domingo, 5 de abril de 2026

Feliz e Santa Páscoa!!

 


A Ressurreição, triunfo da Fé e da Esperança


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos 16,

Passado o sábado, Maria de Magdala, Maria, mãe de Tiago, e Salomé compraram perfumes para ir embalsamá-lo. De manhã, ao nascer do sol, muito cedo, no primeiro dia da semana, foram ao sepulcro.

Diziam entre si: «Quem nos irá tirar a pedra da entrada do sepulcro?» Mas olharam e viram que a pedra tinha sido rolada para o lado; e era muito grande. Entrando no sepulcro, viram um jovem sentado à direita, vestido com uma túnica branca, e ficaram assustadas.

Ele disse-lhes: «Não vos assusteis! Buscais a Jesus de Nazaré, o crucificado? Ressuscitou; não está aqui. Vede o lugar onde o tinham depositado. Ide, pois, e dizei aos seus discípulos e a Pedro: ‘Ele precede-vos a caminho da Galileia; lá o vereis, como vos tinha dito’.»


Meditação para o Dia da Páscoa
SUMARIO

Destinaremos a nossa meditação a considerar a ressurreição de Jesus Cristo como o triunfo:


1.° Da nossa Fé;

2.º Da nossa Esperança.

— Tomaremos depois a resolução:

1.° De louvarmos, glorificarmos e agradecermos com frequentes aspirações a Jesus Cristo ressuscitado aleluia;

2.º De fazermos muitas vezes atos de fé à divindade de Jesus Cristo, da Sua religião e da Sua Igreja, assim como atos de esperança para a vida futura.

O nosso ramalhete espiritual será o cântico da Igreja neste dia:


“Na verdade que o Senhor ressuscitou, aleluia” – Surrexit Dominus verem alleluia

Meditação para o Dia

Entremos esta manhã em todos os sentimentos de louvor, de adoração e de amor para com Jesus Cristo ressuscitado. Regozijemo-nos e alegremo-nos. Este é o dia que o Senhor fez, o dia da vitória e do triunfo. Juntemo-nos com os anjos para cantar glória a Deus, aleluia.
Romance


PRIMEIRO PONTO
A Ressurreição de Jesus Cristo é o triunfo da nossa Fé


Na verdade que o Senhor ressuscitou (Lc 24, 34). Os Apóstolos, que O atestam e selaram com o seu sangue o Seu testemunho, não podiam enganar-se, pois que conversaram com Ele quarenta dias; não quiseram enganar-nos, pois, que os seus mais caros interesses neste mundo e no outro a isso se opunham (1); e de mais a mais, se Jesus Cristo não ressuscitasse, só podia ser aos seus olhos um impostor, que os havia escarnecido pregando-lhes a Sua ressurreição; não teriam podido até enganar-nos, ainda que o desejassem, pois que os soldados romanos, que guardavam o sepulcro, não teriam deixado levar o corpo: é, portanto, certíssimo, ó Senhor Jesus, que na verdade ressuscitastes; é, portanto, certíssimo que sois o Deus Todo-Poderoso, pois que um homem morto não pode ressuscitar-se (2); e que só Deus, que dispõe da vida e da morte, é capaz de semelhante prodígio. Ó santo dia de Páscoa, quão prezado me és! A ressurreição do meu Salvador garante-me a Sua divindade, e por conseguinte garante-me todas as minhas crenças (3); porque se Jesus Cristo é Deus, divina é a Sua religião, divino é o Evangelho, que é a Sua palavra, divinos são os Sacramentos que instituiu, divina é a Igreja que fundou; e crendo-a, estou certo de me não enganar, tão certo como se já estivesse no céu contemplando a verdade da beatífica visão. Seguindo a minha fé, sigo, pois, um guia infalível, e fazendo os sacrifícios que me pede, sei que não perco o meu trabalho, e que Deus me há de recompensar. Em vão o incrédulo combate a minha crença; em vão os povos clamam; em vão os judeus gritam que é um escândalo e uma estultícia: Jesus Cristo ressuscitado responde a tudo, e não há objeção que não venha espedaçar-se contra a pedra do seu sepulcro.

Que consolação, que triunfo para a fé que não necessita senão deste único fato para ser altamente justificada! Quão justo é que reanimemos esta fé neste belo dia, que creiamos as coisas da religião como se as víssemos (4), e que nos mostremos homens de fé nas obras, nas palavras, na oração e no lugar santo, por toda a parte e sempre!

SEGUNDO PONTO
A Ressurreição de Jesus Cristo é o triunfo da nossa Esperança


O homem, que só vive pouco tempo neste mundo entre muitas misérias, necessita de ter esperança; mas alegra-se hoje cantando com a Igreja:


«Jesus Cristo, minha esperança, ressuscitou» – Surrexit Christus spes mea

A ressurreição do Salvador é para nós o penhor e a segurança de uma ressurreição semelhante, que nos há de indenizar de todas as penalidades da vida. Jesus Cristo é o primogênito de entre os mortos (5), diz o Apóstolo. Logo, depois dEle, os outros mortos renascerão também das suas cinzas. Nós formamos com Ele um corpo, de que Ele é a cabeça, diz o mesmo Apóstolo; mas os membros devem seguir a sua cabeça. Que é um corpo, cuja cabeça estivesse de um lado, e cujos membros estivessem do outro? É admissível que o Espírito Santo tivesse designado debaixo da figura da cabeça e dos membros Jesus Cristo e os fiéis, se devessem viver assim separados? Se formamos um só corpo com Jesus Cristo, a Sua ressurreição acarreta a nossa, assim como a nossa acarreta a Sua: uma depende essencialmente da outra.


“Se se praga, diz São Paulo, que Jesus Cristo ressuscitou de entre os mortos, como dizem alguns entre vos outros que não ha ressurreição de mortos?” – Si Christus praedicatur, quod resurrexit a mortuis, quomodo quidam dicunt in vobis quoniam resurrectio mortuorum non est? (1Cor 15, 12)

Dogma consolador, que faz o triunfo da nossa esperança entre os trabalhos da vida: porque se havemos de ressuscitar como Jesus Cristo, a nossa tristeza será mudada em alegria, as nossas dores em delícias, a nossa pobreza em riqueza, a nossa confusão em glória, a nossa morte em uma vida eterna.


“Eu sei, dizia Jó, que o meu Redentor vive, e que no derradeiro dia surgirei da terra; e serei novamente revestido da minha pele, e na minha própria carne verei a meu Deus, a quem eu mesmo hei de ver, e meus olhos hão de contemplar e não outro: esta minha esperança está depositada no meu peito” – Scio quod Redemptor meus vivit, et in novissimo die de terra surrecturus sum; et rursum circumdabor pelle mea, et in carne mea videbo Deum meum; quem visurus sum ego ipse, et oculi mei conspecturi sunt, et non alius: reposita est haec spes mea in sinu meo (Jó 19, 25)


“O Rei do mundo, dizia o segundo dos Macabeus, nos ressuscita para a vida eterna” – Rex mundi defunctus nos pro suis legibus in aeternae vitae resurrectione suscitabit (2Mac 7, 9)


“Do céu recebi estes membros, dizia o terceiro, mas eu os desprezo, porque Deus m’os tornará a dar algum dia” – Haec ipsa despicio, quoniam ab ipso me ea recepturum spero (ibid, 11)


“É-nos melhor ser entregues à morte, dizia o quarto, esperando firmemente em Deus, que de novo havemos de ser por ele ressuscitados” – Potius est ab hominibus morti datos spem expectare a Deo, iterum ab ipso resuscitandos (Ibid, 14)

Que me importa, dizia Santa Manica, morrer longe da minha pátria, se Deus no fim dos tempos há de saber achar-me para me ressuscitar? Finalmente, todos os mártires e santos morreram nesta esperança, contando com uma nova terra e novos céus, onde os corpos dos santos serão gloriosos, impassíveis, imortais, resplandecentes como o sol, ágeis como os espíritos, onde não haverá dores nem lágrimas, onde tudo será felicidade.

Ó magnifica esperança! Quanto nos alegraremos então de termos padecido com paciência, de nos termos mortificado e privado dos vãos gozos terrenos?

Resoluções e ramalhete espiritual como acima

Referências:

(1) Si in hac vita tantum… sperantes sumus, miserabiliores sumus omnibus hominibus (1Cor 15, 19)

(2) Praedestinatus est Filius Dei… ex resurrectione (Rm 1, 4)

(3) Scio cui credidi (2Tm 1, 12)

(4) Invisibilem tanquam videns (Hb 11, 27)

(5) Primitiae dormientium (1Cor 15, 20)


(HAMON, Monsenhor André Jean Marie. Meditações para todos os dias do ano: Para uso dos Sacerdotes, Religiosos e dos Fiéis. Livraria Chardron, de Lélo & Irmão – Porto, 1904, Tomo II, p. 231-235)

sexta-feira, 20 de março de 2026

Do septenário das Dores de Nossa Senhora

 


Início na sexta-feira antes do Domingo da Paixão. Do manual da CM de 1949

Deus, in adjutórium… Vinde ó Deus em meu auxílio…

1. Eu me compadeço de Vós, ó Virgem dolorosa, por aquela aflição que o vosso terno Coração sofreu na profecia do santo velho Simeão. Minha querida Mãe, por vosso Coração tão magoado alcançai-me a virtude da humildade e o dom do santo temor de Deus. Ave Maria.

2. Eu me compadeço de vós, ó Virgem dolorosa, por aquelas angústias que o vosso sensibilíssimo Coração sofreu na fuga e permanência no Egito. Minha querida Mãe, por vosso angustiado Coração alcançai-me a virtude da liberalidade, especialmente para com os pobres, e o dom da piedade. Ave Maria.

3. Eu me compadeço de vós, ó Virgem dolorosa, por aquela agonia que o vosso solícito Coração sentiu na perda do vosso Jesus. Minha querida Mãe, por vosso Coração tão vivamente comovido, alcançai-me a virtude da castidade e o dom da ciência. Ave Maria.

4. Eu me compadeço de vós, ó Virgem dolorosa, por aquela consternação que o vosso materno Coração sentiu ao encontrardes o vosso Filho com a cruz às costas. Minha querida Mãe, pelo vosso amoroso Coração por tal modo atormentado, alcançai-me a virtude da paciência e o dom da fortaleza. Ave Maria.

5. Eu me compadeço de vós, ó Virgem dolorosa, por aquele martírio que o vosso generoso Coração padeceu ao assistirdes a Jesus agonizante. Minha querida Mãe, pelo vosso Coração a tal extremo martirizado alcançai me a virtude da temperança e o dom do conselho. Ave Maria.

6. Eu me compadeço de vós, ó Virgem dolorosa, por aquela ferida que o vosso piedoso Coração sofreu na lançada que rasgou o lado do vosso Filho e abriu o seu amabilíssimo Coração. Minha querida Mãe, pelo vosso Coração de tal maneira transpassado, alcançai-me a virtude da caridade fraterna e o dom do entendimento. Ave Maria.

7. Eu me compadeço de vós, ó Virgem dolorosa, por aquela amargura que o vosso Coração amantíssimo sofreu na sepultura do vosso Jesus. Minha querida Mãe, pelo vosso santo Coração excessivamente aflito, alcançai-me a virtude da diligência e o dom da sapiência. Ave Maria.

V. Ora pro nobís, Virgo dolorosíssima:
R. Ut digni efficiámur promissiónibus Christi.

Orémus Intervéniat pro nóbis, nóbis, quæsumus, Dómine Jesu Christe, nunc et in hora mortis nostræ apud tuam cleméntiam Beáta Virgo Maria, Mater tua, cujus sacratíssimam ánimam in hora tuæ passiónis dolóris gládius pertransívit. Per te, Jesu Christe, Salvator mundi, qui vivis et regnas in sæcula sæcuculórum.
R. Amen.

V. Rogai por nós, Virgem dolorosíssima
R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

Oremos Interceda por nós ante a vossa clemência, Senhor Jesus Cristo, agora e na hora da nossa morte a bem-aventurada Virgem Maria, vossa Mãe, cuja sacratíssima alma transpassou uma espada de dor na hora da vossa Paixão. Por vós mesmo Jesus Cristo Salvador do mundo, que viveis e reinais por todos os séculos dos séculos.
R. Amém.

quinta-feira, 19 de março de 2026

Da glória de São José, Esposo da Virgem Maria




Qui custos est Domini sui, glorificabitur – “O que é o guarda do seu Senhor, será glorificado” (Pv 27, 18)

Sumário. Devemos ter por certo que a vida de São José, sob a vista e na companhia de Jesus e Maria, foi uma oração contínua, cheia de fé, de confiança, de amor, de resignação e de oferecimento. Visto que a recompensa é proporcionada aos merecimentos da vida, considera quão grande será no paraíso a glória do santo Patriarca. Com razão se admite que ele, depois da Bem-aventurada Virgem, leva vantagem a todos os demais Santos. Por isso, quando São José quer obter alguma graça para seus devotos, não tanto pede, como de certo modo manda a Jesus e Maria.

I. A glória que Deus confere no céu a seus Santos é proporcionada à santidade de vida que eles levaram em terra. Para termos uma idéia da santidade de São José, basta que consideremos unicamente o que diz o Evangelho: Ioseph autem vir eius, cum esset iustus (1) — “José seu esposo, como era homem justo”. A expressão homem justo significa um homem que possui todas as virtudes; porquanto aquele a quem falta uma delas, não pode ser chamado justo.

Ora, se o Espírito Santo chamou a São José justo, na ocasião em que foi escolhido para Esposo de Maria, avalia, que tesouros de amor divino e de todas as virtudes o nosso Santo não devia auferir dos colóquios e da contínua convivência com a sua santa Esposa, que lhe dava exemplos perfeitos de todas as virtudes. Se uma só palavra de Maria foi bastante eficaz para santificar ao Batista e para encher Santa Isabel do Espírito Santo, a que alturas não pensamos que deve ter chegado a bela alma de José pela convivência familiar com Maria, da qual gozou pelo espaço de tantos anos?

Além disso, que aumento de virtudes e de méritos não deve ter adquirido São José convivendo continuamente por tantos anos com a própria santidade, Jesus Cristo, servindo-O, alimentando-O e assistindo-Lhe nesta terra?

Se Deus promete recompensar aquele que por seu amor dá um simples copo de água a um pobre, considera quão alta glória terá dado a José, que O salvou das mãos de Herodes, Lhe forneceu vestidos e alimentos, O trouxe tantas vezes nos braços e carregou com tamanho afeto. — Devemos ter por certo que a vida de São José, sob a vista e na companhia de Jesus e Maria, foi uma oração contínua, cheia de atos de fé, de confiança, de amor, de resignação e de oferecimento. Se, pois, a recompensa é proporcionada aos merecimentos ajuntados na vida, considera quão grande será a glória de São José no paraíso!

II. Santo Agostinho compara os demais Santos com estrelas, mas São José com o sol. O Padre Soares diz que é muito aceitável a opinião que depois de Maria, São José leva vantagem a todos os demais Santos em merecimento e em glória. Donde o Ven. Bernardino de Bustis conclui que São José, de certo modo, dá ordens a Jesus e Maria quando quer impetrar algum favor para os seus devotos.

Meu santo Patriarca, agora que gozais no céu sobre um trono elevado junto do vosso amadíssimo Jesus, que vos foi submetido na terra, tende compaixão de mim, que vivo no meio de tantos inimigos, maus espíritos e más paixões, que me dão combates contínuos para me fazerem perder a graça de Deus. Ah! Pela felicidade que tivestes, de gozar na terra, sem interrupção, da companhia de Jesus e Maria, alcançai-me a graça de passar o resto de minha vida sempre unido a Deus e de morrer depois no amor de Jesus e Maria, para que um dia possa ir gozar, convosco, da sua companhia, no reino dos bem-aventurados.

E Vós, ó meu amado Jesus, meu amantíssimo Redentor, quando poderei ir gozar-Vos e amar-Vos no paraíso face a face, seguro de não Vos poder mais perder? Enquanto viver, estarei exposto a tal perigo. Ah, meu Senhor e meu único Bem, pelos merecimentos de São José, que Vós amais e honrais tanto no céu; pelos merecimentos de vossa querida Mãe; e mais ainda, pelos merecimentos de vossa vida e morte, pelas quais merecestes para mim todo o bem e toda a esperança: não permitais que em tempo algum eu me separe nesta terra de vosso amor, a fim de que possa ir para a pátria do amor, a possuir-Vos e amar-Vos com todas as minhas forças e nunca mais em toda a eternidade afastar-me da vossa presença e do vosso amor.

Referências: 
(1) Mt 1, 19

quinta-feira, 12 de março de 2026

Gloriemo-nos na Cruz de Cristo - Santo Agostinho - Leitura Espiritual


A paixão de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo é um objeto de glória e um ensinamento de paciência. Pois, o que deixará de esperar da graça de Deus o coração dos fiéis, se por eles, o Filho único de Deus, coeterno com o Pai, não se contentou em nascer como um homem entre os homens, mas inclusive quis morrer pela mão daqueles homens que Ele mesmo tinha criado?

Grande é o que o Senhor nos promete para o futuro, mas é muito maior ainda aquilo que celebramos recordando o que já fez por nós. Onde estavam, ou quem eram, aqueles ímpios por quem Cristo morreu? Quem duvidará que possa deixar de dar sua vida aos santos, se Ele mesmo entregou sua morte aos ímpios? Por que ainda vacila a fragilidade humana em acreditar que um dia será realidade que os homens vivam com Deus?

O que já se realizou é muito mais incrível: Deus morreu pelos homens.

Porque quem é Cristo, senão aquele de quem diz a Escritura: No princípio já existia a Palavra, e a Palavra estava junto a Deus, e a Palavra era Deus? Esta Palavra de Deus se fez carne e habitou entre nós. Ele não possuiria o que era necessário para morrer por nós se não tivesse tomado de nós uma carne mortal. Assim o imortal pôde morrer. Assim pôde dar sua vida aos mortais: e fará que mais tarde tenham parte em sua vida aqueles cuja condição Ele primeiro se fez partícipe. Pois nós, por nossa natureza, não tínhamos possibilidade de viver, nem Ele, pela sua, possibilidade de morrer. Ele fez, pois, conosco este admirável intercâmbio, tirou de nossa natureza a condição mortal e nos deu da sua a possibilidade de viver.

Portanto, não só não devemos nos envergonhar da morte de nosso Deus e Senhor, como temos que confiar nela com todas as nossas forças e nos gloriarmos nela por cima de tudo: pois ao tirar de nós a morte, que em nós encontrou, prometeu-nos com toda a sua fidelidade que nos daria em si mesmo a vida que nós não podemos chegar a possuir por nós mesmos. E se aquele que não tem pecado nos amou a tal ponto que por nós, pecadores, sofreu o que tinham merecido nossos pecados, como depois de nos haver justificado, deixará de nos dar o que é justo? Ele, que promete com verdade, como não vai nos dar os prêmios dos santos, se suportou, sem cometer iniqüidade, o castigo que os iníquos lhe infligiram?

Confessemos, portanto, intrepidamente, irmãos, e declaremos bem às claras que Cristo foi crucificado por nós: e façamo-lo não com medo, mas com júbilo, não com vergonha, mas sim com orgulho.

 

O apóstolo Paulo, que se deu conta deste mistério, proclamou-o como um título de glória. E embora pudesse recordar muitos aspectos grandiosos e divinos de Cristo, não disse que se gloriava destas maravilhas –que tivesse criado o mundo, quando, como Deus que era, achava-se junto ao Pai, e que tivesse imperado sobre o mundo, quando era homem como nós–, mas sim disse: Deus me livre de me gloriar a não ser na Cruz de nosso Senhor Jesus Cristo.