quinta-feira, 9 de julho de 2026

A primeira virtude do Congregado deve ser a humildade - Leitura Espiritual de Julho

 

A primeira virtude do Congregado deve ser a humildade


Como são raiz e fonte de todos os males: a soberba, a avareza e o amor próprio, são também raiz e princípio da perfeição cristã a humildade, o desinteresse e a abnegação da própria vontade. Por isso, o Congregado Mariano deve ter todo o cuidado e zelo de adquiri-las. A primeira virtude do Congregado Mariano deve, assim, ser a humildade.

Como ensina São Bernardo, A humildade é a virtude que leva o homem a desprezar-se ante veríssimo conhecimento de si mesmo, e aquele que a quer adquirir deve começar por um vivo conhecimento de sua vileza e miséria. Aquele que buscar se conhecer, ainda que pouco, conseguirá perceber sua baixeza, porque o homem nasce filho da ira e cheio de paixões, vive rodeado de poderosos inimigos e sem forças para vencê-los sozinho, porque  nossa capacidade vem de Deus; – Sem mim nada podeis fazer; e mais do que isso, se não souber pedir os socorros de que necessita, cairá nas mãos de um Juíz que lhe pedirá conta estrita de todas as suas calmas, e sabe ainda que estas se multiplicam a cada passo, pois – sete vezes por dia cai o justo.

Não é fácil penetrar bem nestas verdades e vivê-las. Para conseguir, o congregado deve recordar-se delas com frequência, e fará com que sirvam não para estéril conhecimento, mas como regra para as humilhações, com a qual se consegue o fundamento de todas as virtudes, a humildade. As humilhações podem ser enviadas por Deus por meio das criaturas ou tomadas voluntariamente por aquele que aspira a esta virtude, e ambas são necessárias para a perfeita humildade.

Para as humilhações enviadas por Deus, sempre que o congregado se vir desprezado entre os homens, ferido, repreendido, enganado, pensará que ouve da boca de Nosso Senhor– Aceita tudo o que te acontecer. Na dor, permanece firme; na humilhação, tem paciência, e o obedecerá com alegria, ou ao menos com boa vontade, dizendo com sua boca e coração:  seja feita a vossa vontade.

As humilhações voluntárias se ordenarão a moderar os afetos da alma por meio de ações externas. Para isso, o congregado buscará mortificar e rejeitar tudo em seu trato e porte que possa fomentar o orgulho e a soberba, conformando-se com o aviso do Espírito Santo: De nada vale a riqueza no dia da ira divina.

O congregado, assim, se vestirá com o honesto traje comum daqueles de sua própria classe e tempo, fugindo de adornos, posturas e atitudes que causem destaque, chamem a atenção dos outros e fomentem pensamentos de vaidade e orgulho.

O congregado, ainda, terá muito cuidado em não ser gloriado em suas ações, suas forças, seus talentos ou outras características, segundo aquele aviso do Senhor:  não se glorie o sábio em sua sabedoria, nem se orgulhe o forte em sua força, nem o rico de sua riqueza. Considere como se turbou Nossa Senhora ao ouvir as palavras de São Gabriel, e como aos extraordinários elogios com que a felicitava Santa Isabel, não soube responder senão com aquele humilde canto: Magnificat . A sua semelhança, São Luís não apenas não se gloriava em suas coisas, mas fugia como possível de companhias, conversas e lugares em que se fazia alarde de destreza ou habilidades, e retirando-se a algum lugar apartado, encomendava-se a Deus, enquanto outros gastavam seu tempo em diversões e aplausos.

O congregado cederá com gosto e cortesia aos seus iguais, e mesmo aos inferiores, o lugar que ocupa, a honra a que tem direito e as ocasiões que se apresentarem no mundo Amai-vos mu­tuamente com afeição terna e fraternal. Adiantai-vos em honrar uns aos outros. 

Como a soberba, segundo Santo Agostinho, corrompe as boas obras e, por isso, até nas boas obras deve ser temida e evitada, não se contentará o congregado com moderar os afetos que têm por objeto o mal, mas terá, também, muito cuidado  e vigilância sobre as boas obras que faz, para que não as roa o verme da vanglória.

 Excerto da obra de Santo Antônio Maria Claret 

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