor Jesus Cristo”.

Finalmente, São Cipriano, o santo Bispo de Cartago, no século III, afirmava: “Quem não deseja ser transformado e transfigurado o quanto antes à imagem de Cristo? Cristo, o Senhor... roga por nós para que estejamos com ele e com ele possamos nos alegrar na morada eterna e no reino celeste. Quem quiser chegar ao trono de Cristo... tem que manifestar alegria somente na promessa do Senhor”.
Vale a pena, ainda, refletir sobre um importante documento da Igreja a respeito da Vida Eterna. Trata-se da Constituição Benedictus Deus, do Papa Bento XII, do século XIV. Aí a Igreja ensina, pela boca do Sucessor de Pedro, que veremos a Deus e isto é o céu. Mais ainda: esta visão, esta comunhão com Deus vai nos dar um gozo sem limites, um gozo que é descanso eterno para o nosso coração, para sempre. O Papa insiste ainda, baseado nas Escrituras e na fé constante da Igreja, que esta Vida eterna começa logo após a morte, uma vez purificados os nossos pecados: estaremos para sempre com Cristo. No Último Dia, quando Cristo se manifestar, nossos corpos também ressuscitarão!
Uma última questão: se o céu é estar com Cristo, então ele não é um lugar?! Recorde: não podemos simplesmente descrever o Além. No entanto, uma coisa é certa. Como já vimos, tudo quanto existe foi criado por Deus, um Deus que não destruirá a sua criação, mas vai levá-la à plenitude. Já falamos, quando tratamos da Vinda de Cristo, sobre o novo céu e nova terra! Ora, toda a criação - e também nossos corpos - será o “lugar” feliz, bem-aventurado, jubiloso no qual viveremos a comunhão com Deus. Assim, se o Céu é uma relação com Deus em Cristo, esta relação, no entanto, não é algo individualista: envolve os outros e toda a criação, renovada e plenificada. Em outras palavras o nosso céu, a nossa comunhão com Deu, terá “algo” de lugar também. Só não é “lugar” no sentido que conhecemos aqui. E como será, então? Não sabemos!

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Novena de Natal - 8° dia

Transmissão ao vivo do 8° dia da novena de Natal conforme o texto proposto por Santo Afonso Maria de Ligório, disponível aqui


domingo, 20 de dezembro de 2015

Novena de Natal- 5° dia

Transmissão ao vivo do 5° dia da Novena de Natal realizada nas casas de nossos Congregados, o texto da novena pode ser obtido no link: https://onedrive.live.com/view.aspx?resid=C66F182E3FF9E7AA!182&cid=c66f182e3ff9e7aa&app=WordPd
Devido a problemas de conexão não foi possível concluir a transmissão do 5° dia da novena de natal por isso logo abaixo do video original disponibilizamos uma gravação com o complemento do 5° dia pedimos desculpas aos nossos leitores e esperamos dar continuidade na novena amanhã às 19:30.


CONTINUAÇÃO



sábado, 19 de dezembro de 2015

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Novena de Natal- 3° dia

Transmissão ao vivo do 3° dia da Novena de Natal composta por Santo Afonso Maria de Lígório, intenções podem ser enviadas pelo formulário de contato do blog e o texto está disponível no link abaixo:
https://onedrive.live.com/view.aspx?resid=C66F182E3FF9E7AA!182&cid=c66f182e3ff9e7aa&app=WordPdf


quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Novena de Natal- 2° dia

Às 19:30 faremos a transmissão ao vivo do 2° dia da Novena de Natal composta por Santo Afonso Maria de Lígório, intenções podem ser enviadas através do formulário de contato do blog e o texto da novena pode ser obtido através do link: https://onedrive.live.com/view.aspx?resid=C66F182E3FF9E7AA!182&cid=c66f182e3ff9e7aa&app=WordPdf


terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Novena de Natal - 9° dia

Encerramento da Novena de Natal de 2014 , devido aos nossos horários de Missa e demais compromissos o 9° dia foi gravado para que todos possam rezar no momento mais conveniente.




terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Novena de Natal - 1º Dia

A partir de hoje, começamos a transmissão de nossa novena de Natal, rezaremos a Novena de Santo Afonso Maria de Ligório, cujo texto está no nosso post anterior, Participe conosco em mais essa transmissão ao vivo, hoje 16/12/2014 ás 19:30.

Salve Maria