A primeira virtude do Congregado deve ser a humildade
Como são raiz e fonte de todos os
males: a soberba, a avareza e o amor próprio, são também raiz e princípio da
perfeição cristã a humildade, o desinteresse e a abnegação da própria
vontade. Por isso, o Congregado Mariano deve ter todo o cuidado e zelo de
adquiri-las. A primeira virtude do Congregado Mariano deve, assim, ser a
humildade.
Como ensina São Bernardo, A
humildade é a virtude que leva o homem a desprezar-se ante veríssimo
conhecimento de si mesmo, e aquele que a quer adquirir deve começar por um vivo
conhecimento de sua vileza e miséria. Aquele que buscar se conhecer,
ainda que pouco, conseguirá perceber sua baixeza, porque o homem nasce filho da
ira e cheio de paixões, vive rodeado de poderosos inimigos e sem forças para
vencê-los sozinho, porque nossa capacidade vem de Deus; –
Sem mim nada podeis fazer; e mais do que isso, se não souber pedir os
socorros de que necessita, cairá nas mãos de um Juíz que lhe pedirá conta
estrita de todas as suas calmas, e sabe ainda que estas se multiplicam a cada
passo, pois – sete vezes por dia cai o justo.
Não é fácil penetrar bem nestas
verdades e vivê-las. Para conseguir, o congregado deve recordar-se
delas com frequência, e fará com que sirvam não para estéril conhecimento, mas
como regra para as humilhações, com a qual se consegue o fundamento de
todas as virtudes, a humildade. As humilhações podem ser enviadas por Deus
por meio das criaturas ou tomadas voluntariamente por aquele que aspira a esta
virtude, e ambas são necessárias para a perfeita humildade.
Para as humilhações enviadas por
Deus, sempre que o congregado se vir desprezado entre os homens,
ferido, repreendido, enganado, pensará que ouve da boca de Nosso Senhor: –
Aceita tudo o que te acontecer. Na dor, permanece firme; na humilhação,
tem paciência, e o obedecerá com alegria, ou ao menos com boa vontade,
dizendo com sua boca e coração: seja feita a vossa vontade.
As humilhações
voluntárias se ordenarão a moderar os afetos da alma por meio de ações
externas. Para isso, o congregado buscará
mortificar e rejeitar tudo em seu trato e porte que possa fomentar o orgulho e
a soberba, conformando-se com o aviso do Espírito Santo: De nada
vale a riqueza no dia da ira divina.
O congregado,
assim, se vestirá com o honesto traje comum daqueles de sua própria classe e
tempo, fugindo de adornos, posturas e atitudes que causem destaque, chamem a
atenção dos outros e fomentem pensamentos de vaidade e orgulho.
O congregado,
ainda, terá muito cuidado em não ser gloriado em suas ações, suas forças, seus
talentos ou outras características,
segundo aquele aviso do Senhor: não se glorie o sábio em sua
sabedoria, nem se orgulhe o forte em sua força, nem o rico de sua riqueza. Considere
como se turbou Nossa Senhora ao ouvir as palavras de São Gabriel, e como aos
extraordinários elogios com que a felicitava Santa Isabel, não soube responder
senão com aquele humilde canto: Magnificat . A sua semelhança,
São Luís não apenas não se gloriava em suas coisas, mas fugia como possível de
companhias, conversas e lugares em que se fazia alarde de destreza ou
habilidades, e retirando-se a algum lugar apartado, encomendava-se a Deus,
enquanto outros gastavam seu tempo em diversões e aplausos.
O congregado
cederá com gosto e cortesia aos seus iguais, e mesmo aos inferiores, o lugar
que ocupa, a honra a que tem direito e as ocasiões que se apresentarem no mundo: Amai-vos mutuamente com afeição
terna e fraternal. Adiantai-vos em honrar uns aos outros.
Como a soberba, segundo Santo
Agostinho, corrompe as boas obras e, por isso, até nas
boas obras deve ser temida e evitada, não se contentará o
congregado com moderar os afetos que têm por objeto o mal, mas terá, também,
muito cuidado e vigilância sobre as boas obras que faz, para que não as
roa o verme da vanglória.
Excerto da obra de Santo
Antônio Maria Claret
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