sexta-feira, 20 de março de 2026

Do septenário das Dores de Nossa Senhora

 


Início na sexta-feira antes do Domingo da Paixão. Do manual da CM de 1949

Deus, in adjutórium… Vinde ó Deus em meu auxílio…

1. Eu me compadeço de Vós, ó Virgem dolorosa, por aquela aflição que o vosso terno Coração sofreu na profecia do santo velho Simeão. Minha querida Mãe, por vosso Coração tão magoado alcançai-me a virtude da humildade e o dom do santo temor de Deus. Ave Maria.

2. Eu me compadeço de vós, ó Virgem dolorosa, por aquelas angústias que o vosso sensibilíssimo Coração sofreu na fuga e permanência no Egito. Minha querida Mãe, por vosso angustiado Coração alcançai-me a virtude da liberalidade, especialmente para com os pobres, e o dom da piedade. Ave Maria.

3. Eu me compadeço de vós, ó Virgem dolorosa, por aquela agonia que o vosso solícito Coração sentiu na perda do vosso Jesus. Minha querida Mãe, por vosso Coração tão vivamente comovido, alcançai-me a virtude da castidade e o dom da ciência. Ave Maria.

4. Eu me compadeço de vós, ó Virgem dolorosa, por aquela consternação que o vosso materno Coração sentiu ao encontrardes o vosso Filho com a cruz às costas. Minha querida Mãe, pelo vosso amoroso Coração por tal modo atormentado, alcançai-me a virtude da paciência e o dom da fortaleza. Ave Maria.

5. Eu me compadeço de vós, ó Virgem dolorosa, por aquele martírio que o vosso generoso Coração padeceu ao assistirdes a Jesus agonizante. Minha querida Mãe, pelo vosso Coração a tal extremo martirizado alcançai me a virtude da temperança e o dom do conselho. Ave Maria.

6. Eu me compadeço de vós, ó Virgem dolorosa, por aquela ferida que o vosso piedoso Coração sofreu na lançada que rasgou o lado do vosso Filho e abriu o seu amabilíssimo Coração. Minha querida Mãe, pelo vosso Coração de tal maneira transpassado, alcançai-me a virtude da caridade fraterna e o dom do entendimento. Ave Maria.

7. Eu me compadeço de vós, ó Virgem dolorosa, por aquela amargura que o vosso Coração amantíssimo sofreu na sepultura do vosso Jesus. Minha querida Mãe, pelo vosso santo Coração excessivamente aflito, alcançai-me a virtude da diligência e o dom da sapiência. Ave Maria.

V. Ora pro nobís, Virgo dolorosíssima:
R. Ut digni efficiámur promissiónibus Christi.

Orémus Intervéniat pro nóbis, nóbis, quæsumus, Dómine Jesu Christe, nunc et in hora mortis nostræ apud tuam cleméntiam Beáta Virgo Maria, Mater tua, cujus sacratíssimam ánimam in hora tuæ passiónis dolóris gládius pertransívit. Per te, Jesu Christe, Salvator mundi, qui vivis et regnas in sæcula sæcuculórum.
R. Amen.

V. Rogai por nós, Virgem dolorosíssima
R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

Oremos Interceda por nós ante a vossa clemência, Senhor Jesus Cristo, agora e na hora da nossa morte a bem-aventurada Virgem Maria, vossa Mãe, cuja sacratíssima alma transpassou uma espada de dor na hora da vossa Paixão. Por vós mesmo Jesus Cristo Salvador do mundo, que viveis e reinais por todos os séculos dos séculos.
R. Amém.

quinta-feira, 19 de março de 2026

Da glória de São José, Esposo da Virgem Maria




Qui custos est Domini sui, glorificabitur – “O que é o guarda do seu Senhor, será glorificado” (Pv 27, 18)

Sumário. Devemos ter por certo que a vida de São José, sob a vista e na companhia de Jesus e Maria, foi uma oração contínua, cheia de fé, de confiança, de amor, de resignação e de oferecimento. Visto que a recompensa é proporcionada aos merecimentos da vida, considera quão grande será no paraíso a glória do santo Patriarca. Com razão se admite que ele, depois da Bem-aventurada Virgem, leva vantagem a todos os demais Santos. Por isso, quando São José quer obter alguma graça para seus devotos, não tanto pede, como de certo modo manda a Jesus e Maria.

I. A glória que Deus confere no céu a seus Santos é proporcionada à santidade de vida que eles levaram em terra. Para termos uma idéia da santidade de São José, basta que consideremos unicamente o que diz o Evangelho: Ioseph autem vir eius, cum esset iustus (1) — “José seu esposo, como era homem justo”. A expressão homem justo significa um homem que possui todas as virtudes; porquanto aquele a quem falta uma delas, não pode ser chamado justo.

Ora, se o Espírito Santo chamou a São José justo, na ocasião em que foi escolhido para Esposo de Maria, avalia, que tesouros de amor divino e de todas as virtudes o nosso Santo não devia auferir dos colóquios e da contínua convivência com a sua santa Esposa, que lhe dava exemplos perfeitos de todas as virtudes. Se uma só palavra de Maria foi bastante eficaz para santificar ao Batista e para encher Santa Isabel do Espírito Santo, a que alturas não pensamos que deve ter chegado a bela alma de José pela convivência familiar com Maria, da qual gozou pelo espaço de tantos anos?

Além disso, que aumento de virtudes e de méritos não deve ter adquirido São José convivendo continuamente por tantos anos com a própria santidade, Jesus Cristo, servindo-O, alimentando-O e assistindo-Lhe nesta terra?

Se Deus promete recompensar aquele que por seu amor dá um simples copo de água a um pobre, considera quão alta glória terá dado a José, que O salvou das mãos de Herodes, Lhe forneceu vestidos e alimentos, O trouxe tantas vezes nos braços e carregou com tamanho afeto. — Devemos ter por certo que a vida de São José, sob a vista e na companhia de Jesus e Maria, foi uma oração contínua, cheia de atos de fé, de confiança, de amor, de resignação e de oferecimento. Se, pois, a recompensa é proporcionada aos merecimentos ajuntados na vida, considera quão grande será a glória de São José no paraíso!

II. Santo Agostinho compara os demais Santos com estrelas, mas São José com o sol. O Padre Soares diz que é muito aceitável a opinião que depois de Maria, São José leva vantagem a todos os demais Santos em merecimento e em glória. Donde o Ven. Bernardino de Bustis conclui que São José, de certo modo, dá ordens a Jesus e Maria quando quer impetrar algum favor para os seus devotos.

Meu santo Patriarca, agora que gozais no céu sobre um trono elevado junto do vosso amadíssimo Jesus, que vos foi submetido na terra, tende compaixão de mim, que vivo no meio de tantos inimigos, maus espíritos e más paixões, que me dão combates contínuos para me fazerem perder a graça de Deus. Ah! Pela felicidade que tivestes, de gozar na terra, sem interrupção, da companhia de Jesus e Maria, alcançai-me a graça de passar o resto de minha vida sempre unido a Deus e de morrer depois no amor de Jesus e Maria, para que um dia possa ir gozar, convosco, da sua companhia, no reino dos bem-aventurados.

E Vós, ó meu amado Jesus, meu amantíssimo Redentor, quando poderei ir gozar-Vos e amar-Vos no paraíso face a face, seguro de não Vos poder mais perder? Enquanto viver, estarei exposto a tal perigo. Ah, meu Senhor e meu único Bem, pelos merecimentos de São José, que Vós amais e honrais tanto no céu; pelos merecimentos de vossa querida Mãe; e mais ainda, pelos merecimentos de vossa vida e morte, pelas quais merecestes para mim todo o bem e toda a esperança: não permitais que em tempo algum eu me separe nesta terra de vosso amor, a fim de que possa ir para a pátria do amor, a possuir-Vos e amar-Vos com todas as minhas forças e nunca mais em toda a eternidade afastar-me da vossa presença e do vosso amor.

Referências: 
(1) Mt 1, 19

quinta-feira, 12 de março de 2026

Gloriemo-nos na Cruz de Cristo - Santo Agostinho - Leitura Espiritual


A paixão de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo é um objeto de glória e um ensinamento de paciência. Pois, o que deixará de esperar da graça de Deus o coração dos fiéis, se por eles, o Filho único de Deus, coeterno com o Pai, não se contentou em nascer como um homem entre os homens, mas inclusive quis morrer pela mão daqueles homens que Ele mesmo tinha criado?

Grande é o que o Senhor nos promete para o futuro, mas é muito maior ainda aquilo que celebramos recordando o que já fez por nós. Onde estavam, ou quem eram, aqueles ímpios por quem Cristo morreu? Quem duvidará que possa deixar de dar sua vida aos santos, se Ele mesmo entregou sua morte aos ímpios? Por que ainda vacila a fragilidade humana em acreditar que um dia será realidade que os homens vivam com Deus?

O que já se realizou é muito mais incrível: Deus morreu pelos homens.

Porque quem é Cristo, senão aquele de quem diz a Escritura: No princípio já existia a Palavra, e a Palavra estava junto a Deus, e a Palavra era Deus? Esta Palavra de Deus se fez carne e habitou entre nós. Ele não possuiria o que era necessário para morrer por nós se não tivesse tomado de nós uma carne mortal. Assim o imortal pôde morrer. Assim pôde dar sua vida aos mortais: e fará que mais tarde tenham parte em sua vida aqueles cuja condição Ele primeiro se fez partícipe. Pois nós, por nossa natureza, não tínhamos possibilidade de viver, nem Ele, pela sua, possibilidade de morrer. Ele fez, pois, conosco este admirável intercâmbio, tirou de nossa natureza a condição mortal e nos deu da sua a possibilidade de viver.

Portanto, não só não devemos nos envergonhar da morte de nosso Deus e Senhor, como temos que confiar nela com todas as nossas forças e nos gloriarmos nela por cima de tudo: pois ao tirar de nós a morte, que em nós encontrou, prometeu-nos com toda a sua fidelidade que nos daria em si mesmo a vida que nós não podemos chegar a possuir por nós mesmos. E se aquele que não tem pecado nos amou a tal ponto que por nós, pecadores, sofreu o que tinham merecido nossos pecados, como depois de nos haver justificado, deixará de nos dar o que é justo? Ele, que promete com verdade, como não vai nos dar os prêmios dos santos, se suportou, sem cometer iniqüidade, o castigo que os iníquos lhe infligiram?

Confessemos, portanto, intrepidamente, irmãos, e declaremos bem às claras que Cristo foi crucificado por nós: e façamo-lo não com medo, mas com júbilo, não com vergonha, mas sim com orgulho.

 

O apóstolo Paulo, que se deu conta deste mistério, proclamou-o como um título de glória. E embora pudesse recordar muitos aspectos grandiosos e divinos de Cristo, não disse que se gloriava destas maravilhas –que tivesse criado o mundo, quando, como Deus que era, achava-se junto ao Pai, e que tivesse imperado sobre o mundo, quando era homem como nós–, mas sim disse: Deus me livre de me gloriar a não ser na Cruz de nosso Senhor Jesus Cristo.

terça-feira, 10 de março de 2026

Hoje iniciamos a Novena de São José




NOVENA DE SÃO JOSÉ

Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo...

Oração preparatória

Onipotente Deus e Senhor meu, que com misteriosa providência ordenais todas as coisas deste mundo para maior glória vossa e honra de vossos santos: já que fostes servido singularizar com prerrogativas tão excelentes o glorioso patriarca S. José, concedendo-lhe, entre outras muitas, a grande felicidade de expirar nos vossos braços, recebendo as suavíssimas consolações da vossa presença e da de vossa Mãe santíssima; por aquele grande amor, que nesta ocasião lhe mostrastes, e pela fineza que nesta ação lhe fizestes, vos peço humildemente aviveis a minha devoção e me concedais que acompanhe e imite nela os seus maiores devotos, para vossa maior glória e honra do mesmo santo.  E vós, glorioso S. José, pelos sete gozos e pelas graças que na hora do vosso passamento recebestes de vossa castíssima Esposa e de seu divino Filho, assisti-me especialmente na hora da minha morte, para que vá gozar em vossa companhia da eterna bem aventurança. Amém.

Santo Terço  // Salve Rainha

Jaculatórias. – Amados Jesus, José e Maria, dou-vos o meu coração e a minha alma.

Amados Jesus, José e Maria, assisti-me na última agonia.

Amados Jesus, José e Maria, fazei que minha alma expire em paz na vossa companhia.

P. N. ; A.M. ; Gl. P. (1)

LADAINHA DE SÃO JOSÉ

Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.

Jesus Cristo, ouvi-nos.
Jesus Cristo, atendei-nos.

Deus, Pai dos Céus, tende piedade de nós.
Deus Filho, Redentor do mundo, tende piedade de nós.
Deus Espírito Santo, tende piedade de nós.
Santíssima Trindade, que sois um só Deus, tende piedade de nós.

Santa Maria, rogai por nós.
São José, rogai por nós.
Ilustre filho de Davi, rogai por nós.
Luz dos Patriarcas, rogai por nós.
Esposo da Mãe de Deus, rogai por nós.
Casto guarda da Virgem, rogai por nós.
Sustentador do Filho de Deus, rogai por nós.
Zeloso defensor de Jesus Cristo, rogai por nós.
Chefe da Sagrada Família, rogai por nós.
José justíssimo, rogai por nós.
José castíssimo, rogai por nós.
José prudentíssimo, rogai por nós.
José fortíssimo, rogai por nós.
José obedientíssimo, rogai por nós.
José fidelíssimo, rogai por nós.
Espelho de paciência, rogai por nós.
Amante da pobreza, rogai por nós.
Modelo dos trabalhadores, rogai por nós.
Honra da vida de família, rogai por nós.
Guarda das virgens, rogai por nós.
Sustentáculo das famílias, rogai por nós.
Alívio dos miseráveis, rogai por nós.
Esperança dos doentes, rogai por nós.
Patrono dos moribundos, rogai por nós.
Terror dos demônios, rogai por nós.
Protetor da Santa Igreja, rogai por nós.

Cordeiro de Deus que tirais os pecados do mundo, perdoai-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus que tirais os pecados do mundo, ouvi-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus que tirais os pecados do mundo, tende piedade de nós.

V. Constituiu-o senhor de sua casa:

R. E príncipe de toda a sua possessão.

 

Oremos

Ó Deus, que por uma inefável providência vos dignastes de eleger o bem-aventurado José para esposo de vossa Mãe santíssima: concedei-nos, vos pedimos, que aquele que veneramos como protetor na terra, mereçamos tê-lo como intercessor nos Céus. Vós que viveis e reinais por todos os séculos dos séculos.  R. Amém.

 

CONSAGRAÇÃO A SÃO JOSÉ

Ó glorioso Patriarca S. José, que por Deus fostes estabelecido para cabeça e guarda da mais santa entre as famílias, dignai-vos lá do Céu ser também cabeça e guarda desta, que aqui está prostrada diante de vós e pede a recebais sob o manto do vosso patrocínio. Nós desde este momento vos escolhemos para Pai, protetor, conselheiro, guia e padroeiro e pomos debaixo da vossa guarda especial a nossa alma, corpo e bens, quanto temos e somos, a vida e a morte.

Olhai-nos como vossos filhos e coisa vossa. Defendei-nos de todos os perigos, de todos os ardis e de todos os enganos de nossos inimigos visíveis e invisíveis. Assisti-nos em todos os tempos, em todas as necessidades, consolai-nos em todas as amarguras da vida, mas em especial na agonia da morte. Dizei em nosso favor uma palavra àquele amável Redentor que em Menino trouxestes em vossos braços, àquela Virgem gloriosa de quem fostes amantíssimo Esposo. Ó! alcançai-nos deles aquelas bênçãos que conheceis serem proveitosas ao nosso verdadeiro bem e eterna salvação. Numa palavra, ponde esta (Família ou Congregação) no número das que amais e ela procurará por meio de uma vida verdadeiramente cristã não se tomar indigna de vosso especial patrocínio. Assim seja.


domingo, 1 de março de 2026

Vida e Vantagens da Congregação Mariana

A vida de uma Congregação Mariana tem duplo aspecto: um interno, outro externo. O primeiro abrange os atos de piedade com que a Congregação desperta, fomenta, radica e desenvolve nos Congregados o espírito da perfeição cristã. O segundo compreende as obras externas de zelo, por meio das quais a Congregação influi eficazmente no melhoramento social.

Um e outro aspecto, ou uma e outra vida da Congregação fluem naturalmente do fim a esta assinado nas Regras: fomentar nos seus membros a mais ardente devoção, reverência e amor filial à Santíssima Virgem; e, por meio desta devoção e pelo patrocínio de tão boa Mãe, fazer dos Congregados cristãos verdadeiros, que tratem sinceramente da própria santificação, e trabalhem com afinco em salvar e santificar os próximos e defender a Igreja de Cristo contra os ataques dos inimigos dela.

O ideal, pois, da Congregação Mariana é formar apóstolos; e a vida do bom Congregado, como a vida da Congregação, deve ser um apostolado contínuo.

Vida Interna

É fervorosa a vida interna da Congregação, quando nela se celebram com assiduidade:

Os exercícios de piedade próprios

1. As reuniões ordinárias e extraordinárias;

2. A Comunhão Geral;

3. O tesouro espiritual;

4. O Recolhimento Mensal;

5. Os Exercícios Espirituais de Santo Inácio;

6. A festa solene dos padroeiros, com a devida preparação e esplendor;

7. A devoção ao santo do mês e as intenções mensais;

8. A recitação em comum das orações tradicionais, como o Ofício de Nossa Senhora, a Hora Santa, a Via Sacra, o Rosário, etc

9. A participação nas seções e academias

Os Atos de Governo

1. Admissão de Aspirantes, Noviços e Congregados

2. Assembléia Geral com ou sem eleição dos oficiais

3. Consultas Ordinárias e Extraordinárias

Se a isto se acrescenta, por parte de cada um o desempenho fiel e consciencioso dos deveres próprios e do cargo, é quase impossível não se revelar na Congregação uma vitalidade abençoada, que Deus e a Virgem Santíssima coroam sempre de frutos salutares.

Seções e Academias

Uma parte importante da vida interna da Congregação está nas Seções e Academias. São verdadeiras escolas de formação, que cultivam a inteligência e o espírito, formam e apuram o gosto e orientam o critério de cada um, quer em matérias religiosas, quer em assuntos profanos. Quando bem assentes em piedade e bem dirigidas, são, na Congregação, o melhor apostolado. Formam-se seções com os Congregados que se destinam aos estudos de cada ramo, ou têm gosto por eles. Determinam-se os trabalhos quinzenais ou

mensais e fixa-se, para cada grupo ou seção, o dia da reunião. Nesta, lê ou expõe o seu trabalho quem foi encarregado ou discute-se depois em comum. Os assuntos devem ser bem escolhidos, entregues com a necessária antecedência e anunciados com tempo de poderem prepará-los, e discuti-los, todos os membros da seção. Os trabalhos, antes de apresentados em reunião, devem ser vistos pelo Diretor da Congregação ou por outrem competente.

Vida Externa

Compreende as obras de apostolado social e as múltiplas relações da Congregação ou dos Congregados, como membros dela.

Obras de apostolado

1. Bom exemplo;

2. Ensino e estudo da doutrina cristã;

3. Visita aos enfermos;

4. Visita aos presos e pobres;

5. Promoção da frequência aos Sacramentos;

6. Propagação da Comunhão Reparadora e Adoração;

Obras de educação

1. Promover a difusão da Boa Imprensa;

2. Promover a fundação de escolas católicas;

3. Procurar a fundação de catequeses, oratórios festivos, bibliotecas populares de bons livros;

4. Auxiliar eficazmente as obras da Propagação da Fé, dos seminários, das vocações sacerdotais e religiosas, universidades católicas, etc

O conjunto da vida interna e externa dos Congregados faz que o altar da Congregação seja um foco de bênçãos, de amor, de fé, de vida sobrenatural e de atividade cristã e apostólica. Nele se haurem forças e ânimos, se retemperam corações, armas e dele se voa, com valentia e ufania, aos combates da vida, que, à sombra do Coração e do manto de Maria, não deixam nunca de ser coroados de vitória e de prêmio. As Congregações Marianas, como bem alto proclamam suas próprias leis aprovadas pela Igreja, são associações impregnadas de espírito apostólico e como tais incitam seus membros, por vezes elevados às culminâncias da santidade, não somente a realizarem em si e nos demais o ideal da perfeição cristã, mas ainda, com o favor dos Sagrados Pastores, a defenderem os direitos da Igreja, conseguindo formar incansáveis arautos da Vir-gem Santíssima e propagadores do Reino de Cristo

Pio XII em Bis Saeculari Diae

Vantagens da Congregação

Quem sente mais de perto os frutos imediatos das Congregações são os seus próprios membros, porque: (grifos da edição)

1. A Congregação por si mesma lhe dá todos os bens da associação: União, esforços comuns, luz, orientação, méritos, privilégios e apoio.

2. Tem uma proteção especial da Santíssima Virgem Maria, por se consagrarem de modo também especial, ao serviço e culto da Mãe de Bondade: “Esta divina Mãe acode-lhes quando carecem do seu auxílio, consola-os na aflição, protege-os nos perigos, assiste-lhes nas enfermidades, fortifica-os na hora extrema e lhes dá uma boa e santa morte”

3. Tem ao lado o zelo de um Diretor solícito e ouvem muitas exortações e leituras de piedade, que são o pasto do espírito e lhes dão novas forças.

4. A eles, mais que a ninguém, aproveitam os bons exemplos. Entre os congregados encontram-se sempre fiéis que vivem, em corpos mortais, a vida pura dos anjos, chefes de família verdadeiramente cristãos, homens de probidade e proceder irrepreensível. E será possível que, vendo-os e convivendo com eles, não diga cada um para si: “Por que não farei eu o que vejo praticado pelos outros?” — Foi esta reflexão que converteu S. Agostinho e S. Inácio.

5. Aproveitam-lhes até as orações comuns que tem uma força particular na presença de Deus.

6. Para eles são em particular “os socorros mútuos da caridade cristã”. Os congregados amam-se uns aos outros como verdadeiros irmãos: Cor unum et anima una. Quaisquer que sejam as circunstâncias em que se encontrem, acharão em seus irmãos santas e caridosas consolações, nos momentos de dificuldade e no derradeiro alento.

7. Para a vida cristã dos Congregados faz muito o “empenho que contraem em cumprir as Regras da Congregação, frequentar os Sacramentos, propagar o Culto de Nossa Senhora e de desejar serem avisados quando tiverem caído em qualquer falta”. Estas obrigações, embora não se imponham sobre pena de pecado, é certo que supõem elas uma alma de boa vontade que tomou a sério o cumprimento dos seus deveres, na feliz necessidade de praticar a virtude.

8. Acresce o merecimento das boas obras de todos os Congregados a que cada um tem legítimo direito; e para avaliar todo o alcance deste merecimento, bastará recordar as inumeráveis práticas de devoção e caridade próprias da Congregação.

9. Finalmente, as indulgências da Santa Igreja são um incentivo pra aproveitar os tesouros da graça, e uma poderosa consolação ao pensar na satisfação quem pedem os nossos pecados.

Do que fica dito, facilmente se conclui com quanta propriedade S. Bernardino aplicava às Congregações Marianas o que S. Bernardo dizia das Comunidades religiosas: “Ali vive o homem mais puro: cai menos vezes em pecado; quando cai, é menos gravemente; levanta-se mais depressa; anda com mais precaução; tem mais sossego de espírito; é mais orvalhado com a chuva da divina graça; satisfaz mais a Deus e abrevia o purgatório; morre com maior confiança e alegria e é coroado de maior glória no Céu”.

No meio social, quando nele vivem vida de fervor, ação e zelo, é impossível que as Congregações não façam sentir intensa e extensamente os seus benéficos influxos. Porque a família e a sociedade lucram sempre quando contam em seu seio homens respeitadores da autoridade e da lei, amantes da ordem, da paz e do progresso, cumpridores conscientes do dever, votados de coração à prática das virtudes cristãs, especialmente à piedade, caridade, abnegação e sacrifício. E tais são os que as Congregações formam.

Depois, a Congregação é sempre um foco de apostolado direto: Na família, pela educação cristã; na paróquia, pelas obras de piedade e seções; na sociedade, pelas relações e influência dos seus membros. As obras de caridade, quando a Congregação é o que deve ser, estendem-se às classes indigentes, num duplo influxo de benfazer que mata a fome do corpo e melhora, preservando até, as almas e os costumes.

Na defesa dos sãos princípios é, por natureza, a Congregação um baluarte da fé e da razão. A obediência completa à autoridade eclesiástica, o conhecimento mais profundo da religião, o manejo das armas apologéticas nas formações, academias e círculos fazem de cada Congregado um combatente destro e valoroso, com que hão de haver-se os inimigos de Deus e da Igreja. Na propaganda, finalmente, dos princípios cristãos e no ataque aos erros modernos, a palavra e a pena dos

Congregados podem ser, e tem sido muitas vezes, um dos impulsores mais eficazes da resistência às insídias do mundo contra a Igreja, a Ordem e a Fé.

Com efeito, o ideal moral proposto pela Congregação é o mais levantado e puro: A Virgem Santíssima. E o amor efetivo e ardente à mãe de Deus faz brotar nos corações e alimenta neles as flores e frutos de todas as virtudes Cristãs.

A vida quotidiana do bom Congregado é o exercício contínuo e perseverante do amor ao dever e o cumprimento deste, em todas as conjunturas da vida e à custa dos sacrifícios necessários. Assim se forma a consciência, domam-se as paixões e se educa e fortalece a vontade, enquanto nas lides ordinárias e nos horizontes mais amplos abertos à iniciativa nas formações, academias e círculos, a inteligência se ilumina e exercita para os largos vôos da vida.

Numa palavra: O congregado tem na Congregação Mariana uma luz, uma força, uma orientação, uma fonte perene de espírito cristão e apostólico. Se o aproveita como deve, se dele se informa e conserva, será na vida inteira um combatente incansável de Deus e da Igreja, um apóstolo verdadeiro no meio em que viver, seja qual for seu estado e condição. Felizes os corações que na Congregação Mariana sabem dar-se generosamente a Deus, pelas mãos de Maria e feliz a sociedade em cujo seio florescem as Congregações Marianas.


Do Blog: Salve Maria