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sábado, 5 de janeiro de 2019

Meditação para o Domingo da Epifania do Senhor

Pe. João Mendes S.J

     Aquele Messias que esperávamos no Advento manifesta-se hoje aos gentios. Dá-se o encontro do sinal de Deus com a boa vontade dos homens e é nisso que consiste, sumariamente, o ato de fé.
     Esta virtude teologal, pela qual entramos no Reino, tomando contato com o mundo sobrenatural da Trindade, supõe uma palavra de Deus e uma resposta do homem. Daí que a Epifania seja um paradigma de fé.


1. PALAVRA DE DEUS: A ESTRELA

     1. DEUS FALA. Para que nós respondamos e assintamos, tem Ele que falar primeiro. A luz da Fé não é mais que a luz própria de Deus, com que ele se vê a si mesmo, revelação de sua intimidade e dos seus mistérios, a claridade da sua essência, trina e uma, a resplandecer sobre os homens perdidos nas trevas da razão desamparada; é um prolongamento da luz do Verbo. Cristo é a luz de Deus. Hoje, falou o Senhor por uma estrela que levou os Magos ao Verbo Humanado, movendo-os com o brilho especial que dela irradiava e convencia a segui-la.
     2. MAS NÃO É INTEIRAMENTE EVIDENTE, de ordinário, a palavra de Deus, e por vezes, até nos parece desconcertante. Aqui, qual não seria a decepção dos Magos, ao chegarem diante de Cristo? Seria realmente, o Rei dos Judeus aquele menino, pobre e humilde? Seria o Messias Redentor? Seria Deus? Talvez também aqui, " Bem Aventurados os que não viram..."
     E de ordinário, não é inteiramente evidente a Palavra de Deus, porque o Senhor é sóbrio na manifestação da sua luz e do seu poder. Como Ele podia, facilmente, cegar-nos com o seu esplendor! Mas assim como um grande sábio tem pejo de se mostrar sabedor diante de um iletrado, e é para ele muito mais nobre trazer, suavemente ao conhecimento da Verdade, a inteligência rude e morosa do ignorante - assim Deus parece, também, não se querer mostrar forte, diante de quem é tão fraco como nós. Não quer ser uma espécie de prestigiador divino, a maravilhar, facilmente, os nossos olhos aturdidos; como não quis, diante de Herodes, manifestar o seu poder, como não quis ceder às solicitações de Satanás, fazendo milagres inúteis. E prefere provocar-nos, discretamente, ensinando-nos, com uma estrela longínqua, a soletrar as primeiras sílabas da sua luz.
   
2. ASSENTIMENTO DO HOMEM: A ROMAGEM DOS MAGOS

     1. RENÚNCIA A DEMASIADAS EXIGÊNCIAS CRÍTICAS. Se existe o mundo sobrenatural, há-de ser numa escala diferente da do nosso; pois que se o mundo de Deus nos fosse plenamente inteligível, já seria o nosso mundo, feito à nossa medida. E se Deus se nos revelasse numa evidência inteiramente necessitante, a empresa máxima da nossa vida, que é a conquista da verdade, e com ela a nossa auto-criação pessoal, transformar-se-ia na aceitação passiva da imposição do mais forte. Temos pois, que divinizar-nos, com esforço heroico, entrando, corajosamente, no mar desconhecido, que é o mundo de Deus; Prometeu terá de roubar o fogo do céu, mas para seu bem, porque num ato de coragem, que é, também, de profunda humildade e abandono.

CONCLUSÕES

     1. CRER É UMA VITÓRIA SOBRE O MUNDO. Ao sairmos de nós, para a grande peregrinação, para além do que é natural e mundano, é preciso vencer, numa grande vitória, as pequenas evidências de tudo o que é próximo e nos enleia os passos. Vençamos o mundo, aceitando a Epifania Divina da fé, a revelação da Luz de Deus, em Cristo Jesus " Esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé " ( 1 Jo 5,4)
     2.CRER É UMA VITÓRIA SOBRE NÓS MESMOS. No ato de fé, nem tudo é sair, mais ainda, descer, fielmente, ao mais profundo da alma " O que for da verdade ouve a minha voz" ( Jo 18,37 ). A discrição do apelo divino aclara-se com nosso apelo interior que vai ao seu encontro. Porque há, no mais íntimo de nossas aspirações, um parentesco oculto com o presépio e com os escândalos de Cristo. A sua pobreza é nossa riqueza, a sua cruz é nossa alegria. A sua estrela rompe, primeiro, na penumbra e nos longes da nossa própria alma; porque temos a inquietude de peregrinos de uma terra de promessas e de um Messias que são muito mais do que nós, de um reino que não é feito pela escada deste mundo.