terça-feira, 12 de março de 2013

A Prima Primária (parte 1)


Após o contexto do século XVI, conforme artigo anterior, com as diversas mudanças que estavam ocorrendo no mundo, onde se destacaram a criação da Companhia de Jesus e o Advento do Concílio de Trento para renovar a Igreja perante a onda protestante, surge a primeira Congregação Mariana, fundada no Colégio Romano da Companhia de Jesus, em 1563, peloPadre João Leunis,SJ, para os alunos desse colégio. Para isso foram concedidas indulgências e privilégios vários.

Os Papas agregam para si Associações de fiéis, Movimentos e outras iniciativas para o bem da Igreja e com isto comunicam indulgências e privilégios. Agregam Congregações Marianas por serem devotos de Nossa Senhora. Daqueles que eram membros da Prima Primária, podemos citar o Papa Clemente X (…±1670), que Detinha fama de costumes sóbrios e de ser “incorruptível”; Papa Clemente XI (…±1721), pontífice da Conciliação, Viveu, entretanto, numa época ingrata, devido a guerra ocasionada pela disputa da coroa do falecido Carlos II da Espanha; Beato Pio IX (…±1878), que em 8 de dezembro de 1854, proclamou o dogma da Imaculada Conceição da Virgem Maria como sendo um dogma de fé da Igreja através da encíclica Ineffabilis Deus; Papa Leão XIII (…±1903), escreveu a Rerum Novarum, a Carta Encíclica sobre as Condições dos Operários em 15 de maio de 1891.

No entanto, o fundador da Congregação Mariana é diferente. Para nós, triste, talvez, dizer o nome do padre João Leunis,SJ, é simplesmente um nome e nada mais. Não vamos perguntar por que é. Cada um de nós pode encontrar uma resposta igualmente satisfatória. Suficiente dizer que é a ele que devemos a nossa identidade de congregados marianos, mas para ele, servir a Nossa Senhora na obscuridade era recompensa suficiente.

Em 03 de maio de 1556, exatamente 7 anos antes da edificação da Primeira Congregação Mariana, João Leunis apresentou-se a Santo Inácio em Roma, buscando admissão na Companhia de Jesus. Cabe lembrar que Santo Inácio de Loyola veio a falecer no dia 31 de julho do mesmo ano.

No Livro de Registro do Noviciado, consta que João Leunis Fleming, da Diocese de Liége (Bélgica), chegou para o noviciado em 18 de junho de 1556, foi examinada como um Indiferente, considerado livre de impedimento. Declarou-se pronto para tudo que lhe fosse proposto no exame. Trouxe com ele uma roupa nova de material branco grosseiro, uma camisa muito velha, um chapéu de feltro preto, já muito desgastado, um par de velhos sapatos rasgados de couro curtido e um pequeno livro de oração a Nossa Senhora.