sexta-feira, 17 de abril de 2026

Normas do Bom Congregado - Leitura Espiritual de Abril 2026



1.         A disciplina faz o bom soldado. A obediência e o res­peito ao Padre Diretor, a diretoria e às Regras da Congregação caracterizam o bom Congregado Mariano.

2.         Aquele que é cumpridor das pequeninas obrigações, também o será das grandes. Assim, a presença nas reuniões, o uso da fita, a saudação mariana: – Salve Maria! – apontam os congregados que o são, e que jamais faltam com seus de­veres de Católico e Mariano fervoroso.

3.         Ninguém é compelido a entrar na congregação, uma vez, porém, nela admitido deverá viver a vida mariana consoante às Regras e conforme promessas espontaneamente feita ao pé do altar.

4.         Foi a eleição do amor à Virgem Imaculada, foi a de­voção a tão terna Mãe, que nos conduziram à Congregação. Sejamos, pois, fiéis e fervorosos nesta reverência, neste amor filial, não Congregados só de nome, mas de fato.

5.         A Congregação reúne almas de boa vontade, de­cididas ao bem e a verdade, propugnando pelo aperfeiçoamento moral de cada membro e a irradiação da santidade na sociedade em que vive. Quem não tiver, por conseguinte, o espírito de sacrifício, não for fervoro­so no cumprimento dos deveres, que a si mesmo se impôs para sua santificação não pode ser Congre­gado Mariano. Ou aprende a cumprir os seus deveres, ou dei­xa o lugar para os que o sabem cumprir. É engano — engano muito grande — aquilatar o valor de uma Congregação pelo número dos seus membros. O progresso quantitativo é bom e até ótimo, quando se tem primeiro o progresso qualitativo. Mais vale a qualidade que a quantidade. O ideal é a divisa de Pio XI: POUCOS E BONS — está bem. MUITOS E BONS — melhor.

6.         Antes de chegar a Congregado, deve o Candidato passar por um estágio, suficientemente longo, afim de “dar provas de que é um elemento aproveitável” . Deve, em “segui­da, ser examinado sobre as Regras da Congregação — se as conhece e se as pratica. Só no caso afirmativo, poderá ser ad­mitido no rol dos Congregados. O mesmo acontece na admissão de um Aspirante a Noviço.

7.         O Congregado, Noviço ou Aspirante que falta no­tavelmente com seus deveres, na Congregação, sem se justifi­car, deve ser avisado caridosamente mas com firmeza. Se con­tinuar a faltar sem motivo, faz-se-lhe ver que assume toda a responsabilidade na sua exclusão da Congregação.

8.         A caridade deve ser a nota distintiva da Congregação. Caridade fraterna entre os Congregados. Caridade de uma Congregação para com outra. Caridade pa­ra com os pobres. Caridade para com os infiéis, trabalhando na propagação da Fé. Caridade, acima de tudo, para com Deus, amando-O so­bre todas as coisas e preferindo antes sofrer tudo que perder sua graça. Cristo disse: — “Os homens vos reconhecerão por meus discípulos, se vos amardes uns aos outros como Eu vos Amei”. Não é, pois, discípulo de Cristo quem não observa a Caridade fraterna. E a condição para haver progresso em uma associação é que haja nela caridade fraterna, sem a qual, Cris­to desconhece essa associação e nega-lhe a graça. Portanto, deve ser radicalmente banido da Congregação todo espírito de crítica, de murmuração, de inveja, de ciúmes, de rivalidades, de querelas. “Quem quiser ser o primeiro, faça-se o último den­tre todos”, disse Nosso Senhor. Toda a rivalidade, pois, deve consistir em procurar o último lugar, em ser cada um o mais humilde.

A vida interior é a base da vida apostólica. Deus agradece o apostolado de uma alma que antes de tudo procura santificar-se. Ninguém dá o que não tem. Não pode, pois, trabalhar, direta ou indiretamente, pela salvação das almas quem não trabalha pela sua salvação. O melhor apostolado, portanto, é o do bom exemplo. Se as pa­lavras comovem, os exemplos arrastam.

Extraído do Anuário da Federação das CCMM do Paraná, em 1940

terça-feira, 7 de abril de 2026

Os Discípulos de Emaús


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas 24, 13-32

Nesse mesmo dia, dois dos discípulos iam a caminho de uma aldeia chamada Emaús, que ficava a cerca de duas léguas de Jerusalém; e conversavam entre si sobre tudo o que acontecera. Enquanto conversavam e discutiam, aproximou-se deles o próprio Jesus e pôs-se com eles a caminho; os seus olhos, porém, estavam impedidos de o reconhecer.

Disse-lhes Ele: «Que palavras são essas que trocais entre vós, enquanto caminhais?» Pararam entristecidos. E um deles, chamado Cléofas, respondeu: «Tu és o único forasteiro em Jerusalém a ignorar o que lá se passou nestes dias!» Perguntou-lhes Ele: «Que foi?» Responderam-lhe: «O que se refere a Jesus de Nazaré, profeta poderoso em obras e palavras diante de Deus e de todo o povo; como os sumos sacerdotes e os nossos chefes o entregaram, para ser condenado à morte e crucificado. Nós esperávamos que fosse Ele o que viria redimir Israel, mas, com tudo isto, já lá vai o terceiro dia desde que se deram estas coisas. É verdade que algumas mulheres do nosso grupo nos deixaram perturbados, porque foram ao sepulcro de madrugada e, não achando o seu corpo, vieram dizer que lhes apareceram uns anjos, que afirmavam que Ele vivia. Então, alguns dos nossos foram ao sepulcro e encontraram tudo como as mulheres tinham dito. Mas, a Ele, não o viram.»

Jesus disse-lhes, então: «Ó homens sem inteligência e lentos de espírito para crer em tudo quanto os profetas anunciaram! Não tinha o Messias de sofrer essas coisas para entrar na sua glória?» E, começando por Moisés e seguindo por todos os Profetas, explicou-lhes, em todas as Escrituras, tudo o que lhe dizia respeito.

Ao chegarem perto da aldeia para onde iam, fez menção de seguir para diante. Os outros, porém, insistiam com Ele, dizendo: «Fica connosco, pois a noite vai caindo e o dia já está no ocaso.» Entrou para ficar com eles. E, quando se pôs à mesa, tomou o pão, pronunciou a bênção e, depois de o partir, entregou-lho. Então, os seus olhos abriram-se e reconheceram-no; mas Ele desapareceu da sua presença. Disseram, então, um ao outro: «Não nos ardia o coração, quando Ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?»


Meditação para a Segunda-feira da Páscoa
SUMARIO

Meditaremos no Evangelho tão tocante dos dois discípulos de Emaús, e veremos:


1.° Quais foram nesta ocasião os seus defeitos e as suas virtudes;

2.º Qual foi a bondade de Jesus Cristo para conosco.

— Tomaremos depois a resolução:


1.° De nos conservarmos unidos a Jesus Cristo pelo recolhimento de espírito, e dóceis às inspirações da Sua graça;

2.º De vigiarmos sobre as nossas conversações, para evitar qualquer palavra repreensível.

O nosso ramalhete espiritual será a reflexão destes discípulos:

“Não é verdade que nós sentíamos abrasar-se-nos o coração quando Jesus Cristo nos falava pelo caminho?” – Nonne cor nostrum ardens erat in nobis dum loqueretur in via? (Lc 24, 32)
Meditação para o Dia

Transportemo-nos pelo pensamento à estrada de Emaús; consideremos Jesus Cristo chegando-se aos dois discípulos que viajam, e travando com eles uma santa conversação. Bendigamo-lO por esta solícita caridade, e roguemos-Lhe que nos faça tirar proveito desta amável entrevista.

PRIMEIRO PONTO
Defeitos e Virtudes dos discípulos de Emaús

1.° Estes discípulos não sabem esperar. Jesus Cristo tinha dito: «Ressuscitarei ao terceiro dia»; e eles não esperam que finde o terceiro dia; partem desanimados. É isto também o que muitas vezes nos acontece: queremos ser ouvidos logo; qualquer dilação nos perturba e abala a nossa fé. Merecemos que Jesus nos diga como a eles:


« Ó estultos e tardos de coração para crer»! (Lc 24, 5)

2.° Vão buscar a sua consolação fora, em uma viagem a Emaús. Esquecem que a verdadeira consolação está só em Deus, e que há mais prejuízo do que lucro em buscá-la nas criaturas. Se Jesus Cristo não viesse em seu socorro, perderiam a fé, pois que não tinham crido nem as santas mulheres nem os Apóstolos, que lhes afirmavam a ressurreição do Salvador; perderiam a esperança, pois que já começavam a não esperar: Nós esperávamos – Sperabamus (Lc 24, 21), diziam eles; finalmente perderiam a caridade, pois que já não viam em Jesus Cristo senão um profeta e não falavam já dele como seus discípulos, mas como estranhos.

3.° Recusam compreender a ligação de duas coisas tão inseparáveis como o meio e o fim, saber a cruz e a glória, a morte e a vida, padecer pouco tempo e gozar eternamente; e é preciso que Jesus Cristo lhes recorde esta verdade capital:


“Não importava que Jesus Cristo padecesse, e que assim entrasse na sua glória?”

Não somos nós um pouco como eles?

Mas se estes discípulos tinham defeitos, também tinham virtudes próprias para nos edificar. Assim:

1.° A sua conversação é santa; e à pergunta do Salvador:


“Que é isso que vós ides praticando e conferindo um com outro” – Qui sunt hi sermones quos confertis ad invicem? (ibid, 17)

Eles podem responder:


“Falamos de Jesus” – De Jesu Nazareno (Ibid, 19)

Ai! Se o Salvador, no meio das nossas conversações, nos fizesse a mesma pergunta que a eles, poderíamos dar igual resposta? Não teriam os de envergonhar-nos de muitas palavras de maledicência, de zombaria, de disputa, de imprudência, de cólera? E não poderia Nosso Senhor dizer-nos: São conversações próprias de um cristão que aspira à santidade, de um servo de Jesus Cristo que tem ainda a língua tingida do Seu sangue? São conversações essas que na hora da morte desejaríeis ter tido?

2.º Os nossos viajantes ouvem com grande respeito os ensinos de Jesus Cristo; gravam-os em seu coração, que se lhes abrasava num santo fervor (1).

3.° Unem-se a Ele, e não querem mais separar-se dEle: Ficai na nossa companhia, Senhor, (2) lhe dizem eles. Belas palavras, que nós mesmos lhe devemos dirigir muitas vezes! Ficai conosco nos trabalhos, para nos preservardes da impaciência, da desanimação, e mas ensinardes a bendizer a Deus por tudo; ficai conosco nas tentações e provações, para nos amparardes; ficai conosco nas tribulações, nas doenças, e no perigo de morte, para nos assistirdes; ficai conosco no meio dos males da Igreja e das trevas da iniquidade que cobrem a terra, para nos defenderdes e nos esclarecerdes.

4.° Eles reconheceram Nosso Senhor na fração do pão (3), isto é, na comunhão: com efeito, é ali que a alma cristã reconhece todo o amor do divino Salvador.
Romance



5.° Depois de O terem recebido, eles partem para Jerusalém, a fim de anunciá-lO aos Apóstolos (4): quando se ama, tem-se a peito fazer que amem aquele que se ama.

SEGUNDO PONTO
Tocante bondade de Jesus para com os discípulos de Emaús


Jesus Cristo compadece-se destas duas ovelhas desgarradas, que se haviam separado dos outros Apóstolos: chega-se a eles com afabilidade, trava conversação com eles, caminha a seu lado, pergunta-lhes sobre que falam, não porque o ignore, mas para lhes dar ocasião de desafogarem o seu coração, e ter Ele mesmo ocasião de lhes explicar o mistério dos Seus tormentos e da Sua morte. Repreende-os caridosamente para os incitar a entrar em si mesmos, e a reconhecer a sua sem razão; prova-lhes que o que têm dito do Messias as Sagradas Escrituras desde Moisés até aos profetas, se realizou na Sua pessoa; e ao mesmo tempo que lhes esclarece a inteligência, move-lhes o coração, excita-lhes a vontade e os abrasa em amor divino. Finalmente, tendo chegado a Emaús, depois de ter fingido que ia para mais longe, a fim de lhes incutir o desejo de O possuírem, entra na hospedaria em que eles estavam; e como se fosse uma igreja, ali consagra e lhes distribui a Eucaristia, e só se retira depois de os ter assim alimentado com o pão dos anjos.

É possível haver mais bondade, mais condescendência e amor? É deste modo que Nosso Senhor se porta a nosso respeito. A Sua graça preveniente vem ter conosco no caminho da vida; acomoda-se à nossa fraqueza, esclarece-nos com a Sua divina luz, atrai-nos com as Suas suaves inspirações, entremeia a animação com a repreensão; emfim não nos deixa sem que nos haja ganhado, levando o consentimento da vontade sem violentar a nossa liberdade. Oh! Quão bem merece tanta bondade todo o nosso amor! Como lhe correspondemos nós? Não somos nós infiéis à graça e rebeldes às Suas inspirações?

Resoluções e ramalhete espiritual como acima

Referências:

(1) Nonne cor nostrum ardens erat in nobis dum loqueretur in via? (Lc 24, 32)

(2) Mane nobiscum, quoniam adverperascit, et inclinata est jam dies (Ibid, 29)

(3) Cognoverunt eum in fractione panis (Ibid, 35)

(4) Surgentes eadem hora, regressi sunt in Jerusalem (Ibid, 33)


(HAMON, Monsenhor André Jean Marie. Meditações para todos os dias do ano: Para uso dos Sacerdotes, Religiosos e dos Fiéis. Livraria Chardron, de Lélo & Irmão – Porto, 1904, Tomo II, p. 235-240)

domingo, 5 de abril de 2026

Feliz e Santa Páscoa!!

 


A Ressurreição, triunfo da Fé e da Esperança


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos 16,

Passado o sábado, Maria de Magdala, Maria, mãe de Tiago, e Salomé compraram perfumes para ir embalsamá-lo. De manhã, ao nascer do sol, muito cedo, no primeiro dia da semana, foram ao sepulcro.

Diziam entre si: «Quem nos irá tirar a pedra da entrada do sepulcro?» Mas olharam e viram que a pedra tinha sido rolada para o lado; e era muito grande. Entrando no sepulcro, viram um jovem sentado à direita, vestido com uma túnica branca, e ficaram assustadas.

Ele disse-lhes: «Não vos assusteis! Buscais a Jesus de Nazaré, o crucificado? Ressuscitou; não está aqui. Vede o lugar onde o tinham depositado. Ide, pois, e dizei aos seus discípulos e a Pedro: ‘Ele precede-vos a caminho da Galileia; lá o vereis, como vos tinha dito’.»


Meditação para o Dia da Páscoa
SUMARIO

Destinaremos a nossa meditação a considerar a ressurreição de Jesus Cristo como o triunfo:


1.° Da nossa Fé;

2.º Da nossa Esperança.

— Tomaremos depois a resolução:

1.° De louvarmos, glorificarmos e agradecermos com frequentes aspirações a Jesus Cristo ressuscitado aleluia;

2.º De fazermos muitas vezes atos de fé à divindade de Jesus Cristo, da Sua religião e da Sua Igreja, assim como atos de esperança para a vida futura.

O nosso ramalhete espiritual será o cântico da Igreja neste dia:


“Na verdade que o Senhor ressuscitou, aleluia” – Surrexit Dominus verem alleluia

Meditação para o Dia

Entremos esta manhã em todos os sentimentos de louvor, de adoração e de amor para com Jesus Cristo ressuscitado. Regozijemo-nos e alegremo-nos. Este é o dia que o Senhor fez, o dia da vitória e do triunfo. Juntemo-nos com os anjos para cantar glória a Deus, aleluia.
Romance


PRIMEIRO PONTO
A Ressurreição de Jesus Cristo é o triunfo da nossa Fé


Na verdade que o Senhor ressuscitou (Lc 24, 34). Os Apóstolos, que O atestam e selaram com o seu sangue o Seu testemunho, não podiam enganar-se, pois que conversaram com Ele quarenta dias; não quiseram enganar-nos, pois, que os seus mais caros interesses neste mundo e no outro a isso se opunham (1); e de mais a mais, se Jesus Cristo não ressuscitasse, só podia ser aos seus olhos um impostor, que os havia escarnecido pregando-lhes a Sua ressurreição; não teriam podido até enganar-nos, ainda que o desejassem, pois que os soldados romanos, que guardavam o sepulcro, não teriam deixado levar o corpo: é, portanto, certíssimo, ó Senhor Jesus, que na verdade ressuscitastes; é, portanto, certíssimo que sois o Deus Todo-Poderoso, pois que um homem morto não pode ressuscitar-se (2); e que só Deus, que dispõe da vida e da morte, é capaz de semelhante prodígio. Ó santo dia de Páscoa, quão prezado me és! A ressurreição do meu Salvador garante-me a Sua divindade, e por conseguinte garante-me todas as minhas crenças (3); porque se Jesus Cristo é Deus, divina é a Sua religião, divino é o Evangelho, que é a Sua palavra, divinos são os Sacramentos que instituiu, divina é a Igreja que fundou; e crendo-a, estou certo de me não enganar, tão certo como se já estivesse no céu contemplando a verdade da beatífica visão. Seguindo a minha fé, sigo, pois, um guia infalível, e fazendo os sacrifícios que me pede, sei que não perco o meu trabalho, e que Deus me há de recompensar. Em vão o incrédulo combate a minha crença; em vão os povos clamam; em vão os judeus gritam que é um escândalo e uma estultícia: Jesus Cristo ressuscitado responde a tudo, e não há objeção que não venha espedaçar-se contra a pedra do seu sepulcro.

Que consolação, que triunfo para a fé que não necessita senão deste único fato para ser altamente justificada! Quão justo é que reanimemos esta fé neste belo dia, que creiamos as coisas da religião como se as víssemos (4), e que nos mostremos homens de fé nas obras, nas palavras, na oração e no lugar santo, por toda a parte e sempre!

SEGUNDO PONTO
A Ressurreição de Jesus Cristo é o triunfo da nossa Esperança


O homem, que só vive pouco tempo neste mundo entre muitas misérias, necessita de ter esperança; mas alegra-se hoje cantando com a Igreja:


«Jesus Cristo, minha esperança, ressuscitou» – Surrexit Christus spes mea

A ressurreição do Salvador é para nós o penhor e a segurança de uma ressurreição semelhante, que nos há de indenizar de todas as penalidades da vida. Jesus Cristo é o primogênito de entre os mortos (5), diz o Apóstolo. Logo, depois dEle, os outros mortos renascerão também das suas cinzas. Nós formamos com Ele um corpo, de que Ele é a cabeça, diz o mesmo Apóstolo; mas os membros devem seguir a sua cabeça. Que é um corpo, cuja cabeça estivesse de um lado, e cujos membros estivessem do outro? É admissível que o Espírito Santo tivesse designado debaixo da figura da cabeça e dos membros Jesus Cristo e os fiéis, se devessem viver assim separados? Se formamos um só corpo com Jesus Cristo, a Sua ressurreição acarreta a nossa, assim como a nossa acarreta a Sua: uma depende essencialmente da outra.


“Se se praga, diz São Paulo, que Jesus Cristo ressuscitou de entre os mortos, como dizem alguns entre vos outros que não ha ressurreição de mortos?” – Si Christus praedicatur, quod resurrexit a mortuis, quomodo quidam dicunt in vobis quoniam resurrectio mortuorum non est? (1Cor 15, 12)

Dogma consolador, que faz o triunfo da nossa esperança entre os trabalhos da vida: porque se havemos de ressuscitar como Jesus Cristo, a nossa tristeza será mudada em alegria, as nossas dores em delícias, a nossa pobreza em riqueza, a nossa confusão em glória, a nossa morte em uma vida eterna.


“Eu sei, dizia Jó, que o meu Redentor vive, e que no derradeiro dia surgirei da terra; e serei novamente revestido da minha pele, e na minha própria carne verei a meu Deus, a quem eu mesmo hei de ver, e meus olhos hão de contemplar e não outro: esta minha esperança está depositada no meu peito” – Scio quod Redemptor meus vivit, et in novissimo die de terra surrecturus sum; et rursum circumdabor pelle mea, et in carne mea videbo Deum meum; quem visurus sum ego ipse, et oculi mei conspecturi sunt, et non alius: reposita est haec spes mea in sinu meo (Jó 19, 25)


“O Rei do mundo, dizia o segundo dos Macabeus, nos ressuscita para a vida eterna” – Rex mundi defunctus nos pro suis legibus in aeternae vitae resurrectione suscitabit (2Mac 7, 9)


“Do céu recebi estes membros, dizia o terceiro, mas eu os desprezo, porque Deus m’os tornará a dar algum dia” – Haec ipsa despicio, quoniam ab ipso me ea recepturum spero (ibid, 11)


“É-nos melhor ser entregues à morte, dizia o quarto, esperando firmemente em Deus, que de novo havemos de ser por ele ressuscitados” – Potius est ab hominibus morti datos spem expectare a Deo, iterum ab ipso resuscitandos (Ibid, 14)

Que me importa, dizia Santa Manica, morrer longe da minha pátria, se Deus no fim dos tempos há de saber achar-me para me ressuscitar? Finalmente, todos os mártires e santos morreram nesta esperança, contando com uma nova terra e novos céus, onde os corpos dos santos serão gloriosos, impassíveis, imortais, resplandecentes como o sol, ágeis como os espíritos, onde não haverá dores nem lágrimas, onde tudo será felicidade.

Ó magnifica esperança! Quanto nos alegraremos então de termos padecido com paciência, de nos termos mortificado e privado dos vãos gozos terrenos?

Resoluções e ramalhete espiritual como acima

Referências:

(1) Si in hac vita tantum… sperantes sumus, miserabiliores sumus omnibus hominibus (1Cor 15, 19)

(2) Praedestinatus est Filius Dei… ex resurrectione (Rm 1, 4)

(3) Scio cui credidi (2Tm 1, 12)

(4) Invisibilem tanquam videns (Hb 11, 27)

(5) Primitiae dormientium (1Cor 15, 20)


(HAMON, Monsenhor André Jean Marie. Meditações para todos os dias do ano: Para uso dos Sacerdotes, Religiosos e dos Fiéis. Livraria Chardron, de Lélo & Irmão – Porto, 1904, Tomo II, p. 231-235)

sexta-feira, 20 de março de 2026

Do septenário das Dores de Nossa Senhora

 


Início na sexta-feira antes do Domingo da Paixão. Do manual da CM de 1949

Deus, in adjutórium… Vinde ó Deus em meu auxílio…

1. Eu me compadeço de Vós, ó Virgem dolorosa, por aquela aflição que o vosso terno Coração sofreu na profecia do santo velho Simeão. Minha querida Mãe, por vosso Coração tão magoado alcançai-me a virtude da humildade e o dom do santo temor de Deus. Ave Maria.

2. Eu me compadeço de vós, ó Virgem dolorosa, por aquelas angústias que o vosso sensibilíssimo Coração sofreu na fuga e permanência no Egito. Minha querida Mãe, por vosso angustiado Coração alcançai-me a virtude da liberalidade, especialmente para com os pobres, e o dom da piedade. Ave Maria.

3. Eu me compadeço de vós, ó Virgem dolorosa, por aquela agonia que o vosso solícito Coração sentiu na perda do vosso Jesus. Minha querida Mãe, por vosso Coração tão vivamente comovido, alcançai-me a virtude da castidade e o dom da ciência. Ave Maria.

4. Eu me compadeço de vós, ó Virgem dolorosa, por aquela consternação que o vosso materno Coração sentiu ao encontrardes o vosso Filho com a cruz às costas. Minha querida Mãe, pelo vosso amoroso Coração por tal modo atormentado, alcançai-me a virtude da paciência e o dom da fortaleza. Ave Maria.

5. Eu me compadeço de vós, ó Virgem dolorosa, por aquele martírio que o vosso generoso Coração padeceu ao assistirdes a Jesus agonizante. Minha querida Mãe, pelo vosso Coração a tal extremo martirizado alcançai me a virtude da temperança e o dom do conselho. Ave Maria.

6. Eu me compadeço de vós, ó Virgem dolorosa, por aquela ferida que o vosso piedoso Coração sofreu na lançada que rasgou o lado do vosso Filho e abriu o seu amabilíssimo Coração. Minha querida Mãe, pelo vosso Coração de tal maneira transpassado, alcançai-me a virtude da caridade fraterna e o dom do entendimento. Ave Maria.

7. Eu me compadeço de vós, ó Virgem dolorosa, por aquela amargura que o vosso Coração amantíssimo sofreu na sepultura do vosso Jesus. Minha querida Mãe, pelo vosso santo Coração excessivamente aflito, alcançai-me a virtude da diligência e o dom da sapiência. Ave Maria.

V. Ora pro nobís, Virgo dolorosíssima:
R. Ut digni efficiámur promissiónibus Christi.

Orémus Intervéniat pro nóbis, nóbis, quæsumus, Dómine Jesu Christe, nunc et in hora mortis nostræ apud tuam cleméntiam Beáta Virgo Maria, Mater tua, cujus sacratíssimam ánimam in hora tuæ passiónis dolóris gládius pertransívit. Per te, Jesu Christe, Salvator mundi, qui vivis et regnas in sæcula sæcuculórum.
R. Amen.

V. Rogai por nós, Virgem dolorosíssima
R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

Oremos Interceda por nós ante a vossa clemência, Senhor Jesus Cristo, agora e na hora da nossa morte a bem-aventurada Virgem Maria, vossa Mãe, cuja sacratíssima alma transpassou uma espada de dor na hora da vossa Paixão. Por vós mesmo Jesus Cristo Salvador do mundo, que viveis e reinais por todos os séculos dos séculos.
R. Amém.