“A sua misericórdia se estende de
geração a geração, sobre os que o temem” (Lc 1, 50)
I. Onde poderíamos achar um coração mais terno e misericordioso do
que o Coração de Jesus, um coração que se tenha compadecido mais das nossas
misérias? A sua misericórdia fê-lo baixar do céu à terra; fê-lo dizer que era
Ele o bom Pastor vindo a dar a vida pelas suas ovelhas. Para nos obter o
perdão, a nós, pecadores, não perdoou a si mesmo e quis sacrificar-se sobre a
cruz, afim de sofrer Ele mesmo o castigo que nós tínhamos merecido.
É a mesma piedade e compaixão que O faz ainda agora dizer: Ó
homens, meus pobres filhos, porque vos quereis condenar, fugindo de mim? Não
vedes que afastando-vos de mim correis para a morte eterna? Não vos quero ver
condenados; não desanimeis, se quereis voltar a mim, voltai e recuperareis a
vida: – A mesma misericórdia O faz ainda dizer que ele é o Pai amoroso que,
posto que desprezado pelo filho, não sabe repulsá-lo quando volta arrependido,
mas o abraça com ternura e se esquece de todas as injúrias recebidas: – “Não
me lembrarei de teus pecados”.
Não é assim que soem fazer os homens. Estes, ainda que perdoem,
guardam sempre a lembrança da ofensa recebida e sentem desejos de vingança; e
se não se vingam, porque são tementes de Deus, ao menos têm grande repugnância
de conversar e tratar com aqueles que os ofenderam. – ah, meu Jesus, Vós
perdoais aos pecadores arrependidos e não recusais dar-Vos a eles todo inteiro
nesta terra pela santa comunhão e no céu pela luz da glória, sem que mostreis a
menor repugnância em conservar unida convosco, por toda a eternidade, à alma
que Vos ofendeu. Onde então achar um coração tão amável e misericordioso como o
vosso, ó meu amado Salvador?
II. Ó Coração misericordioso de meu Jesus, tende
compaixão de mim. Meu dulcíssimo Jesus, tende compaixão de mim. Eu Vo-lo digo
agora e dai-me, ó Jesus, a graça de sempre Vos repetir esta súplica: Ó meu
dulcíssimo Jesus, tende compaixão de mim. Antes de Vos ofender, ó meu Redentor,
não merecia, por certo, nenhuma das muitas graças que me fizestes. Vós me
criastes, me comunicastes tantas luzes, sem merecimento da minha parte. Depois,
porém, que pequei, não somente não sou digno de favores, mas mereço ser abandonado
de Vós e precipitado no inferno. A vossa misericórdia é que Vos fez esperar-me
e conservar-me a vida quando me achava na vossa desgraça. A vossa misericórdia
é que me esclareceu e me convidou à penitência; ela me deu a dor dos pecados e
o desejo de Vos amar e pela vossa misericórdia nutro a confiança de estar em
vossa graça.
Ó meu Jesus, não cesseis de exercer misericórdia comigo. – É
esta a misericórdia que Vos peço; iluminai-me e fortalecei-me para não ser mais
ingrato para convosco.
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