segunda-feira, 27 de março de 2017

Para que servem as Congregações Marianas‏

Alexandre Martins, cm.

A Igreja é o Corpo Místico de Cristo e pertencer a ela é a única coisa necessária para a Salvação.1 Estar em um grupo da Igreja é algo a mais e não absolutamente necessário. E cada associação da Igreja tem sua utilidade e função específica.
Os Mandamentos da Igreja, os quais nos são ensinados no Catecismo, alertam para o dever de assistir Missa inteira nos Domingos e Festas obrigatórios. É necessário à Salvação a participação na memória do Santo Sacrifício de Nosso Senhor ao menos nos Domingos, dia santo por excelência, como também nas quatro festas de presença obrigatória. Viver isso era considerado como ser um “bom católico”. Mas, após o Concílio Vaticano II e embasados pelas Conferências de Puebla e Medellín, os católicos, em especial os latino-americanos, foram chamados a possuir uma atitude missionária que acabou por gerar um ativismo que se tornou prejudicial para muitas pessoas, tanto fiéis leigos quanto o Clero. De hora para outra, participar da Santa Missa dominicalmente deixou de ser o somente necessário para se tornar algo caracteriza apenas o “católico acomodado”. De uma hora para outra, vários grupos, movimentos e pastorais surgiram como mato em um terreno baldio, ansiosas por mostrar uma “atividade missionária moderna”.
As Congregações Marianas, que já existiam há 4 séculos, sentiram a grande debandada de seus membros para os novos grupos que surgiram. Os sacerdotes, ansiosos por novidades, deram mais atenção aos novos movimentos e até mesmo criaram outros eles mesmos. Muitos leigos queriam algo diferente, uma reunião com cadeiras em círculo e sem paletós, e os padres conversando amenidades e não palestras preparadas com estudo.

Os novos grupos para velhas perguntas já respondidas


O problema, ou questão, que não foi respondida à época poderia haver mantido muitas Congregações Marianas funcionando ou até mesmo desencorajado a fundação de novos grupos que depois tiveram pouca duração: qual a finalidade das Congregações Marianas.
Um grupo mariano sempre tem uma função - ou carisma, como é o modo de falar de hoje. As confrarias do Rosário tinham a função de propagar a devoção e recitação do Santo Rosário. Os Círculos Bíblicos eram formados para fazer a leitura e estudo da Sagrada Escritura em conjunto por leigos, como um grupo de estudo escolar, sem sacerdotes. E as Congregações Marianas?

Para que servem as Congregações?


As Congregações Marianas não são somente um local de devoções marianas; não são um lugar de estudo sobre a Virgem Maria; não são uma espécie de escola de teologia ou estudos bíblicos; não são uma associação de ataque às heresias; não são um grupo aonde se abriga das baixezas do Mundo.
As Congregações Marianas servem para mudar a sociedade.
E que mudança seria essa senão a mudança da Sociedade humana à luz do Evangelho? E a mudança de uma mentalidade corrompida pelo pecado em uma mentalidade iluminada pela Graça santificante.
Por isso a preocupação das Congregações Marianas em que seus membros tenham vida de oração e frequência aos sacramentos, São os meios de manter e aumentar a Graça em nossos corações. Não se trata, portanto, de um ativismo para fazer mais orações ou atividades religiosas que outros grupos, mas sim proporcionar, aos Congregados e aos demais cristãos à nossa volta oportunidades de contexto com Deus.
Essa é a finalidade das Congregações Marianas: transformar a localidade aonde estejam. Como o sal da terra, como a lâmpada no alto, fazem a benéfica influência em tudo e em todos ao seu redor.

O porquê da formação do Congregado


A formação catequética dada aos Congregados não tem como função criar “super homens” da Fé ou grandes teólogos mas dar as razões da Fé para que ela seja robusta e firme no coração de cada um. Por isso a tradicional organização das Congregações Marianas para cada classe da Sociedade, como os estudantes, os comerciantes e outras. Com essa Fé firme, fortalecida pelo conhecimento da Doutrina Cristã, é natural que o Congregado seja um apóstolo no meio dos seus amigos e familiares, corrigindo, orientando e alentando a todos ao seu redor.
Por isso a seleção dos membros das Congregações Marianas, pois elas são o lugar para os que desejar agir e trabalhar para a expansão do Reino de Cristo na Terra. E nem todos querem ser cristãos assim. Muitos apenas desejam um grupo aonde se sintam acolhidos e queridos, outros um local tranquilo aonde possam fazer suas orações por intenções pessoais, outros querem uma espécie de escola da Fé aonde tenham suas dúvidas e curiosidades religiosas sanadas. Pessoas assim serão apenas amigos ou uma espécie de “associados paralelos” de uma Congregação Mariana mas não verdadeiros Congregados marianos.
Que sejam admitidos nas Congregações Marianas somente os que desejam transformar o Mundo e não os que querem apenas participar de um grupo mariano. Somente assim as Congregações Marianas poderão ser aquilo para o qual foram criadas.
Santa Maria, ensinai-nos a ser sal da terra!

sábado, 25 de março de 2017

A alma da Congregação

Tem-se visto muito em várias instruções e em palestras de Congregações Marianas que a alma de uma Congregação estaria no “sentir com a Igreja”, no “unir-se como Papa”, em ser “irmão dos demais congregados, etc.
Entretanto a vida de um congregado, sua razão de ser e agir, provém somente de uma simples atitude: a palavra.
Entendemos a palavra de um congregado como sua atitude de juramento, sua Consagração.
Sendo, na hora de seu ingresso na Congregação, o congregado chamado ao altar pelo Secretário, ele, diante do Assistente-Eclesiástico que representa a Hierarquia da Igreja, pronuncia em alta voz a fórmula da Consagração.
Muito importante é considerar isto: ele mesmo se consagra à Virgem Maria.
Não é outro que o faz por ele. Ele próprio, com decisão, com atitude, se prostra voluntariamente perante um ícone da Virgem Maria e formula seu desejo de servir-La e para que “dos demais seja servida e amada”i, isto é, que irá fazer o todo possível para que outros a amem como ele a ama.
A fórmula atualmente em uso no Brasil sugere ainda que o candidato se propõe a venerar os outros congregados que se santificaram na Congregação antes deleii. Outros que,como ele, se propuseram ser fiéis a palavra que deram perante o altar da Virgem Maria.
A atitude dos congregados é imitadora da mesma atitude feita por santo Inácio de Loyola quando colocou sua espada no altar da Virgem e consagrou-se como seu cavaleiro, no estilo que ele entendia como vassalo, o que se dá o nome de “vassalagem marial”.iii
Este sentido de fidelidade, de honra, nos remete aos antigos cavaleiros medievais. Estes, dotados de honra varonil, dispostos a derramar seu sangue por sua Fé, por seu compromisso. Nestes nossos tempos de apreço pelas civilizações orientais e seus costumes, esta honra também nos remete aos guerreiros samurais no Japão feudal e à sua férrea disciplina no código Bushidôiv. Antes a morte do que faltar ao compromisso assumido com quem quer que fosse, quanto mais ao Shogun !v
Como analogia contemporânea podemos comparar o congregado mariano com o antigo guerreiro samurai. Da mesma forma que a vida do samurai se baseava na honra também a vida do congregado também se baseia numa honra. Porém numa honra maior, mais transcedental, baseada no orgulho de pertencer a uma grei santa.
Nos cum prole pia, benedicat Virgo Maria ! – como os da prole santa, bendigamos a Virgem Maria – era a jaculatória muito em voga entre os congregados brasileiros do início do século XX. Significava que se sentiam pertencentes a uma linhagem sagrada – uma prole santa – os filhos de Maria, assim como o próprio Jesus Cristo. Quanta honra de ser irmão do mesmo Mestre e Salvador ! Quanto gosto de ter como mesma Mãe pura Aquela do nosso Redentor !
O samurai feudal arriscava a própria vida pelo código do Bushidô. Muitas vezes praticava o ritual do Sepukkuvi quando acreditava ter falhado com a obediência a esse código, sacrificando sua própria vida que mereceria somente este fim honroso para não permanecer vivo como homem sem honra.
O congregado sabe que sacrificando sua própria vida pela Fé ele a recebe em dobrovii. Sabe que o quanto dedica para os demais, pela Igreja, pelos que dele necessitam, está em acordo com a Doutrina Evangélicaviii.
Na concepção pagã zen-budista do samurai, seu erro merecia a morte. Para o cristão, como o é o congregado, o erro arrependido é coberto pelo único sacrifício capaz de apagar todos os erros: o sacrifício de Cristo na Cruzix. Não precisa o congregado sacrificar sua vida. Cristo já sacrificou a sua por todos.
E para isto Cristo pede fidelidadex. E fiel é o congregado. Fiel à sua palavra dada. Fiel à sua Consagração, filha desta palavra.
Palavra esta dada não aos oficiais da Congregação, não ao sacerdote, nem mesmo à Igreja. Mas uma palavra dada diretamente à Virgem Maria. Àquela mesmaque disse “sim” ao chamado de Deus. Sua Consagração não é um compromisso com a Congregação Mariana como uma instituição, mas à Congregação Mariana como “Escola de Maria”.
Toda a sua vida na Congregação e na Igreja deriva desta palavra, deste compromisso assumido com a Virgem.
Se é fiel aos seus deveres na Congregação, isto reflete seu compromisso com a Virgem. Se é solícito em ajudar os demais congregados é porque o sentido de maternidade de Maria o faz ver nos demais seus irmãos, não somente “irmãos de fita”, mas irmãos de uma mesma Mãe puríssima.
As mulheres sempre tiveram dificuldade de relacionar esta palavra proferida com a atitude do cavaleiro medieval, quanto mais do samurai.
Embora as mulheres fossem oficialmente aceitas nas Congregações Marianas a partir de 1745, o sentido de vassalagem sempre perdurou, por vezes substituído por um sentido de ser uma “filha de Maria “.xi
Mas, comparativamente, não são as mulheres fiéis ao compromisso com suas mães terrenas ? Como deixarão de o ser mais fiéis ainda com a sua Mãe celeste?
Não se vê freqüentemente a jovem preocupada com chegar em casa fora do horário acertado com sua mãe e quanto isto a angustia? Não é a mulher sempre a mais fiel e a que mais se lembra no que disse no altar no seu casamento? Como pode a mesma jovem descumprir o que prometeu com sua Mãe Celeste ? Como pode a mulher esquecer o que prometeu naquele altar perante sua Senhora?
Vários são os congregados que permanecem fiéis à Igreja mesmo não participando mais de uma Congregação. Sua palavra dada á Virgem Maria os fez vislumbrar o quão santa é esta atitude de unidade eclesial. Mesmo não freqüentando uma Congregação Mariana por motivos válidos ainda assim entenderam que são filhos desta Mãe bendita que tem neles seus servos. A vivência desta palavra os fez amadurecer na Fé.
Isto é o essencial na vida do congregado mariano: a vivência de seu juramento.
Com esta vivência, tudo se completa.
Sem esta vivência, são apenas “palavras ao vento”.


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i - Ato de Consagração Perpétua do Congregado Mariano atribuído a s. Francisco de Sales, in "Manual-Devocionário do Cogregado Mariano, ed. Loyola, São Paulo, SP, 1981, pág. 106
ii - ibid.
iii - O primeiro pensamento do novo soldado de Cristo foi o de ir para a Terra Santa e viver em oração, penitência e contemplação nos lugares em que se operou nossa Redenção. Em Montserrat, fez uma confissão geral de sua vida e depôs a espada no altar da Virgem. Viveu depois algum tempo em Manresa, onde recebeu grandes favores místicos e escreveu seus famosos "Exercícios Espirituais". (conf. Saint Ignace de Loyola, Autobiographie, Éditions du Seuil, 1962, p. 43. Esta autobiografia foi relatada ao Pe. Luís Gonçalves da Câmara pelo próprio Santo.)
iv - código de ética do guerreiro samurai
v - governador feudal
vi - ritual de suicídio segundo a tradição samurai no século XII, chamado vulgarmente de “harakiri”
vii - Mt
viii - Mt
ix - CIC
x - Mt
xi - breve “Quo Tibi”

Fonte: http://livrosmarianos.blogspot.com.br/2012/09/a-alma-da-congregacao.html?m=1

terça-feira, 14 de março de 2017

Um protestante aprende a rezar o terço


Trecho do relato do teólogo Scott Hahn a respeito de sua conversão à fé católica, tirado de seu livro "Todos os Caminhos Levam a Roma".

(...)

Alguém me mandou um terço de plástico. Ao ver aquelas contas senti que me enfrentava com o obstáculo mais forte de todos: Maria (os católicos não fazem a menor idéia de como é duro para os protestantes aceitarem as doutrinas e devoções marianas). Mas eram já tantas as doutrinas da Igreja Católica que se tinham mostrado solidamente baseadas na Bíblia, que decidi dar um passo de fé nesse ponto.

Fechei-me no escritório e rezei silenciosamente: "Senhor, a Igreja Católica demonstrou estar na verdade em noventa e nove por cento dos casos. O único grande obstáculo que ainda subsiste é Maria. Peço-te perdão de antemão se o que vou fazer te ofende... Maria, se és apenas metade do que a Igreja Católica diz que és, por favor, apresenta a minha petição - que parece impossível - ao Senhor mediante esta oração".

Rezei então pela primeira vez o terço.

Voltei a rezá-lo muitas outras vezes pela mesma intenção ao longo da semana seguinte, mas depois esqueci-me do assunto. Três meses mais tarde me dei conta de que desde o dia em que tinha começado a rezar o terço aquela situação aparentemente impossível se tinha alterado completamente. A minha petição tinha sido ouvida!

Senti-me muito envergonhado pelo meu esquecimento e ingratidão. Nesse momento agradeci a Deus a sua misericórdia e voltei a utilizar o terço, que não deixei de rezar desde esse dia. É uma oração poderosa, uma arma incrível, que ilumina o escândalo da Encarnação: o Senhor elegeu uma humilde virgem camponesa e elevou-a para ser aquela que daria a natureza humana sem pecado à segunda Pessoa da Santíssima Trindade, para que pudesse tornar-se nosso Salvador.

Pouco depois recebi um telefonema de um velho amigo da universidade. Tinha ouvido dizer que eu andava namorando com a "prostituta da Babilônia" *, como ele mesmo disse. Não poupou palavras.

- Quer dizer que você já adora Maria, não é, Scott?

- Escute, Chris, você sabe muito bem que os católicos não "adoram" Maria; simplesmente a veneram.

- E qual é a diferença, Scott? Nenhuma das duas coisas tem base bíblica.

Não sabia o que dizer. De terço na mão, invoquei Maria para que me ajudasse. Revigorado, respondi:

- Olhe que pode ter uma surpresa.

- Ah é? Por quê?

Comecei a dizer a primeira coisa que me veio à cabeça:

- Realmente é muito simples, Chris. Simplesmente recorde dois princípios bíblicos básicos. Primeiro: você sabe que, como homem, Jesus Cristo cumpriu à perfeição a lei de Deus, incluindo o mandamento de honrar pai e mãe. A palavra hebréia para honrar, kabodah, significa literalmente "glorificar". Ou seja que Cristo não só honrou o seu Pai celeste, como também honrou perfeitamente a sua mãe terrena, Maria, outorgando-lhe a sua própria glória divina. O segundo princípio é ainda mais simples: a imitação de Cristo. Imitamos Cristo não só honrando as nossas próprias mães, como também honrando aqueles que Ele honra, e com o mesmo tipo de honra que Ele lhes dá.

Seguiu-se uma longa pausa antes que Chris dissesse:

- Nunca tinha ouvido as coisas apresentadas desse modo.

Para ser franco, eu também não.

- Chris, isso é apenas um resumo do que os Papas têm dito ao longo dos séculos sobre a devoção a Maria.

Chris voltou ao ataque:

- Uma coisa são os Papas, mas onde é que isso aparece na Escritura?

Respondi instintivamente:

- Chris, Lucas 1, 48 diz: "De agora em diante, todas as gerações me chamarão bem-aventurada". É isso que faz o terço, cumprir a Escritura.

Seguiu-se outra longa pausa, antes de Chris mudar rapidamente de tema.

A partir de então, senti que a recitação do terço me ajudava a aprofundar na minha própria compreensão da Bíblia. A chave era, obviamente, a meditação dos quinze mistérios; mas também me dei conta de que a própria oração confere uma certa perspicácia teológica para considerar todos os mistérios da nossa fé de acordo com algo que ultrapassa muito -  mas não se opõe - a capacidade racional do intelecto: é o que alguns teólogos designaram como "a lógica do amor".

Descobri pela primeira vez essa "lógica do amor" ao contemplar a Sagrada Família em Nazaré, modelo de todo lar. A Sagrada Família, por sua vez, apontava para a Aliança e, em última instância, para a própria vida íntima de Deus como eterna Sagrada Família: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Esta belíssima e convincente visão começou a encher o meu coração e a minha mente...
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* - palavras pejorativas com as quais alguns protestantes se referem à Igreja Católica.

segunda-feira, 13 de março de 2017

São José

Alisson Oliveira. cm

São Mateus o chama e define também: —O Justo. Joseph cum esset justas... José como era justo...
Não simplesmente a virtude cardeal da justiça porém muito mais amplo a virtude em grau sublime e
heroico jamais visto ou alcançado (depois de Maria Ssma) de se conformar a Lei de Deus.
“José é chamado de Justo porque tem a perfeição de todas as virtudes”
São Jerônimo, Homilia 3, in Luccam.
O MAIOR DOS SANTOS
Depois de Maria, José. É sem dúvida o maior dos santos, pois recebeu de Deus maiores graças e
desempenhou a maior e mais sublime missão na terra. Pai adotivo do Filho de Deus humanado e esposo
da Mãe de Deus. Poderia alguém na terra, depois de Maria excedê-lo na gloria da santidade? Quem
teve maior e mais sublime missão a cumprir na terra?
Sem dúvida, dos sete dons do Espirito Santo, os que São José mais deve ser exercitado, em razão
de sua função, foram o dom do conselho e o da fortaleza, para dirigir, governar e defender a Sagrada
Família entre tantas privações e adversidades, sem perder de vista um só momento o supremo sacrifício
da Cruz.

S. José excede a dignidade dos Apóstolos. Estes foram ministros e dispensadores dos mistérios de
Deus, vasos de eleição, colunas da fé, mensageiros da palavra divina. S. José foi maior que Moises em
santidade, a São João Batista, S. Pedro e S. Paulo, bem como também aos maiores mártires e doutores
da Igreja. Nenhum santo teve como Ele privilégios tão singulares e viveu mais unido a Deus e mais
abrasado na Divina Caridade. Pelas relações com Jesus e Maria Santíssima é o maior dos santos, e
precede a todos os eleitos no culto que lhe prestamos.
Pai adotivo de Jesus
A maior glória de São José, a mais rica pérola do seu coroa, o título e privilégio que o faz o maior
dos Santos é o de Pai do Filho de Deus humanado. Todos os Santos, se gloriam de serem chamados
servos de Deus, servos de Jesus Cristo. São José, e só ele, foi chamado Pai do Salvador, Pai de Jesus
Cristo. Entre os títulos de glória do Santo, este é sem dúvida o maior.
Os nazarenos, diz o Evangelista, tinha José por pai de Jesus. Assim dizia e julgava o povo
ignorante do adorável mistério da Encarnação do Verbo. Os Evangelistas, que narraram e conheceram
o mistério da Encarnação e a Divindade de Jesus, chamavam a José pai de Jesus. E Jesus mil vezes o
havia de chamar Pai, e a ele esteve sujeito e obediente trinta anos desde Belém.
São José, pois, é e deve ser chamado Pai de Jesus, Pai virginal, não Pai carnal, Pai putativo,
genealógico, jurídico ou legal, adotivo, eletivo, nutrício, virginal, afetivo e de ofício de Jesus Cristo e
segundo a geração humana, porque Maria Imaculada concebeu, e foi Mãe de Jesus por obra e graça do
Espírito Santo. Eis a sua glória: Pai de Jesus.
Qual graça extraordinária para o São José de ver, dar ordens e prover tudo daquilo que Nosso
Senhor necessitava... Ah que graça extraordinária, S. José de que como por um véu, não brilhar como
o Sol do meio dia na Terra, a exemplo de Moisés (Ex 34, 29-35) ao descer do monte com as tábuas da
Lei nas mãos, brilhava a sua face que os hebreus nem conseguiam olhar para ele.
O esposo virginal de Maria Santíssima
“ José, filho de Davi, não temas receber em tua casa Maria, tua esposa” Mt 1,20.
“José... fez como lhe tinha mandado o anjo do Senhor, e recebeu em sua casa Maria, sua
esposa” Mt 1,24.
Foi José verdadeiro e legítimo esposo de Maria, de um matrimônio, perfeitamente virginal,
maravilhosamente fiel, milagrosa e infinitamente fecundo.
E formou São José semelhante a Maria. José foi formado à semelhança da Virgem, sua esposa. O
céu, escolheu a São José como o único digno de um tal tesouro: —Maria.
Para ser esposo da Mãe de Deus, que pureza e que santidade não havia de ter São José! E se Deus
o escolheu entre os homens o mais semelhante à mais perfeita das criaturas, sua santíssima Esposa.
Para lembrar os dois títulos de maior glória que o tornam o maior e o mais singular dos Santos — Pai
adotivo de Jesus Cristo e Esposo de Maria Imaculada.
E aqui fica a resposta à pergunta: Quem é São José? Virum Mariae de quanatus est Jesus. — É o esposo
de Maria, diz o Evangelista, da qual nasceu Jesus.
São José, príncipe da casa real de Davi
São José era da nobre estirpe, como nos relata os Evangelhos de S. Mateus 1, 1-17 e S. Lucas 3, 23-28. “Genealogia de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão. Obed gerou Jessé. Jessé gerou o rei Davi. O rei Davi gerou Salomão, daquela que fora mulher de Urias. Salomão gerou Roboão. Roboão gerou Abias. Abias gerou Asa. Asa gerou Josafá. Josafá gerou Jorão... Eleazar gerou Matã. Matã gerou Jacó. Jacó gerou José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, que é chamado Cristo. S. Mateus 1, 1-17


“ não era apropriado que o Rei dos reis convivesse, na sua intimidade, com quem não fosse nobre nem de espirito e de sangue. Não convinha que Aquele a Quem servem milhões de anjos escolhesse como pai adotivo alguém que não fosse de nobre linhagem, nem que a Virgem, escolhida como Mãe de Deus, á qual prestam homenagem todos os habitantes da Jerusalém terrestre, fosse casada com homem de origem plebeia”. Suma dos dons de São José.
Segundo São Mateus mostra as gerações de Davi até Cristo, mudando assim em S. José para indica-lo como pai adotivo e não carnal de Nosso Senhor.
Assim as promessas a dinastia de Davi, na qual S. José tem a glória de pertencer, a um título muito especial: foi o último e não menor e transmitiu a Nosso Senhor a herança davídica.
Prefiguração no Antigo Testamento
Uma das figuras mui própria, em que os Santos Padres reconhecem haver sido misteriosamente representado São José, foi o antigo Patriarca José, Vice-rei do Egito, porque nele se cumpriram todas as grandezas. Sonhara ele que o Sol, a Lua e as Estrelas o adoravam e foi nisto um retrato figurativo da obediência que Jesus e Maria, verdadeiro Sol e verdadeira Lua, havia de ter a São José, e o respeito que os mais santos, simbolizados nas estrelas, lhe tributam. Chamou-se também a José o salvador do mundo, porque proveu de mantimento e livrou da fome não só o Egito, mas toda a terra em torno; e tudo isto foi anuncio de que o glorioso São José na lei da graça havia de ser a quem todo o gênero humano devesse a salvação, pois salvou o Redentor, livrando-o da tirania de Herodes, que o queria matar, quando menino, e ele foi também o que guardou o pão da vida de Jesus Cristo, que é o sustento do universo.
“Ide a José” Gn 41,55.
A virgindade de São José
A virgindade perpétua é outra coroa de glória do santo Patriarca. A Escritura nada fala da virgindade de S. José, mas a Tradição nos guarda e garante esta opinião com segurança. A Tradição teológica, escreve o Pe. Cantera, reprova todos os erros contra esta doutrina e afirma unanemente a Virgindade de S. José, é uma verdade teologicamente, da qual não é lícito a nenhum cristão duvidar. É célebre a resposta de S. Jerônimo ao herege Helvídio: Dizes, que Maria não ficou Virgem. Pois não só defendo e afirmo a Virgindade de Maria, como digo ainda mais: por Maria foi Virgem também S. José(2). (1) Cantera - San José en el Plano Divino (2) Adv. Helv. n° 19.
Dia de São José
Por isso, hoje é dia de festa para a Fé. O culto a São José começou no Oriente, passando mais tarde para o Ocidente, onde hoje alcança grande popularidade.
Pio IX estendeu a festa do Patrocínio de São José a toda a Igreja com o decreto "inclytus Patriarcha Joseph", de 10 de setembro de 1847. Declarou solenemente o Bem-aventurado José “Patrono da Igreja Católica”, e ordenamos que a sua festa de 19 de março, dupla de primeira classe, todavia sem oitava por causa da Quaresma, fosse celebrada no mundo inteiro
São José e Santa Teresa de Ávila
“Tomei por advogado e senhor ao glorioso São José e encomendei-me muito a ele. Vi claro que, tanto desta necessidade como de outras maiores, de perder a honra e perder a alma, este pai e senhor meu me livrou melhor do que eu lhe saberia pedir. Não me recordo, até agora, de lhe haver suplicado nada que não tenha deixado de fazer.
É coisa que espanta (que maravilha) as grandes mercês que me tem feito Deus por meio deste bem-aventurado santo, dos perigos que me tem livrado, tanto de corpo quanto de alma. A outros santos parece
que o Senhor lhes deu graça para socorrer em uma necessidade; a este glorioso santo tenho experiência que socorre em todas e que quer o Senhor dar-nos a entender que assim como esteve submetido a ele na terra, que como tinha nome de pai - sendo custódio - podia mandar Nele, também no céu faz quanto lhe pedem. E isto o tem comprovado algumas pessoas, a quem eu dizia que se encomendassem a ele, também por experiência; e ainda há muitas que começaram a ter-lhe devoção havendo experimentando esta verdade.
Queria eu persuadir a todos para que fossem devotos deste glorioso santo, pela grande experiência que tenho dos bens que ele alcança de Deus. Não conheci pessoa que deveras lhe seja devota e faça particulares serviços, que não a vejamos mais adiantada nas virtudes porque muito aproveitam as almas que a ele se encomendam. Parece-me, já há alguns anos, que a cada ano, em seu dia, lhe peço uma coisa e sempre a vejo cumprida. Se o pedido segue meio torcido, ele o endereça para o meu bem.
Se fosse uma pessoa que tivesse autoridade no escrever, de bom grado me estenderia em dizer muito a miúdo as mercês que este glorioso santo tem feito a mim e a outras pessoas. Só peço, pelo amor de Deus, que o prove quem não me crê e verá por experiência o grande bem que é o encomendar-se a este glorioso Patriarca e ter-lhe devoção.
Pessoas de oração, em especial, sempre deveriam ser a ele afeiçoadas. Não sei como se pode pensar na Rainha dos Anjos, no tempo que passou com o Menino Jesus, e não se dar graças a São José pelo bem com o qual lhes ajudou. Quem não encontrar mestre que lhe ensine oração, tome este glorioso santo por mestre e não errará no caminho”.3
Invoquemos o nosso Anjo da Guarda para que nos ajude a honrar ao nosso grande Santo Protetor, que é também Príncipe dos Anjos e Arcanjos. São José fora constituído também, no Reino de Deus, o grande Príncipe, e lhe foram dadas as maiores e mais extraordinárias prerrogativas que o fizeram o Príncipe sem igual, acima de todos os súditos do Rei dos reis depois de Maria Santíssima, Rainha dos céus e da terra. E nesta singular e privilegiada missão, quem pode contentar a supremacia de José sobre todos os Anjos e coros angélicos?
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Referências bibliográficas
Santa Teresa de Jesus, Livro da Vida 6,6-8
São José, Mons. Ascânio Brandão
Bíblia Pe João de Matos
São José. O esposo de Maria, da qual nasceu jesus. Ed Petrus 1ª edição-2010

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Pequena história de Nossa Senhora de Lourdes, Parte III



(Continuação das postagens anteriores: Parte I, Parte II.)

... nenhuma questão teológica estava envolvida ainda e os clérigos continuaram desinteressados.

Porém, durante a 16ª aparição, em 25 de março, festa da Anunciação, uma questão religiosa inevitável entrou nos acontecimentos dramáticos. Na manhã desse dia, Bernadete acordou muito cedo, com "grande desejo" de revisitar a gruta. Os pais fizeram-na esperar até as 5 horas da manhã, quando ela saiu com a família, seguida por um grupo grande de pessoas. Bernadete tinha ido a Massabielle todos os dias desde a última das aparições da quinzena, mas durante o que se chamou de "calmaria de três semanas" a aparição não se deixou ver. Desta vez, Aquero apareceu.

Embora os detalhes registrados divirjam quanto ao porquê, desta vez parece que Bernadete estava disposta a descobrir quem a Senhora era e lhe fez três vezes esta pergunta: "Senhora, quer ter a bondade de me dizer quem é, por favor?". Aquero começou a rir. Mas quando Bernadete repetiu a pergunta pela quarta vez, a Senhora parou de rir, sorriu e disse no dialeto Bigourdan as palavras atroadoras: "Que soy era Immaculada Concepción".

Ao ouvir isso, Bernadete levantou-se imediatamente e, seguida por um grande cortejo de pessoas ansiosas, apressou-se a voltar à cidade, repetindo as palavras em voz alta inúmeras vezes, a fim de não esquecê-las. Ao chegar à cidade, ela e um grupo de olhos arregalados irromperam na casa do padre Peyramale. Bernadete levantou os olhos para ele, que abaixou os seus para olhá-la e ela disse simplesmente: "Eu sou a Imaculada Conceição".

                                                                                      

Padre Peyramale ficou chocado, pois ali não só havia uma questão religiosa, mas uma questão religiosa importante, sobre a qual era impossível que a Bernadete analfabeta soubesse alguma coisa.

A questão é complicada, desagradável mesmo. Desde o século XIV, o dogma da Imaculada Conceição da Virgem Maria era fonte de controvérsias. Admitia-se que Jesus fora concebido de maneira imaculada, isto é, sem pecado, desde o momento da concepção. A questão era se Maria também fora concebida imaculada.

A Senhora havia finalmente se identificado como a "Imaculada Conceição"  o que significava que ela era, na verdade, a Santíssima Virgem Maria, Mãe do Salvador e Mãe de toda a Igreja Católica Romana também. Não há dúvida que Bernadete não entendia nada disso, pois o sentido teve de lhe ser explicado muitas vezes  e, antes de entrar para a escola local das Irmãs de Nevers, onde aprendeu a ler e escrever, ela nunca entendeu muito bem suas implicações.

                                                                                      

Durante algumas semanas, a gruta foi barricada pelas desgastadas autoridades, não tanto para desencorajar a devoção, mas para conter os problemas de imundície e saúde pública provocados por milhares de visitantes. A preocupação maior era com um surto de cólera.

Ninguém realmente sabia o que fazer sobre o lugar e iniciaram-se discussões calorosas entre as autoridades locais e os devotos sobre o que devia ser construído ali. Logo que a fonte começou a jorrar e curas foram relatadas, artesãos locais projetaram, para conter a água, um tanque equipado com canos de descarga e uma tábua para colocarem velas.

Fendas foram executadas na gruta, nas quais dinheiro podia ser inserido e depois recolhido e entregue  ao antes relutante padre Peyramale. Todos os dias era recitado o rosário e mais de cinqüenta pessoas alegaram ter visto a Virgem. Os devotos tornaram-se incontroláveis e, no início de maio, o prefeito de Tarbes ameaçou prender e pôr na cadeia todos os que "tivessem visões". O delegado de polícia de Lourdes confiscou todos os objetos votivos e, em junho, a gruta foi fechada, embora os muros fossem derrubados diversas vezes por devotos vigorosos.

Enquanto essas dificuldades continuavam sem solução, a notícia da aparição da Virgem Santíssima e da água milagrosa se espalhou por toda a França.

Um acaso acabou por solucionar as dificuldades. Em meados de agosto, a família imperial estava na residência de verão, em Biarritz, a apenas 150 quilômetros de Lourdes. Ali, o príncipe imperial, filho do imperador Napoleão III, então com 2 anos de idade, "contraiu perigosa insolação acompanhada da ameaça de meningite".

O imperador ou, é mais provável, a imperatriz enviou a preceptora do infante a Lourdes, onde ela falou primeiro com padre Peyramale e depois com Bernadete. A preceptora foi, então, até a gruta e, em nome do imperador, ordenou que os guardas enchessem um garrafão com a água, tirando-a o mais de perto possível do centro da fonte. Os guardas esforçaram-se ao máximo para cumprir essas ordens. O infante real foi borrifado várias vezes com a água e prontamente se recuperou.

Em outubro, cheio de gratidão, o imperador Napoleão III em pessoa ordenou que os funcionários de Tarbes e Lourdes removessem permanentemente as barricadas em volta da gruta  o que era mais que uma sugestão para não interferir no acesso público a ela.

Em novembro, o bispo de Tarbes nomeou uma comissão de inquérito que levou quatro anos para realizar todas as suas audiências. Além das questões teológicas envolvidas, a comissão levou, sem dúvida, em conta o interesse decisivo do imperador, as oferendas abundantes e as crescentes vendas de imagens votivas. "Desde o início" a comissão "ficou profundamente impressionada" com a sinceridade de Bernadete e sua "firmeza e lucidez".

Em 1862, monsenhor Laurence, bispo de Tarbes, publicou a conclusão esperada:

"Julgamos que Maria Imaculada, Mãe de Deus, realmente apareceu a Bernadete Soubirous em 11 de fevereiro de 1858 e em dias subseqüentes, 18 vezes ao todo. Os fiéis têm motivos para crer que isso é incontestável.

Autorizamos a devoção a Nossa Senhora da Gruta de Lourdes em nossa diocese... [e], em conformidade com os desejos da Virgem Santíssima, expressos mais de uma vez durante as aparições, propomos a construção de um santuário no terreno da gruta que o bispo de Tarbes acaba de adquirir."

O documento do bispo também proclamou milagrosas sete das curas que aconteceram em 1858. A resposta dos veículos de comunicação, que já era grande, tornou-se enorme.

                                                                                      

Em 1862, Achille Fould, financista judeu e ex-ministro da fazenda francês, comprou nas proximidades de Lourdes uma propriedade que pretendia desenvolver. Apressou-se a convencer a Companhia Ferroviária Meridional a fazer passar por Lourdes e por sua propriedade a ferrovia que estava em construção de Tarbes a Pau.

Dessa maneira, os cidadãos pobres de Lourdes viram-se diretamente ligados por estrada de ferro ao resto do continente  e ligados para todo o sempre a fontes de renda. Agora, romarias organizadas podiam chegar de trem, o que faziam e continuam a fazer em número cada vez maior. Esses romeiros precisavam de hotéis, restaurantes e outras comodidades.

Assim, surgiu o maior santuário de cura da história européia. Milhares de curas têm ocorrido ali, embora só 64 tenham sido oficialmente reconhecidas até 1970.

                                                                                      

Enquanto a comissão estudava a questão, em julho de 1860, Abbé Peyramale e o prefeito de Lourdes persuadiram a madre superiora do convento das Irmãs de Nevers a aceitar Bernadete como interna.

Bernadete tinha 16 anos e ainda era "ignorante como um bebê no berço". Assim, com tristeza, ela deixou a família  uma família cheia de brios que, apesar de desprovida de recursos, recusou-se a aceitar qualquer ajuda, exceto a casa mais salubre conseguida pelo Abbé.

No convento, Bernadete teve de receber muitos visitantes, pois os inquéritos e as investigações estavam em andamento. As irmãs admiravam sua humildade e resistência durante as entrevistas cansativas. Esta vidente comportava-se como instrumento apropriado da Mãe Santíssima.

Sofria cada vez mais ataques de asma e, na primavera de 1862, os pulmões se inflamaram. Quando recebia a unção dos enfermos, abriu os olhos, pediu água da fonte, bebeu-a e ficou curada.

Mais tarde foi transferida para a sede da ordem em Nevers, 500 quilômetros ao norte de Lourdes onde, como irmã Marie-Bernard, permaneceu humilde e obscura até a morte, em 16 de abril de 1879, aos 32 anos de idade. No mesmo ano, o único filho de Napoleão, o ex-príncipe imperial, apelidado "Loulou", foi atravessado por uma lança e morreu, quando lutava pelos interesses britânicos nas guerras zulus na África. Tinha 21 anos de idade.

                                                                                      

O corpo de Bernadete foi exumado pela primeira vez em 22 de setembro de 1909. Estava intacto e teve início o processo de beatificação. Foi novamente exumado em 3 de abril de 1919, quarenta anos depois da morte, e continuava intacto  exceto por ligeira descoloração na face, que foi corrigida com cera preservadora.

O corpo foi, então, colocado em um esquife de vidro e durante muitos anos ficou exposto à visitação dos fiéis e dos turistas, na capela do convento em Nevers. Em 1933, ela foi canonizada como Santa Bernadete.



Em 1906, a gruta e a basílica foram confiscadas do bispado de Tarbes pelo governo francês e, em 1910, sua posse foi cedida à municipalidade de Lourdes. A primeira visita papal ao santuário da aparição de Nossa Senhora da Gruta de Lourdes ocorreu em 1982.

O mais famoso santuário de cura do mundo, há muito tempo um lugar vasto e esplêndido, recebe anualmente a visita de mais de 15 milhões de pessoas.

Fim