sábado, 24 de setembro de 2016

A Confissão do Congregado

Alexandre Martins, cm.


A recepção dos Sacramentos pelos Congregados marianos não é diferente dos demais católicos, apenas deve o Congregado ser mais dedicado e fiel do que os demais. O que não é pouca coisa.
Em 1563 o jesuíta Pe. João Leunis reunia os melhores alunos do Colégio Romano da Companhia de Jesus para os exercícios de piedade na primeira Congregação Mariana. Desde 1541 existiam confrarias de leigos que continham em suas regras o dever de se reformar a si mesmo diariamente, dando bom exemplo e procurando a edificação do próximo, confessando e comungando cada 15 dias, visitando e servindo aos pobres nos hospitais e assistindo reuniões no colégio. Desde 1470, as Confrarias do Rosário criadas pelos dominicanos regulavam para seus membros a confissão semanal e comunhão mensal além dos dias de Festa litúrgicas da Virgem e de Jesus. Fomentava-se a oração, em especial o terço, e o mínimo de meditação diária, uso do cilício e até a flagelação em público ou em particular e a reunião semanal. Ao mesmo tempo, a vida pública dos membros era cuidadosamente regulada. Não era novidade para os Congregados marianos a rigidez de uma Regra, mas para eles se revestia de um caráter mais incisivo.
O Sacramento da Penitência - ou simplesmente, “a Confissão” - é um momento em que o Congregado mariano deve ver como uma nova oportunidade de emenda de vida e/ou de aprimoramento da vida em busca da santidade. E tem a sua própria História para dar testemunho. Como diz a Regra 21:
“É recomendável que cada Congregado Mariano tenha um confessor certo e "a ele manifeste, com toda sinceridade, o estado de sua consciência e por ele se deixe guiar e dirigir em tudo que respeita à vida espiritual", e se aproxime frequentemente da Confissão Sacramental e, ao menos uma vez ao ano, por ocasião do Retiro Espiritual, faça a Confissão Geral.” 1

A frequência à Confissão

Há sacerdotes que indicam a Confissão somente pela Páscoa, ou , quando muito, apenas uma vez ao mês. Mas isso não se aplica aos Congregados. Para um bom Congregado mariano a frequência deve ser semanal. E isso, claro, se não há consciência de pecado mortal. Neste caso, deve-se procurar o sacerdote o quanto antes. Não se trata de - como dizem alguns, com suposto zelo - “tratar o sacramento como lata de lixo” ou de usar do sacramento coo algo sem critério. O congregado vê nessa procura frequente uma forma de ficar o menor tempo possível em pecado mortal.
Como nos lembra o pe. Américo Maia, SJ:
“A imaginação, potência errante (vagabunda), por excelência, deve ser dominada. Importância considerável é a gravidade incalculável de um ato como a confissão. Ser Congregado é saber confessar-se. Da imaginação dominada ao espírito de análise aplicado ao conhecimento de si mesmo, é uma linha diretriz que quer fazer do devoto "um homem interior". Num processo de transformação que modifica o homem radicalmente, o corpo tem seu lugar: atos de penitência e mortificação física, procissões e a romaria, em especial. Pureza pessoal em relação aos outros e nos outros. 'O mal que ameaça a Cidade de Deus, após o pecado original, é a sexualidade compreendida como o sinal da presença demoníaca no homem. A alma pertence a Deus mas o corpo ao demônio. Então, a vida cristã reduz-se a uma única palavra de ordem: a fuga do pecado e uma guarda feroz da castidade. "2

Sabe ele que o pecado mortal tem esse nome porque mata a vida da Graça em nossa alma. Não é à toa que a cor dos paramentos no Sacramento da Penitência é a mesma que nas Exéquias... O Congregado, portanto, não deseja andar pelo mundo como um morto, como um zumbi. Um verdadeiro filho de Maria não pode dar desgosto a sua amantíssima Mãe.
O critério para essa frequência à Penitência se dá pela ação do Exame de Consciência diário. É nesse momento que as faltas pessoais se tornam relevantes e os pecados mortais aparecem como caroços indigestos num mingau. Se vê então a necessidade de Confissão sacramental.

Os tipos de padre

A busca de um sacerdote piedoso pode ser difícil em alguns lugares, por vários motivos. Mas deve-se sempre compreender os três tipos básicos de sacerdotes para confissão:

a) O sacerdote que atende uma confissão apenas pelo fato de ser sacerdote. Neste caso, qualquer um pode ser procurado pelo Congregado, em qualquer, lugar, a qualquer hora.
b) O sacerdote que é o confessor do Congregado. É aquele escolhido pelo Congregado para receber sua Confissão frequente. Essa escolha se dá por uma certa afinidade ou compreensão entre ambos. As Regras da Congregação indicam um “confessor fixo”: é este o caso.
      1. O Diretor Espiritual. Não se engane: o Diretor Espiritual é um sacerdote com vocação específica para isso. E nem todos a possuem. Devemos pedir a Deus que nos coloque no caminho um sacerdote “douto e santo” - como s. Teresa D'Ávila indicou como características de um real Diretor espiritual.

Como confessar

Conseguido o sacerdote, deve o Congregado, lembrando a citada Regra 21, se confessar “como Congregado”. Algumas atitudes são uteis para demonstrar ao sacerdote, caso esta não nos conheça, com quem está lidando, para que a Confissão possa ter mais fruto. Muitos sacerdotes nada sabem da existência dos Congregados e muitos não acreditam que sejamos diferentes dos demais devotos marianos. Lembre-se que um Congregado mariano é o católico que sabe como se confessar.
Primeiramente, avise que é um Congregado mariano e frequenta assiduamente as reuniões da Congregação: Logo, ao se apresentar ao confessor, diga-lhe: "Abençoa-me ó padre, porque pequei". O sacerdote lhe responde: "O Senhor esteja no seu coração e nos seus lábios para que possa confessar os seus pecados" Logo depois dirás: "Faz ... (semanas, meses, anos) que não me confesso". Alguns acrescentam (e é um excelente hábito) a qual associação pertencem: "Faço parte da Renovação Carismática, pertenço ao Movimento dos Focolares, aos Catecúmenos, sou escoteiro, pertenço à Congregação Mariana, à Irmandade do Sagrado Coração de Jesus...". Agora acuse todos os seus pecados, sem precipitação, sem medo, de maneira que se faça entender. É inútil enganar o sacerdote: não se pode enganar a Deus. 3
Segundo, confesse seus pecados dos mais graves aos menores, usando a lista mental que foi descoberta em seu Exame de Consciência.
Terceiro, acuse também alguma falta do caráter pessoal ou de temperamento.
Escute com atenção as admoestações do sacerdote e cumpra o mais rápido possível a Penitência dada. Para um soldado, ordem dada é ordem cumprida. Para um Congregado, soldado de Maria, a penitência deve ser cumprida ainda com amor e disposição. Lembre-se que “arrepender-se é próprio dos santos”.4

Frequência dos santos

Na História da Congregações marianas existem vários relatos da Confissão frequente. São esses fatos, vividos por santos Congregados, que devemos imitar e com os quais refutaremos as criticas daqueles que nos criticam por nos confessarmos “a toda hora”, de sermos “Puritanos”, de “abusar do Sacramento”, etc.
São Luiz de Gonzaga, padroeiro da Juventude, Congregado mariano em Reims, confessava-se todos os dias antes da Missa e Comunhão diárias.
São Vicente de Paula, Congregado na Itália, confessava-se duas vezes por semana.
São Felipe Néri, Congregado italiano, confessava-se um dia sim e outro não, e o mesmo queria que fizessem os seus religiosos.
Os Congregados marianos S. Vicente Ferrer, S. Carlos Borromeu, S. André Avelino e muitos outros se confessavam diariamente.
São Leonardo de Porto Maurício, o infatigável apóstolo italiano e fundador de várias Congregações Marianas, depois de ter tido o belo hábito de se confessar diariamente com constância, chegando aos quarenta e dois anos, pensou em duplicar a dose e escreveu no seu regulamento particular: "De agora em diante confessar-me-ei duas vezes por dia, para aumentar a graça que espero tornar maior com uma única confissão do que com muitas boas obras, de qualquer espécie".

Conclusão

A vida sacramental é uma das bases do bom Congregado mariano. E é essa frequência piedosa a eles que deram exemplo a outros católicos, influenciando positivamente a vida da Igreja. Se quisermos reformas no laicato e, até mesmo, no Clero, esse é o caminho mais eficaz.
Como nos ensina s. Teresa de Calcutá, Congregada mariana missionária:
A confissão é um ato magnífico, um ato de grande amor. Só aí podemos entregar-nos enquanto pecadores, portadores de pecado, e só da confissão podemos sair como pecadores perdoados, sem pecado. A confissão nunca é mais do que humildade em ação. Dantes chamávamos-lhe penitência mas trata-se na verdade de um sacramento de amor, do sacramento do perdão. Quando se abre uma brecha entre mim e Cristo, quando o meu amor faz uma fissura, qualquer coisa pode vir preencher essa falha. A confissão é esse momento em que eu permito a Cristo suprimir de mim tudo o que divide, tudo o que destrói. A realidade dos meus pecados deve vir primeiro. Quase todos nós corremos o perigo de nos esquecermos de que somos pecadores e de que nos devemos apresentar à confissão como tais. Devemos dirigir-nos a Deus para Lhe dizer quão pesarosos estamos de tudo o que possamos ter feito que O tenha magoado. O confessionário não é um local para conversas banais ou para tagarelices. Aí preside um único tema – os meus pecados, o meu arrependimento, como vencer as minhas tentações, como praticar a virtude, como crescer no amor a Deus.”5

Nossa Senhora dos Penitentes, rogai por nós!
 


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1- veja também as Regras Comuns das Congregações Marianas 36, 37 e 39.
2- Reyn., Geneviève. "Convents de Femmes (La Vie des Religieuses Cloitrées dans la Fran. das XVII et XVIII siécles). Fayard, Paris, 1987, pág. 125. citado por pe. Pedro Américo Maia, SJ, in “História das congregações Marianas no Brasil”, Edições Loyola, São Paulo , SP, 1992.
3- pe. Eugenio Maria Pirovano,FDJ in “Exame de Consciência: Preparação para o Sacramento da Penitência”, Ed. Loyola, 5ª edição, 2005, pág 11
4- “Pecar é comum a todos os homens, mas arrepender-se é próprio dos Santos”. s. Ambrósio de Milão in “Apologia David ad Theodosium Augustum”, II 5-6

5- in "Não há maior amor" (a partir da trad. de Il n'y a pas de plus grand amour, Lattès 1997, pág. 116)

domingo, 18 de setembro de 2016

A postos!‏

Alexandre Martins, cm.

Uma das características de um Congregado mariano autêntico é a prestatividade. O verdadeiro Consagrado é uma pessoa prestativa para a Igreja. No antigo jargão militar, “estar a postos” significava “estar em seu posto”, “estar de prontidão”, “estar preparado para agir quando necessário”. È uma postura que o verdadeiro Congregado mariano sempre deve manter: preparado para agir.
Alguns atribuem essa característica à imitação de Maria quando, ao saber da situação de Isabel, corre imediatamente a ajudá-la, mesmo que estivesse distante (Lc 2,42). “…pôs-se a tenra e delicada donzela a caminho, sem se atemorizar com as fadigas da viagem”.1
Essa imagem da “Virgem Prestativa” é querida pelas moças na Congregação Mariana e demonstra um carinho pelas coisas de Deus, manifestadas nos seres humanos. A Congregada mariana se vê como aquela que está disposta a servir. “A caridade é prestativa” (1Cor13, 4).
Mas os homens tem outra imagem para ilustrar sua ação: o cruzado que está disposto a lutar pela Igreja.
Não é à toa que, no início do século XX no Brasil, as Congregações Marianas masculinas se assemelhassem a verdadeiros exércitos, tanto na sua organização e disciplina quanto em sua eficácia e atuação. O distintivo em uso até 1955 era como um “escudo de cavaleiro”, o hino oficial evocava a “luta” e a “espada”, etc. Tudo isso para dispor no coração do jovem Congregado a atitude de disponibilidade ao serviço da Igreja, como um soldado pela pátria ou melhor: o cavaleiro da Rainha.
Congregação Mariana do Ginásio Nossa Senhora da Conceição, em São Leopoldo (RS) - “Queremos apenas pôr o nosso batalhãozinho em mais estreito contato com os maiores e heróicos regimentos que em outros pontos do grande campo de batalha combatem pela mesma bandeira.” 2

Se em alguns essa atitude aguerrida fosse entendida como algo belicoso, o real significado é a prestatividade – marca do autêntico Congregado. O verdadeiro Congregado mariano não é aquele que fica sentado sem se preocupar com as necessidades da Igreja.
È comum vermos jovens congregados se disporem a ajudar nas Missas, a promovereem a organização da assembléia de fiéis e sempre colaborando com os sacerdotes.
Essa colaboração é, por vezes motivo de espanto aos que não entendem a prestatividade dos filhos de Maria. Há sacerdotes que ficam desconcertados com aquele aquem não é preciso pedir, pois já se colocam à disposição para ajudar. Os religiosos não tem o costume de alguém ajudar o seu convento sem serem antes comunicados. Os Congregados marianos são aqueles que estão às portas para ajudar de algum modo.
Em um mundo de egoísmo e interesses, uma atitude sincera e pura como a dos autênticos Congregados marianos não deixa de espantar. Mas é esta a norma ensinada dentra das Congregações Marianas: sentir com a Igreja.
Que a Virgem de Nazaré, solícita para com todos – Isabel, o casal de Caná... - possa manter o mesmo espírito de solicitude nos seus Congregados.

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Os Importantes Secundários

Alexandre Martins, cm.

Uma Congregação Mariana ostenta dois padroeiros: um primário e outro secundário.
O padroeiro primário é feminino, ou seja, é sempre uma invocação da Virgem Maria, pois, como o próprio nome diz, uma Congregação Mariana é uma Congregação de Maria e, portanto, deve ter como patronato principal a própria Mãe de Deus. Como são mais de 2000 títulos existentes, não é difícil encontrar um a gosto do local e das pessoas dali.
Entretanto, também há um segundo padroeiro, chamado de padroeiro secundário, que é um santo ou mesmo um bem-aventurado (que se chamava antigamente de beato).
As mulheres não são excluídas deste patronato secundário, e mesmo há casos de dois padroeiros secundários, como o caso da primeira Congregação Mariana, fundada em Roma, cujos padroeiros secundários são os santos Pedro e Paulo.
Um contra-ataque ao desprezo protestante
A motivação desse patronato secundário nos remete à Contra-Reforma. Era vontade na época o incremento do culto aos santos, que eram preteridos pelos protestantes.
Uma forma que os jesuítas encontraram em propagar a memória dos santos e bem-aventurados foi colocar patronatos em suas Congregações Marianas e estabelecer, por regra, a comemoração das festas de todos os padroeiros.
Se tem registro de grandes festas das Congregações Marianas aos seus padroeiros, tão grandes e ricas que faziam movimentar toda a cidade.
Utilidade
É de grande ajuda este patronato secundário. Através dele pode a Congregação mostrar um exemplo mais direto de santidade aos seus membros. O motivo é simples: deve-se escolher um padroeiro que seja não “a gosto do freguês” mas sim aquele que de alguma forma seja adequado à proposta da Congregação ou a sua característica de funcionamento (RV,45).
Por exemplo, a uma Congregação Mariana para jovens será indicado ter como padroeiro secundário são Luiz de Gonzaga, o próprio padroeiro da Juventude. Para uma Congregação Mariana de senhoras, talvez santa Mônica ou santa Rita de Cássia, pelo seus exemplos de maternidade e esposas cristãs. Para uma Congregação de militares, são Sebastião ou São Jorge, soldados cristãos. Para uma Congregação de enfermeiras ou de médicos, são Camilo de Lélis, fundador da Ordem dos Ministros dos Enfermos (Camilianos). Os exemplos são vários.
Comemorar e não esquecer
É importante que as festas e comemorações dos padroeiros secundários sejam adequadamente realizadas. É comum estes secundários serem colocados literalmente em "segundo plano". E nada mais errado. Tal como a Virgem Maria no seu patronato principal tem a sua importância, também o padroeiro secundário tem o seu valor. Senão ele não estaria também ali protegendo e servindo de exemplo para aquela Congregação.
Lembremos que, como a Virgem Maria protege a todas as suas Congregações, os padroeiros secundários protegem cada um a Congregação que o tem por padroeiro.
As festas dos padroeiros secundários devem ser feitas adequadamente. Novenas, tríduos, recolhimentos, reuniões especiais e, é claro, a Santa Missa votiva do santo devem ser realizadas de acordo com as possibilidades da Congregação em fazê-la a mais festiva possível.
É de muita utilidade para os congregados a lembrança dos méritos de seu patrono, e para os demais fiéis, é uma saudável propaganda de um exemplo de vida a ser seguido.
Santos padroeiros, santos Congregados, rogai por nós!

domingo, 10 de julho de 2016

A Formação da Ação

Alexandre Martins, cm

As Congregações Marianas são tradicionais no apostolado e essa ação fomenta a formação que se propõem a dar a seus membros. É uma atitude retroalimentada: a ação urge da formação enquanto a própria formação impele à ação.

Mais que uma escola, um exército

Um equivoco bem comum, infelizmente, é ver uma Congregação Mariana como somente uma escola - um local aonde apenas se obtêm formação espiritual - e que a ação, o apostolado ou a caridade sejam atitudes que são relegadas a outras associações ou pastorais, ou mesmo somente ao foro pessoal de cada Congregado. Diz o papa Bento XV: “não basta haver dado o nome a uma Congregação, posto sobre os auspícios da Virgem, para merecer o qualificação de “verdadeiros congregados marianos”.1
Embora possa acontecer isso, sem muito prejuízo para a Congregação Mariana como um todo, a forma clássica das Congregações Marianas é que as obras apostólicas – e mesmo as sociais e caritativas - sejam fomentadas ou “capitaneadas” pelos Congregados nos locais aonde estejam. “Quem dá o nome às Congregações Marianas, não somente professa tender a um crescimento individual na virtude, senão também querer ocupar-se no bem do próximo; e assim o avanço espiritual como o zelo pelo bem dos outros ponha-os sobre o maternal patrocínio da Santíssima Virgem.”2
Essa atitude de primazia nunca deve ser entendida como alguma manifestação de vaidade ou orgulho, mas como uma forma clássica da formação pessoal apostólica e humana do Congregado. É um “estilo de ser”. Somos uma elite e, como os antigos reis que saíam à frente de seus exércitos, temos a atitude primeira. Lembra-nos o papa Pio XI:“quando, unidos a vós e a vosso clero, trabalham em público e particularmente para que Jesus Cristo seja conhecido e amado, é quando sobretudo merecem ser chamados linhagem escolhida, sacerdócio real, nação santa, povo resgatado.”3

A formação fomenta a ação

Somente uma reunião ordinária da Congregação Mariana não proporciona ao Congregado aquela formação que se preconiza a um “católico com sinal mais”. Isso é comprovado. Por melhor e mais bem preparada que seja a palestra e também as meditações, a formação só se completará a contento quando for experimentada na prática. Por exemplo, não basta uma palestra sobre caridade se a associação não fomenta uma distribuição de brinquedos às crianças pobres no Natal. “As Congregações Marianas (devem) claramente promover nos fiéis a maior perfeição espiritual e também mais eficaz espírito de zelo para o bem do próximo.”4
Em alguns grupos católicos dá-se a essa ação o nome de “gesto concreto”. Embora com outros nomes essa atitude é uma herança das Congregações Marianas, uma contribuição sua à Igreja, sendo usada por varias pastorais, mesmo que estas não saibam dar o devido crédito.

Os benefícios para toda a vida

Como exemplo de que forma o apostolado e as atividades praticadas na Congregação Mariana podem ajudar na formação do Congregado, podemos listar:
  • O espírito de união – todas as atividades das Congregação Mariana pressupõem um grupo de Congregados mesmo sendo um grupo grande ou pequeno. Isso fomenta o espirito de colaboração entre pessoas e, mais ainda, pessoas cristãs. “Lhes desejamos recomendada com muito encarecimento a fraterna caridade, para que a guardem e exercitem continuamente, não somente com os demais congregados, senão também com todos os fiéis cristãos e, praticando assim sem cessar obras de piedade e misericórdia”.5
  • O modo de obedecer – não se trata apenas de “ser obediente”, mas sim de “como exercitar essa obediência”. Não obedecer como um escravo ou um empregado assalariado, mas obedecer como um vassalo livre e fiel a seu rei, como uma filha que ama a seu pai. “uma total submissão e obediência, aquela tão recomendada, e para seu bem espiritual”6
  • O sentido de disciplina – saber obedecer a alguém também é obedecer aos que foram colocados por essa pessoa a nos orientar. Um grupo tem um líder, que foi nomeado por alguém acima dele. A disciplina nos ensina que cada pessoa tem uma função e que cada um deve exercê-la corretamente para o bem de todos. “Não recusem obedecer com pronta e animada vontade aos mandamentos e conselhos dos particulares diretores designados em todas as coisas que pertencem ao estado e governo das mesmas Congregações.7
  • O sentido de ordem – as Congregações Marianas costumam agir com organização quase militar. É tradicional nelas e também seu carisma. Uma herança jesuíta. A ordenação é querida pelo próprio Deus e é um complemento da disciplina. Somos um “esquadrão em ordem de batalha sob a autoridade e obediência dos pastores da Igreja, não só em virtude da fervorosa e incondicional sujeição a Sé Apostólica, mas também pela humilde e dócil submissão às ordens e conselhos dos Ordinários.” 8
  • O “sentir-se Igreja” - no apostolado o Congregado se sente com um “embaixador” da Igreja em certos ambientes e isso o ensina como agir com responsabilidade cristã também em outros momentos da sua vida. “Levem uma vida digna de seu nome de cristãos e própria de um congregado que se tem consagrado à Virgem.” 9

Ajuda no “discernimento dos espíritos”

São vários os ensinamentos práticos que a ação apostólica ou social das Congregações Marianas pode proporcionar aos Congregados. A Lista é maior. “Que congregado poderia dizer-se que mostra o suficiente zelo pelo bem do próximo, se não concorre, como poderia, ao ensinamento do Catecismo na paróquia, se não visita aos enfermos ou presos, se não favorece do modo que possa, as obras de caridade sugeridas pela diferentes circunstâncias dos tempos e do lugares?”10
Para os Diretores, é também um campo de prova para os candidatos à Consagração. É no seu desempenho nestas obras externas que se pode medir o desprendimento, doação de sim mesmo e as retas intenções dos aspirantes e candidatos. Numa palavra, se o espirito da pessoa será o indicado para a Congregação, se é realmente o seu caminho.
Que possamos entender corretamente a dupla missão das Congregações Marianas na busca da santidade de seus membros transformação do Mundo à Luz do Evangelho usando das obras de ação.
Admoesta o papa Bento XV, mais um dos papas Congregados marianos:
Que proveito tão grande reportara para a família cristã, se os membros dela atendessem, como devem os congregados, à própria santificação e ao bem do próximo ! Não há quem não veja quanto se facilitaria a finalidade da sociedade, tanto religiosa como civil.”11

Santa Maria, Rainha dos Apóstolos, rogai por nós!


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1 - papa Bento XV - Discurso no 40º Aniversário de seu Ingresso na Congregação Mariana - 9 de dezembro de 1915
2- ibid nota 1
3- papa Pio XI - Encíclica “Ubi Arcano” - 23 de dezembro de 1922
4- ibid Nota 1
5- papa Bento XIV - Bula Áurea “Gloriosae Dominae” - 27 de setembro de 1748
6- ibid Nota 5
7- ibid Nota 5
8- papa Pio XII – Constituição Apostólica “Bis Saecularii” sobre as Congregações Marianas - 27 de setembro de 1948
9- ibid Nota 5
10- ibid Nota 1


11- ibid Nota 1

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Segue-Me (Mt 8, 22) – Meditação Eucarística


Por Beato Manel González García.

Estamos em nosso Sacrário; tu, meu sacerdote, de joelhos diante do Altar, Eu de meu modesto trono do cibório. Ouviste e entendeste o “se conhecesses…!” de meu convite ao Sacrário, e, em vez de imitar à Samaritana nas perguntas de curiosidade e de dúvida com que me responde, decidiste aceitar e vir.
Não é isso que me queres dizer posto aí de joelhos?
Sim, o olhar fixo com que olhas para a porta de meu Tabernáculo, como esperando ver-me sair por ela para te falar e andar, caminhar contigo, está me recordando a atitude firme de outro sacerdote meu: de Pedro, quando me dizia à vista de muitos que iam embora: A quem iremos, senão a Vós?
Esta é a tua palavra, não é verdade?
Mas devo te advertir que nos séculos que levo vivendo entre os homens, ouvi muitos dizerem estas palavras, e, não obstante, vejo tão poucos me seguirem.
E não creias que mentem, mas se enganam…
Sabes em que?
Em vez de seguir-me a mim, que sou o Jesus verdadeiro, seguem a um outro Jesus.

As duas classes de seguidores de Jesus.

Não te estranhes nem te escandalizes: Jesus verdadeiro só há um, o primogênito do Pai Celestial e Filho da Virgem Imaculada; mas Jesus falsificados, apócrifos, fantásticos, há muitos, muitos, tantos como imaginações e egoísmos, sensualidades e hipocrisias, empenhados em que não haja Jesus, ou que e ele exista a seu gosto e capricho.
Conheço mais falsificações de mim (que realidade)!
E evidentemente, como sempre é mais cômodo seguir ao falsificado que ao verdadeiro, tenho que passar pela dor de me ver suplantado, em minhas igrejas, em meus Sacrários!
Coitadinhos! E os vejo rezando e alguns até comungando, e logo depois no colóquio que em seu interior fazem com seu Jesus, e na atitude e nos trajes com que se apresentam, percebo que não é comigo que falam, mas com um jesus (assim com letra minúscula) não bom, mas bonachão, não suave, mas adocicado, não compassivo, mas tolerante, não sábio, mas de modestos alcances, não ciente de tudo, mas míope e afeiçoado a fazer vista grossa, não diligente, mas sonolente, … um jesus, evidentemente, sem nada de coroa de espinhos, nem cruz, nem sangue, nem pobreza, nem austeridades de Calvário, mas antes, com esplendores de glória, brancuras de neve, olhares apaixonados, colo terno, peitos macios, ternura de palavras, derretimentos de afetos, de sonhos, e de ilusão. Quanta coisa e sob tanta variedade de formas!
E não penses, meu sacerdote, que são somente pessoas mundanas e sem teologia as que assim me suplantam, que aqui na intimidade da conversa, eu te direi – e quanta pena isso me causa – que ouço a alguns amigos pregando a um jesus que não sou eu, aconselhando conforme uma moral cristã que não é minha, prometendo prêmios e recompensas a obras e pessoas totalmente incomunicadas comigo…
Como tudo isso é duro, não?
Mas tão certo como duro.
Não vês as obras de muitos que me tem na boca, que andam junto a mim e que até comem por servir-me?
Em suas maneiras de falar e de pensar dos demais, de querer aos irmãos, de tratar os inimigos, de vestir, de sofrer, de se alegrar, de viver, em uma palavra, encontras acaso um traço que seja, do Jesus Sacrário: calado, paciente, pobre, abnegado, incansável, humilde, generoso e amante até o fim?
Não? E contudo falam de Jesus, chamam-se cristãos, isto é, seguidores de Jesus?

Já sabes a qual jesus seguem.

Eles são dos falsificadores

Tu, segue-me a Mim.

A Mim!

O filho de Maria Imaculada, o aprendiz da oficina de Nazaré, o Mestre da Cruz de madeira, o Crucificado do Calvário e do Altar, o Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo…

fonte: http://www.adapostolica.org/artigos/segue-me-mt-8-22-meditacao-eucaristica/